
Santo André já conquistou diversos títulos nacionais e internacionais, além de ceder atletas e membros da comissão técnica para as seleções brasileiras, como no basquete, vôlei e outras modalidades. Atualmente, esse fato se confirma no tênis de mesa. Fernando Yukio Shigetomi, treinador do Santo André, assumiu neste ano a vaga máxima entre os técnicos, como comandante da seleção masculina adulta.
Antes de chegar ao cargo, Fernando e o tênis de mesa de Santo André construíram uma história de títulos e conquistas. O tênis de mesa andreense iniciou sua trajetória há mais de 50 anos com a chegada do técnico Lee Kou Tin. O mesatenista se tornou cidadão honorário de Santo André, trouxe diversos títulos e medalhas para a cidade em competições regionais, estaduais, nacionais e internacionais, e fez nascer uma parceria que hoje é comandada pela filha, Lee Yen Hua.
“Conheci o tênis de mesa ainda criança, por meio de amigos no interior paulista, e passei a competir. Isso seguiu até a faculdade, quando me distanciei e fui morar no Japão. Ao voltar ao Brasil, vim para Santo André ajudar uma prima que jogava pela cidade, sem planos de ficar por muito tempo. Nesse caminho, conheci o Sr. Lee, que me convidou para entrar na equipe e ajudá-lo. Minha paixão pelo tênis de mesa foi retomada e não parei mais”, contou Fernando.
O técnico iniciou o trabalho com as categorias de base, ajudou na formação dos atletas e também dos treinadores, aprendeu novas funções e ganhou espaço dentro da modalidade no circuito andreense. Após a pandemia de Covid-19, Shigetomi recebeu o convite da seleção brasileira para iniciar um trabalho como treinador desde a base.
“Foi um processo que começou cedo, com as categorias sub-11 e sub-13, passou depois para 15 e 19 e, neste ano, chegou ao adulto. Com as crianças, o foco é a formação esportiva, a parte técnica e a importância dos pais nesse trabalho conjunto. Depois, fomos para os adolescentes e o início da fase adulta, já com certa bagagem e várias competições, em uma fase desafiadora, com decisões sobre estudos, profissões, entre outras”, explicou.
Ele acrescentou que muitos atletas da base acabaram não seguindo no esporte e se tornaram advogados, médicos, mas que ainda mantém contato com eles e agradece por tudo que o esporte fez no trabalho e para se tornar um cidadão melhor.
Santo André é uma das referências no país quando o assunto é tênis de mesa. A metodologia aplicada apresenta resultados nas diferentes categorias e mantém a “casa cheia”, já que muitos atletas procuram o clube. O município atende os jogadores com uma equipe multidisciplinar, que conta com nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas e outras especialidades, além de manter uma parceria com a Confederação Brasileira de Tênis de Mesa, que trouxe ao município o status de Polo de Desenvolvimento Regional da entidade.
Tudo isso alçou Fernando ao cargo de técnico da seleção brasileira, que possui atletas de ponta, como o multicampeão Hugo Calderano. “Fui pego de surpresa com este convite, mas me sinto muito honrado. É um cargo de grande responsabilidade, com diálogo e aprendizado. Pude trabalhar aos poucos, subi de categoria e ganhei experiência. Estes atletas estão no alto rendimento e possuem um preparo muito grande. Estamos aqui para acompanhar, dar suporte, alinhar estratégias e desenvolver um bom plano no dia a dia”, enfatizou.
O trabalho com a seleção segue em conjunto com Santo André e foca os grandes campeonatos dos próximos anos, como os Jogos Pan-Americanos e, sobretudo, os Jogos Olímpicos de 2028, em Los Angeles (EUA), além dos mundiais. “Temos este processo para continuar e uma expectativa boa, uma equipe jovem, que se doa ao máximo. O tênis de mesa faz parte de um grande pedaço da minha vida e da minha família, está ligado a tudo e planejo 100% de cada passo a ser dado.” O próximo desafio acontece a partir de 18 de setembro, com a disputa dos Jogos Sul-Americanos em Santa Fé, na Argentina.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
