
Com previsão para 2040, linha 25-Topázio vai ligar o ABC a Embu das Artes evitando o Centro da Capital. Com 41,8 quilômetros de extensão a linha prevê sair da Estação ABC (Antiga Pirelli), em Santo André, passar por São Bernardo e Diadema, e seguir até Embu das Artes. A previsão é que quando estiver pronta cerca de 855 mil embarques sejam realizados por dia. Para especialista em transportes, ouvido pelo RD, a ligação é muito aguardada e não é de hoje, porém a demora para a definição do projeto, bem como o tempo que levará para ficar pronta, a linha já pode nascer com a capacidade superada.
“A vantagem do transporte sobre trilhos sobre o transporte coletivo sobre pneus é a segurança de cumprimento de horários e é essa segurança que faz com que as pessoas mudem de modal. O ônibus pode atender, mas o passageiro tem que se programar com muita antecedência e mesmo assim ele o coletivo atrasa. Como o trem é um sistema totalmente segregado do trânsito ele tem melhor previsibilidade”, compara o urbanista especializado na área de transportes Thiago Von Zeidler.
Segundo ele as soluções para a mobilidade no ABC têm saído muito tarde, demoram para serem concluídas e às vezes nem saem do projeto, como ocorreu com a Linha 18 Bronze do Metrô que tinha até projeto mas o governo decidiu por descontinuar. “O ABC pela população que tem merecia ter mais cuidado. A região ficou para grás no planejmento estatal. Agora com o PITU (Plano Integrado de Transportes Urbanos) 2040 está se falando da linha 25, da linha 20 do Metrô, mas extinguiram completamente a linha 18 e pararam de falar na ampliação da linha 14. Eu vejo que, por causa do enfrentamento político que sempre aconteceu, que o ABC sempre foi preterido”, analisa.
Para o urbanista há uma desconexão entre os projetos do Estado e as cidades. “A região está revisando seus planos diretores e será que esses planos diretores consideram essa intervenção prevista para 2040? Deveriam, porque precisa-se congelar certos terrenos. Lembrando que a linha 20-Rosa chegou a ficar sem local para o pátio que no fim ficou para o terreno que era da Ford”.
Apesar da demora e dos desafios para essa obra Zeidler considera que o traçado é muito positivo e aguardado. “Há muito tempo a pesquisa de origem e destino aponta que temos muitos deslocamentos neste sentido, muito feito por carro e com acessos ruins. Essa ligação do Arco Sul é muito importante”, aponta.
Na fase inicial do projeto serão investidos R$ 9,7 milhões. Segundo o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) que vai financiar parte da obra, o projeto está na fase de estudo simplificado. Inicialmente a linha ligaria apenas duas cidades do ABC; São Bernardo e Diadema, mas no ano passado alteração confirmou que a linha foi esticada até Santo André.
Estão previstas 25 estações, são elas: Embu, Parque da Várzea, Pataxós, Jardim São Marcos, Jardim Vitória, Parque Munhoz, Campo Limpo (conexão com Linha 5-Lilás), Jardim São Luiz, Guido Caloi, Atlântica, Jurubatuba (conexão com Linha 9-Esmeralda), Sabará, Yervant, Vila Joaniza, Cidade Ademar, Jardim Miriam, APAE Diadema, Vila Conceição, Casa Grande, Independência, Álvaro Guimarães, São Bernardo, Brasília, Vila Marina e ABC.
Em nota a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) informa que a estimavia é que a linha esteja operando em 2040, conforme está no PITU. “Poderá haver mudanças nas etapas futuras, caso haja impeditivos ou dificuldades do ponto de vista de engenharia ou inserção urbana, já que as linhas passarão por regiões altamente adensadas. Entretanto, a CPTM vem adotando premissas que têm direcionado a localização das estações buscando a integração modal e o atendimento adequado à população”, diz o comunicado.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
