
O primeiro domingo do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), dia 8 de novembro, recebe os candidatos com uma prova de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, com 45 questões e uma redação. A prova, conhecida por ser uma maratona de leitura e interpretação, exige mais do que a memorização de regras gramaticais, trechos de livros, o exame avalia a capacidade do estudante de compreender a linguagem como uma ferramenta de comunicação, expressão artística, integração social e posicionamento crítico.
Para conquistar um alto desempenho, o candidato precisa dominar as particularidades de cada um dos componentes da área: Língua Portuguesa, Literatura, Artes, Educação Física, Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) e Língua Estrangeira (Inglês ou Espanhol).
Língua Portuguesa
A disciplina de Língua Portuguesa aparece de 28 a 30 questões, é o pilar da prova de Linguagens e permea também a leitura das demais disciplinas. O exame exige do estudante uma visão estratégica e apurada. A prova privilegia o uso prático do idioma em variados contextos comunicativos e requer o domínio de conceitos essenciais para a compreensão discursiva.
Como avalia Thiago Silverio Barbosa, professor de Língua Portuguesa da Escola Internacional de Alphaville, o Enem testa a capacidade de análise crítica. “Mais do que decorar regras gramaticais isoladas, o aluno precisa entender como a língua funciona em situações reais. O exame cobra aplicação prática, focando na dimensão discursiva, nas variações linguísticas, nas funções da linguagem e nos recursos semânticos, como a polissemia e a ambiguidade”, destaca.
Entre os conteúdos mais recorrentes na prova de Língua Portuguesa, Barbosa destaca:
- Interpretação e compreensão de textos
- Gêneros e tipos textuais
- Variações linguísticas
- Análise sintática e semântica
Para se dar bem na disciplina, o professor recomenda que: “Leia a pergunta antes de encarar o texto de apoio. Identificar o comando central do enunciado permite que o estudante faça uma leitura direcionada, economizando tempo e evitando o desgaste mental ao longo da prova”.
Literatura
A abordagem da Literatura no Enem diferencia-se de outros vestibulares tradicionais por não exigir a leitura obrigatória de uma lista fixa de obras. No entanto, os textos literários surgem como uma fonte de análise e reflexão sociocultural.
Segundo Thiago Silverio Barbosa, o exame valoriza a relação entre arte e sociedade. “A literatura no Enem aparece de maneira interdisciplinar, conectando autores consagrados e contemporâneos a temas como desigualdade social, identidade nacional, crítica política e memórias históricas. O candidato deve ser capaz de reconhecer estilos de época, recursos expressivos e a função social das obras”, comenta.
Os principais tópicos e estilos cobrados em Literatura incluem:
- Modernismo: especialmente a Primeira e a Segunda Geração
- Realismo e Naturalismo
- Literatura Contemporânea e Poesia
- Romantismo e Indianismo
O professor orienta que o estudo da literatura seja focado no contexto. “Se não for possível ler os livros mais citados na prova integralmente, o indicado é compreender o contexto histórico de produção, os conflitos centrais, os perfis dos personagens e a crítica social envolvida. Assistir a filmes, peças de teatro e ouvir podcasts sobre as obras também ajuda na fixação, além de ler resumos sobre os livros”, afirma.
Artes
Representada na prova por cerca de 5 questões interdisciplinares que articulam texto e imagem, a disciplina de Artes exige leitura visual e repertório cultural. O exame cobra a capacidade de interpretar obras plásticas, manifestações cênicas e produções audiovisuais vinculadas a seus contextos históricos.
De acordo com professor Cesar Garcia, da Escola Bilíngue Aubrick, a disciplina requer um olhar crítico e reflexivo. “A parte de Artes não avalia apenas se o aluno conhece o nome do artista ou da obra, mas se ele entende o papel social e as camadas de significação das obras de arte. As perguntas pedem que o estudante identifique elementos como linha, forma, cor e composição, mas também perceba como a obra dialoga, por exemplo, com questões de gênero, meio ambiente e cidadania”, comenta.
