
O advogado Matheus Gianello (PL) entregou sua carta de renúncia ao cargo de vereador de São Caetano nessa sexta-feira (28/08). O pedido acontece no mesmo dia em que houve a entrega do relatório da comissão processante em relação ao pedido de cassação de mandato do liberal. O grupo entende que os cinco apontamentos contra Gianello por suposta presença de funcionários fantasmas em seu gabinete foram considerados procedentes. A sessão de julgamento foi convocada para a próxima segunda-feira (31).
“Decidi, de maneira serena e consciente, renunciar ao meu mandato e me afastar, neste momento, da Câmara Municipal. Essa decisão, porém, não representa o fim da minha trajetória nem do meu trabalho por São Caetano. Eu e as pessoas que caminham ao meu lado temos um projeto muito maior para a nossa cidade. Vamos honrar cada um dos quase três mil votos que recebemos, com responsabilidade, coragem e muito trabalho. Em breve, apresentaremos um novo projeto para São Caetano. Vem novidade, e uma grande surpresa, por aí.”, disse Gianello em nota enviada ao RD.
A carta de renúncia foi apresentada cerca de uma hora após a Câmara de São Caetano confirmar uma sessão extraordinária para julgar cinco infrações atribuídas ao advogado. A primeira sobre uma ex-funcionária que estava em viagem internacional sem estar em férias. A segunda sobre a própria viagem e o recebimento de remuneração. A terceira relativa a outro funcionário do gabinete. A quarta sobre o trabalho de terceiros e a criação de uma estrutura informal no gabinete. E a quinta sobre a suposta quebra de decoro parlamentar.
Em sua defesa, além de negar que tenha cometido qualquer tipo de infração, a defesa de Gianello aponta que o pedido de cassação seria improcedente, pois não foi feito por um partido com cadeira na Câmara de São Caetano ou por qualquer outro parlamentar. O pedido foi feito por Marcelo de Jesus Camargo, empresário e que foi candidato a vereador nas eleições de 2026 pelo União Brasil.
A comissão processante não viu qualquer tipo de ação que possa impedir o prosseguimento do processo e ainda opinou que as cinco infrações são procedentes. Caso a maioria dos vereadores votasse favoravelmente aos cinco pareceres, Gianello teria seu mandato cassado, o que gera também a perda dos direitos políticos por oito anos. Com a renúncia, o advogado preserva seu direito de participar da próxima eleição municipal, em 2028, como candidato.
Com a renúncia de Matheus Gianello, Dra. Anny (PL) assume em definitivo o cargo de vereadora. Assim a Câmara de São Caetano passa a ter duas mulheres. A outra vereadora é Bruna Biondi, do mandato coletivo Mulheres por + Direitos (PSOL).
Histórico
Matheus Gianello estava em seu segundo mandato na Câmara de São Caetano. Nessa legislatura virou um dos principais defensores da gestão de José Auricchio Júnior (PSD), votando contra a criação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Dívida Pública, realizada entre 2025 e 2026, e que apontou uma série de irregularidades que causaram o aumento da dívida do município.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
