
Poucas pessoas sabem, mas todos os pais, mães e responsáveis por estudantes da rede pública de ensino têm o direito de acompanhar o cumprimento do chamado projeto político-pedagógico de cada escola. Esse é o documento que vai determinar o plano educacional de cada unidade de ensino e é importante que os pais se certifiquem de que esta programação é executada corretamente.
Quem faz este alerta é a professora Adriana Vasconcellos, educadora da rede paulistana há mais de 20 anos e ativista de políticas educacionais há uma década. Adriana defende a criação de uma rotina clara de acompanhamento entre famílias, direção escolar e órgãos públicos para verificar se o que está no papel é, de fato, aplicado em sala.
Para a professora, o gargalo atual está na ausência de fiscalização contínua sobre o que já foi formalmente instituído nas escolas. “O projeto político-pedagógico é obrigado a existir, porque é o que vai dizer como aquela escola vai formar, e quais alunos quer formar”, afirma.
De acordo com a professora, o documento pedagógico de uma escola pode conter compromissos que nunca chegam a ser cobrados na prática, porque as famílias frequentemente não sabem que têm esse direito. “Muitas vezes, a família não sabe da existência do documento nem dos benefícios que pode trazer”, diz.
Adriana destaca que professores recebem formações continuadas ao longo dos anos, mas nem sempre conseguem transformar o conteúdo em prática cotidiana de sala de aula. Para a educadora, falta um trabalho de sensibilização mais próximo da realidade docente, para além de cursos pontuais.
Como cobrar
Como solução, Adriana defende a estruturação de um caminho de acompanhamento em etapas, que começa dentro de casa e passa pela direção da escola, pelos conselhos escolares e grêmios estudantis, pela Diretoria Regional de Ensino e, em último caso, pela Secretaria de Estado da Educação.
A professora acrescenta que, quando a resposta não vem em nenhuma dessas instâncias, os pais ou mesmo os estudantes podem recorrer aos seus representantes no Legislativo, no caso de escolas municipais, ou deputados estaduais, no caso dos colégios do Estado, que são responsáveis por fiscalizar o Executivo. “O vereador, por meio de sua assessoria, tem o dever de receber a população em seu gabinete e realizar esse trabalho em conjunto”, afirma.
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