Com a queda das temperaturas, o organismo passa por adaptações para manter a temperatura corporal, e algumas dessas respostas podem afetar a saúde cardiovascular. Em entrevista ao RDtv, a cardiologista intervencionista Cristina Silveira explica que, entre as reações do corpo ao frio, está a vasoconstrição – contração dos vasos sanguíneos que pode dificultar o fluxo de sangue.
“Se a gente já tem uma circulação comprometida ali nas coronárias, com a vasoconstrição causada pelo inverno, isso tende a piorar. A gente estima também que, nos meses de inverno, as pessoas acabam abusando um pouco mais da alimentação, muitas vezes se descuidam dos hábitos de vida, fazem menos atividade física e acabam protelando a busca pelo atendimento médico. Isso também tem um impacto na saúde do coração”, comenta a especialista.

Segundo a cardiologista, esse conjunto de fatores contribui para o aumento da incidência de doenças cardiovasculares durante os meses mais frios. A estimativa é de 30% de aumento nos casos de infarto e de 20% no risco de AVC durante o inverno.
Apesar da maior incidência no período de baixas temperaturas, as doenças cardiovasculares podem ocorrer independentemente da estação do ano. Por isso, Cristina Silveira alerta para a importância de reconhecer os sinais e procurar atendimento médico o quanto antes.
Sintomas podem passar despercebidos
A cardiologista chama atenção para sintomas que podem ser confundidos com problemas menos graves. Uma dor nas costas, uma sensação de tensão ou um mal-estar podem, em alguns casos, estar relacionados a uma emergência cardiovascular.
“Às vezes, tem uma dor e acha que aquilo pode ser por tensão, por problemas de coluna, enfim. É comum que o próprio paciente muitas vezes não valorize o seu sintoma de dor no peito”, comenta.
Segundo Cristina, nem todos os pacientes apresentam o quadro considerado clássico de infarto, com dor intensa no peito irradiando para o braço.
“Nem todos os pacientes vão ter aquela dor no peito clássica, em aperto, que vai para o braço. Alguns pacientes muitas vezes têm falta de ar, uma angústia, uma sensação de peso no peito e acabam atribuindo isso a outros fatores, como doenças respiratórias, ansiedade, enfim. Então isso acaba também atrasando a busca pelo sistema de saúde”, destaca.
A especialista orienta que dores ou desconfortos que surgem de forma repentina, especialmente com sensação de aperto, peso ou ardência, devem ser avaliados. A dor também pode irradiar para o queixo, as costas ou o braço esquerdo.
“Essa é a dor que deve nos preocupar e não deve atrasar a busca pelo serviço de saúde. É melhor o paciente ser avaliado pelo médico, fazer um eletrocardiograma e a gente descartar que seja algo mais grave do que acabar protelando e depois ter uma situação mais grave”, ressalta.
Fatores de risco exigem acompanhamento
Além de ficar atento aos sintomas, pessoas com histórico familiar de doenças cardiovasculares ou fatores de risco devem manter acompanhamento médico regular.
“A gente orienta, especialmente o paciente que tem fatores de risco, que tem história familiar, que tem hipertensão, problemas de colesterol, a procurar cada vez mais cedo o acompanhamento com o cardiologista”, afirma Cristina.
A prevenção também passa pela adoção de hábitos mais saudáveis. Entre as recomendações estão melhorar a alimentação, praticar atividade física regularmente e evitar o consumo de bebidas alcoólicas e cigarros.
“Naquilo que a gente pode atuar, que são os hábitos de vida, o controle dos fatores de risco, é muito importante que a gente tenha esse cuidado. Então, fazer uma alimentação mais saudável, mais natural, com baixas taxas de gordura de origem animal, consumir proteínas mais magras, mais frutas, verduras, menos industrializados”, orienta a cardiologista.
A atividade física também é apontada como uma importante aliada na prevenção de doenças cardiovasculares.
“Atividade física também é de extrema importância. Então hoje os estudos mostram que pelo menos 150 minutos por semana de atividade física reduz de maneira importante a incidência de infarto e de AVC”, destaca.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
