
No primeiro compromisso após a Copa do Mundo, a seleção brasileira fez partida ruim e buscou o empate com a Austrália, por 1 a 1, no último minuto, em amistoso realizado nesta sexta-feira (25/09), em Townsville. O técnico Carlo Ancelotti voltou a insistir em um esquema com quatro atacantes, mas sofreu com a falta de criação do time no meio-campo e uma exibição tecnicamente abaixo de jogadores importantes, como Vini Jr. e Endrick, ao mesmo tempo em que não conseguiu potencializar Raphinha, que vive fase artilheira no Barcelona, e Estêvão, jogador de maior perigo do time brasileiro na partida. Rayan, de cabeça após cobrança de escanteio, evitou o que seria uma derrota vexatória.
O Brasil volta a enfrentar a Austrália na terça-feira (29), às 7h (horário de Brasília). Desta vez, a partida será em Brisbane. A seleção ainda terá pela frente nesta Data Fifa o confronto inédito com a Índia, em Calcutá, no sábado (3).
Quem esperava ver um amplo domínio do Brasil, enganou-se. Apesar de ter apenas dois estreantes no time titular – o lateral-direito Matheuzinho e o zagueiro Vitor Reis – e manter o esquema com quatro atacantes, a seleção brasileira demonstrou um visível desajuste e teve dificuldade diante da Austrália. Os anfitriões controlaram a partida, criaram chances em contra-ataques e em cobranças de escanteio. Aos seis minutos, o goleiro Hugo Souza fez boa defesa em chute de longa distância de Irankunda.
Sem conseguir avançar, o time brasileiro apostou em lançamentos longos do meio-campo, ineficazes diante da defesa australiana, montada com cinco atletas. De volta à seleção brasileira após ausência na Copa por lesão, coube a Estêvão dar a primeira finalização do Brasil, aos 26, em chute de fora da área. Referência na frente, o camisa 9 Endrick praticamente não recebeu passes em condição de finalização e se limitou a brigar com os defensores australianos.
Os volantes Bruno Guimarães e Danilo demoraram a “entrar” na partida. Raphinha por vezes foi obrigado a recuar ao meio-campo para ajudar na construção e impedir a superioridade dos australianos no setor. Com maior amplitude, o time brasileiro se organizou nos minutos finais e criou chances com Bruno Guimarães e Raphinha, que finalizaram dentro da área.
Minutos depois de a Austrália quase abrir o placar após cobrança de escanteio, a rara pressão brasileira sobre a defesa adversária terminou com chute cruzado de Estêvão no fundo das redes. Melhor do time de Ancelotti no primeiro tempo, o novo camisa 11 da seleção teve o gol anulado por falta de Bruno Guimarães no início da jogada, corretamente apontada pelo VAR.
O Brasil voltou do intervalo em um ritmo de maior intensidade, com roubadas de bola e saídas em velocidade, mas, quando precisou trabalhar a troca de passes, a seleção voltou a sofrer com um buraco no meio-campo, sem articulação no setor central e pouca movimentação dos atacantes para criar oportunidades. Vini Jr., que começou mal a temporada pelo Real Madrid, não se beneficiou da mudança de ares e foi um dos pontos negativos do time na partida. Aos 17 minutos, Raphinha teve a chance de abrir o placar, mas chutou mascado da entrada da área e perdeu a melhor oportunidade da seleção. A má qualidade do gramado visivelmente atrapalhou.
Ancelotti recorreu ao banco de reservas para tentar mudar a proposta de jogo da seleção. O italiano sacou o apagado Endrick para colocar Pedro, com o objetivo de ter um atacante mais fixo na área e aproximar os jogadores das pontas e do meio-campo. Bruno Guimarães deu lugar a Douglas Luiz, da Juventus, e Vini Jr. saiu para a entrada de Samuel Lino.
Mal os suplentes entraram no gramado, a Austrália abriu o placar. Irankunda marcou aos 22 minutos, em cobrança de falta que, apesar de bem cobrada, deixou a impressão de que Hugo Souza poderia ter ao menos voado para tentar a defesa.
Com a vantagem no placar, a Austrália colocou os 11 jogadores atrás da linha da bola e teve até mesmo certa tranquilidade para administrar o resultado da partida. Ancelotti promoveu as estreias do zagueiro Jair Cunha e do lateral-esquerdo Mauro Júnior, além de colocar o veloz Rayan, titular da seleção brasileira no fatídico jogo da eliminação contra a Noruega na Copa. Mesmo com o estilo de velocidade do jogador do Bournemouth não casar com a urgência do time, que exigia um jogo de toque rápido e infiltração na área, o atacante brilhou no fim e empatou a partida com gol de cabeça no último lance.
Ficha técnica
Austrália 1 X 1 Brasil
Austrália – Beach; Italiano (Geria), Circati, Souttar, Herrington e Behich; Irvine e Okon-Engstler (ONeill); Metcalfe (Younis), Irankunda (McGree), Yengi. Técnico: Tony Popovic
Brasil – Hugo Souza; Matheuzinho, Marquinhos, Vitor Reis (Jair Cunha) e Douglas Santos (Mauro Júnior); Danilo e Bruno Guimarães (Douglas Luiz); Estêvão (Rayan), Raphinha, Endrick (Pedro) e Vini Jr. (Samuel Lino). Técnico: Carlo Ancelotti.
Árbitro – Ryo Tanimoto (JAP).
Gols – Irankunda, aos 22, e Rayan, aos 49 minutos do segundo tempo.
Cartão amarelo – Irvine (Austrália).
Renda e público – Não disponíveis.
Local – Queensland Country Bank Stadium, em Townsville (Austrália).
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
