
Apesar do número de mortes decorrentes de intervenção policial ter caído 35,13% do ano passado para cá no ABC, o percentual de policiais envolvidos em ocorrências fatais durante o horário de trabalho aumentou. Segundo os números oficiais da Secretaria de Segurança Pública, no ano passado em 68% das ocorrências com morte os policiais estavam em serviço, neste ano esse percentual passou para 80%.
Os números oficiais da Secretaria de Segurança Pública apontam que de janeiro a julho do ano passado 37 pessoas morreram em confronto com a polícia, quase todos os casos envolvem a Polícia Militar, apenas um envolveu policial civil. No mesmo período deste ano foram 24 casos e em 23 deles houve confronto com a PM. A redução foi de 35,13% nas mortes decorrentes de intervenção policial no ABC.
Ao analisar se os policiais envolvidos estavam de folga ou de serviço, é que a situação se altera significativamente. Das 37 ocorrências do tipo registradas nos primeiros sete meses do ano passado, em 25 casos os policiais estavam em serviço (68%) e 12 em folga (32%). Neste ano foram 24 ocorrências até julho, com 19 policiais de serviço (80%) e em cinco casos os envolvidos estavam de folga (20%).
Para o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) Subseção de São Bernardo, membro da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do Conselho Federal da OAB e ex-secretário do Ministério de Direitos Humanos, Ariel de Castro Alves, há certo incentivo do governo ao confronto.
“A tônica do atual governo estadual tem sido de estimular a violência policial, diante de todo o histórico do governador que foi contra as câmeras corporais na campanha eleitoral passada e no início do mandato; e por ter nomeado o (Guilherme) Derrite como secretário de segurança, com todo histórico dele de defesa da violência policial. Essa gestão também mudou o sistema operacional das câmeras, que não funcionam de forma ininterrupta mais e, com isso os policiais podem ou não acionar o funcionamento. Todas essas situações influenciam esses números expressivos de letalidade policial em serviço”, analisa Alves.
O ex-secretário Nacional dos Direitos Humanos diz que a absolvição dos policiais envolvidos nas ocorrências com morte traz a sensação de impunidade. “Os PMs são absolvidos pelos Tribunais do Júri em 90% dos casos. Então os incentivos políticos e governamentais, juntos com a impunidade judicial garantem uma verdadeira ´licença para matar´ aos maus PMs”, completa.
Analisando os casos de morte em decorrência de intervenção policial, em quase todas as cidades houve redução do número de mortes. Exceção feita a Santo André, que teve oito casos nos sete meses iniciais do ano passado e mesmo número de ocorrências este ano, e também para Rio Grande da Serra que teve um caso no ano passado e um caso neste ano.
Em São Bernardo, até julho, foram 10 casos este ano e 14 no mesmo período do ano passado. Mauá teve três casos este ano número que é um terço do registrado em sete meses do ano passado. Queda também importante em Diadema, de três para um caso. Ribeirão Pires reduziu os casos de dois para um e São Caetano não registra mortes por policiais nos dois períodos analisados.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
