
Professores se desdobram para atender turmas cheias e garantir o aprendizado de alunos atípicos, que podem demandar acompanhamento individualizado e adaptações pedagógicas. No ABC, ao menos 17.749 estudantes atípicos e com outras condições que exigem suporte educacional estão matriculados nas redes públicas municipal e estadual. Nesse contexto, o RD levantou as iniciativas previstas pelas duas redes para atender às demandas de inclusão em 2027.
As escolas do ABC contam com Salas de Recursos Multifuncionais, materiais pedagógicos adaptados, tecnologias assistivas e ações de formação para professores, além de iniciativas de conscientização sobre inclusão. Apesar das estratégias adotadas, um dos principais desafios apontados por profissionais da educação é a quantidade insuficiente de professores diante do número de estudantes, o que dificulta o acompanhamento individualizado e a garantia de condições adequadas de aprendizagem para todos.
O levantamento considera 9.715 estudantes com condições que exigem suporte educacional matriculados nas redes municipais do ABC. São 3.558 alunos em São Bernardo, 2.917 em Santo André, 1.900 em Diadema, 687 em Mauá, 582 em Ribeirão Pires e 71 em Rio Grande da Serra. Já na rede estadual, são 8.034 estudantes desse grupo matriculados em 309 escolas da região.
São Caetano não informou os dados solicitados pela reportagem até o fechamento desta matéria.
Sobrecarga aos professores do Estado
Em entrevista ao RD, o professor e presidente interino da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), Roberto Guido, afirma que o sindicato já tentou dialogar diversas vezes com o governo estadual para discutir melhorias na inclusão escolar. “Infelizmente, as políticas existentes são insuficientes, do nosso ponto de vista, para atender essa população. Isso é prejudicial no atendimento dessas crianças”, avalia.
Guido também aponta a sobrecarga dos educadores diante do número de alunos por sala e defende a redução das turmas como alternativa para melhorar o processo de aprendizagem. “Já que não conseguimos ampliar o número de professores, que são poucos para a quantidade de alunos, lutamos para reduzir o número de estudantes por sala”, afirma.
Outro ponto abordado pelo representante sindical é a saúde mental dos professores, que também enfrentam episódios de violência e problemas sociais recorrentes no ambiente escolar. “As respostas oferecidas não alcançam a realidade enfrentada pelos professores no cotidiano”, afirma Guido.
Acompanhamento individualizado
Ao RD, Claudia Rios, moradora de São Bernardo, conta como o acompanhamento individualizado foi importante para o desenvolvimento dos dois filhos atípicos. Quando a filha Lara, diagnosticada com autismo nível 1 de suporte, frequentava a pré-escola, uma auxiliar percebeu que a menina era a única criança da turma que ainda não andava e passou a oferecer acompanhamento especial. “Se tivesse apenas a professora, seria mais difícil oferecer esse suporte, porque a profissional precisa dar atenção a todos os alunos da sala”, relata.
Apesar da experiência positiva com o atendimento, Claudia aponta a falta de vagas em escolas de período integral como dificuldade para a família. “Não consegui vaga para meus filhos em escola integral. Samuel é nível 3 de suporte e não fala. A recomendação médica é que Lara e Samuel estudem em período integral para ter mais interação social e, consequentemente, favorecer o desenvolvimento”, conta.
Novos profissionais
As prefeituras de Santo André, Diadema e Rio Grande da Serra preveem ampliar ou reforçar as equipes voltadas à educação inclusiva. Santo André convocou 117 estagiários em agosto de 2026 e iniciou um processo para contratar profissionais especializados. Diadema planeja contratar novos professores de Educação Especial em 2027, enquanto Rio Grande da Serra avalia a contratação de 17 monitores de inclusão, um psicopedagogo, um assistente social e um psicólogo. As medidas da cidade dependem de análises técnicas, administrativas e orçamentárias.
Em Mauá, a rede municipal conta com 95 auxiliares de apoio à educação inclusiva (AAEI) e 50 professores especializados em Educação Especial. Já São Bernardo afirma atender 100% dos estudantes desse público em idade escolar obrigatória nas escolas regulares, com profissionais de apoio, professores de Atendimento Educacional Especializado (AEE) e equipes de Orientação Técnica (EOT).
Materiais e novas estruturas
Santo André distribuiu materiais pedagógicos diversificados em 39 escolas, com previsão de beneficiar cerca de 920 estudantes, e oferece natação adaptada por meio do Núcleo de Apoio à Natação Adaptada de Santo André (Nanasa), com prioridade para alunos da rede municipal.
Diadema investiu cerca de R$ 5 milhões em Educação Inclusiva em 2025 e prevê inaugurar, em 2028, o Centro TEA, com investimento estimado em R$ 10 milhões e capacidade para atender cerca de 300 estudantes. O espaço terá ambientes para atividades esportivas, pedagógicas e sensoriais, além de atendimentos clínicos.
Já em Ribeirão Pires, os investimentos e as ações específicas para 2027 ainda estão em planejamento, sem valores definidos. Rio Grande da Serra também avalia os recursos orçamentários e as entregas previstas para fortalecer o atendimento na rede municipal.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