Entre os temas de Artes com maior incidência na prova, Garcia elenca:
- Movimentos artísticos marcantes
- Cultura afro-brasileira e indígena
- Linguagens artísticas
- Arte e Novas Tecnologias
Como dica de ouro para gabaritar Artes, o professor indica montar uma linha do tempo relacionando os movimentos artísticos aos acontecimentos históricos de cada época. “Compreender que movimentos de Arte e Design são reações da sociedade a mudanças de paradigmas e eventos históricos é fundamental”, acrescenta.
Educação Física
A inclusão da Educação Física na prova de Linguagens costuma pegar muitos candidatos de surpresa pelo seu caráter teórico e reflexivo. As questões, que costumam variar de 02 a 05 a cada ano, exploram a cultura corporal de movimento como forma de linguagem e inserção social.
Como explica Gilberto Júnior, professor do Brazilian International School (BIS), o foco está na análise crítica da sociedade. “O Enem não cobra regras de esportes ou nomes de músculos, mas sim o papel social do corpo. O estudante precisa refletir sobre assuntos como os padrões de beleza impostos pela mídia, a importância da atividade física para a saúde e o esporte como ferramenta de inclusão”, destaca.
Segundo o professor de educação física, os assuntos mais abordados na área de Educação Física costumam ser:
- Cultura corporal e manifestações
- Saúde e qualidade de vida
- Mídia e padrões estéticos
- Inclusão e acessibilidade
Para garantir pontos valiosos nessa área, Gilberto Júnior aconselha ao candidato associar o conteúdo a temas atuais e políticas públicas. “Acompanhar notícias sobre grandes eventos esportivos, debates sobre acessibilidade e saúde pública ajuda a construir a visão crítica que a prova exige”, comenta.
Tecnologias da informação e comunicação (TICs)
As Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) estão presentes no cotidiano dos estudantes e ganham cada vez mais espaço no Enem devido às transformações digitais da sociedade. Tratam-se do conjunto de recursos tecnológicos que trabalham juntos para criar, armazenar, enviar e usar dados, como: a internet e a informática, computadores, dispositivos, softwares, plataformas e aplicativos, os sistemas de telecomunicação e as redes sociais.
Para Tiessa Vilela Sanchez, especialista em tecnologias educacionais do BIS, o letramento digital é a chave para acertar as questões, que variam de 02 a 04 a cada Enem. As perguntas avaliam como as ferramentas tecnológicas impactam as relações humanas, a circulação de informações e as práticas de linguagem. “O exame traz textos sobre o uso de redes sociais, algoritmos e inteligência artificial para testar se o jovem consegue analisar criticamente o ambiente virtual em que vive”, afirma.
Os tópicos mais recorrentes sobre TICs na prova incluem, segundo a docente:
- Mídias digitais e redes sociais
- Desinformação e checagem
- Tecnologia e sociedade
- Novas linguagens virtuais
Tiessa ressalta a principal estratégia para este bloco da prova: “Mais do que decorar conceitos, o importante é saber analisar situações, interpretar informações e dados e refletir sobre como a tecnologia pode trazer benefícios, mas também desafios e responsabilidades para a sociedade”.
Língua estrangeira
A parte de Língua Estrangeira tem 05 questões de Inglês ou Espanhol. O aluno escolhe no momento da inscrição para o Enem qual idioma quer responder no dia da prova. As perguntas avaliam a capacidade do candidato de compreensão leitora e a inferência de sentidos.
Segundo Bruna Carmo, professora de inglês do colégio Progresso Bilíngue de Campinas, a prova testa a leitura em contexto. “O Enem não exige um domínio gramatical exaustivo, mas sim a capacidade de ler um texto original e compreender sua ideia central e nuances socioculturais”,
Bruna lista os conteúdos mais cobrados e os cuidados necessários em cada idioma:
- Inglês
- Espanhol
- Compreensão do sentido global do texto
- Leitura de textos curtos
- Temas transversais
Bruna avisa sobre a maior armadilha da prova. “No Espanhol, a semelhança com o Português pode levar a falsas inferências. Não confie apenas na intuição. E tanto para Inglês como para o Espanhol, leia o enunciado em português primeiro para saber exatamente qual informação procurar no texto em língua estrangeira, e assim ter mais chances de acertar a resposta”, diz.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
