
Estudantes, pais e professores da E.E. Professor Domingos Peixoto da Silva, na Estrada dos Alvarengas, no bairro Alvarenga, em São Bernardo, protestaram na noite desta quinta-feira (27/08) contra o possível encerramento das turmas do período noturno na unidade. O turno é frequentado principalmente por alunos que trabalham durante o dia e dependem das aulas à noite para concluir o Ensino Médio.
O ato contou com a participação da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) e de integrantes da comunidade escolar. A entidade afirma que pretende promover novas manifestações e buscar apoio do Ministério Público para garantir a manutenção do ensino noturno.
Segundo a comunidade escolar, a unidade atende estudantes de mais de 20 bairros da região. Entre eles estão jovens que trabalham durante o dia, fazem cursos ou têm filhos e, por isso, precisam estudar à noite. Os alunos também reivindicam a manutenção de turmas dos três anos do Ensino Médio no período noturno.
Heloisa Almeida, mãe de um estudante que frequenta a escola à noite, afirma que o horário é fundamental para que o filho consiga conciliar trabalho e estudos.
“Meu filho faz parte dos jovens que trabalham durante o dia para ajudar a mim e aos irmãos. Como os jovens vão trabalhar se não conseguem estudar à noite?”, questiona.
Um ex-aluno da escola, que preferiu não se identificar, também destaca a importância do período noturno para quem precisa conciliar trabalho e estudos. Segundo ele, apesar das dificuldades enfrentadas durante sua passagem pela unidade, as aulas à noite permitiram que concluísse o Ensino Médio enquanto participava do programa Jovem Aprendiz.
“Para várias pessoas, o horário noturno era muito importante. Muitos trabalhavam, tinha gente com filho. Eu mesmo fazia o Jovem Aprendiz”, relata.
Durante o período em que estudou na escola, o ex-aluno afirma ter enfrentado problemas como falta de professores, além de dificuldades relacionadas à frequência e ao comportamento de alguns estudantes. Apesar disso, considera que a possibilidade de estudar à noite foi fundamental para sua formação.
“Eu me formei ali à noite. O ensino era precário e faltavam diversos professores, mas pelo menos cheguei onde estou hoje”, afirma.
Sindicato aponta risco para alunos trabalhadores
A mobilização ocorre poucos dias após outro protesto contra o encerramento do ensino noturno em uma escola estadual de São Bernardo. Na quarta-feira (20), alunos, professores e integrantes da comunidade escolar da E.E. Professor Nelson Monteiro Palma, no bairro Santa Terezinha, realizaram um ato contra o fim das aulas à noite.
Na ocasião, a Apeoesp informou que novos protestos seriam realizados em outras escolas da região, entre elas a Domingos Peixoto e a E.E. Maurício de Castro, no Montanhão.
Em entrevista sobre a manifestação na E.E. Professor Nelson Monteiro Palma, o professor e diretor estadual da Apeoesp, Aldo Santos, afirmou que as escolas citadas enfrentam problemas semelhantes, com turmas superlotadas no período da manhã e possibilidade de encerramento das aulas noturnas. “Nessas escolas acontece a mesma coisa: turmas superlotadas de manhã e aviso de que vão fechar as salas do noturno”, diz.
Segundo Santos, estudantes que trabalham sem registro também podem enfrentar dificuldades para comprovar o vínculo empregatício e, consequentemente, conseguir uma vaga no período noturno.
Estado nega fechamento do período noturno
Procurada pelo RD, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, por meio da Unidade Regional de Ensino (URE) de São Bernardo, informou que não haverá fechamento do período noturno na região.
Segundo a pasta, as turmas existentes em 2026 terão continuidade em 2027, conforme o planejamento da rede estadual.
O Estado também afirma que estudantes que trabalham em horário comercial e apresentam comprovação à escola são elegíveis ao ensino noturno. A Seduc-SP esclarece ainda que a abertura de novas turmas será definida de acordo com a demanda e a continuidade dos estudantes.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
