A candidata a deputada federal pelo Podemos, Wanessa Bomfim, tem sua história política em Mauá, onde chegou a assumir por um curto período a vereança, em 2015. Experiente em eleições, já tentou algumas vezes vaga no Legislativo municipal, já se candidatou a deputada estatual e agora, nestas eleições, diz estar mais madura e preparada. Ela quer dialogar diretamente com setor do eleitorado que defende a família e princípios e ampara sua campanha também na vivência que tem no movimento Mulheres que Edificam Mulheres que reúne mães, profissionais e empresárias, trata-se de uma rede de acolhimento, desenvolvimento e fortalecimento feminino baseada no princípio de que uma mulher edifica outra.
Além das eleições da qual participou, ela é advogada, já atuou na área de educação e foi secretária adjunta de Desenvolvimento Econômico. Se define como mãe, cristã além de destacar o trabalho voltado à mulheres, já presente em várias partes do Estado e em algumas localidades fora do país. Ela completa 46 anos nesta terça-feira (18/08).
A candidata participou do RDCast desta segunda-feira (17/08) e falou sobre o que pretende levar para o eleitorado, principalmente do ABC, que será seu foco. “A gente vê um despertar de propóstico e identidade da mulher que sempre precisa estar guerreando para se posicionar no mercado e virou mesmo uma guerra. Eu quero tirar isso de lado, pois somos mulheres sábias edificadoras e precisamos nos posicioar e quando entendem quem elas são, que geram vidas, elas não precisam disputar, elas conseguem edificar o lar delas, o trabalho, dentro de escola para combater o bullying então ela não entra numa guerra, entra numa pacificação. Na política a gente precisa de mulheres assim, mulheres posicionadas. Eu não sou empodeirada, sou posicionada. Falo de mulheres que sabem o lugar delas e não vão aceitar migalhas, não vão aceitar violência verbal ou física, vão buscar na vida profissional fazendo bolo, cílios, unha sendo uma advogada ou professora. É com elas que vamos falar. No núcleo pequeno deu certo e estou trazendo isso para a política pública onde também vai dar certo”, explica. “A minha motivação maior em ser candidata é porque sou mãe e hoje a gente acorda com notícias tristes e que com todo cuidado de mulher a gente vai conseguir solucionar. Vamos nos unir e fazer esse trabalho juntas”, continua.
Wanessa diz que é muito ruim para a política de Mauá não ter representantes mulheres, como na Câmara onde não há vereadoras nesta legislatura. “Uma cidade com quase meio milhão de habitantes, 50% deles são mulheres, então a gente precisa acreditar uma na outra. Mauá não tem nenhuma vereadora, eu tive que sair de Mauá ir para Alphaville para fazer trabalho social porque me blindavam e muitas mulheres foram para lá fazer esse treinamento. Voltei para o ABC numa missão e fui muito acolhida e comecei a entrar nessas cidades”, sustenta.

Definindo seu trabalho no movimento de mulheres que criou e também na experiência de vida pública, Wanessa Bomfim diz que a eleição será o meio para divulgar esse seu “propósito” também definido como “missão”. Para ela é também a oportunidade de ampliar a participação de mulheres na política. “Me coloco à disposição como deputada federal para que elas sejam também vereadoras, deputadas e prefeitas. Precisamos de mulheres não só no discurso. É o que falei para o nosso presidente estadual (Marcelo Lima) e para a Renata Abreu, nossa presidente nacional, se é para se posicionar vamos caminhar e eu convido essas mulheres. Eu sinto que precisamos edificar umas às outras e é isso, não tem segredo, não tem promessa”.
Wanessa quer criar centros de referência regionais para atender às mulheres. “O maior problema do mundo é o emocional, tem que ter um serviço que cuide de dentro para fora, que vai curar e que tenha acompanhamento emocional, físico, mental. Tem muita mulher cuidando do externo e estão destruídas por dentro. Esse espaço teria profissionais capacitados e deve estar ligado à área de Educação. Temos hoje secretarias das mulheres, tem muita lei mas o que está faltando é aplicar e executar e dá trabalho. Isso é uma missão, já temos estruturas grandes, mas precisa ter alguém para tomar conta disso. Me coloco à disposição como administradora, mãe advogada treinadora de mulheres. Não quero mais que nenhuma mulher seja esfaqueada ou morra. Tem mulheres incríveis aqui, mulheres com propósito, grupo de empresárias do ABC com propósito e vejo uma ajudando a outra”.
Apoios
A candidata relata ter passado por dificuldades em eleições anteriores e diz que esta é a primeira eleição em que “está em paz”. “Em 2012 quando eu tive um grande problema as mulheres do meu partido não me abraçaram. Contribuiram para tudo que aconteceu naquele momento e acabei não entrando. Hoje estou segura com uma presidente estadual no Podemos Mulher, uma presidente nacional Renata Abreu e o nosso presidente estadual Marcelo Lima. “Só estou recebendo presentes, chegou a hora da colheita, estou há quase 20 anos lutando pelo que estou colhendo hoje com muita tranquilidade, muita paz. Quanto eu trouxe o Mulheres Edificam Mulheres para a Renata e para o Marcelo, já de cara eles disseram: ‘Nós vamos criar esse centro núcleo regional para ter espaço para a mulher ser atendida’; então estou feliz com meu presidente estadual e a nacional abraçando isso. Aliás o convite veio exatamente por isso. Eu não queria ser candidata de jeito nenhum, porque fui muito perseguida e o nosso presidente sabe disso. Eles me convenceram de que isso iria ampliar minha missão”, conta.
A candidata questiona também o preparo dos candidatos e prega que o eleitor deve analisar o currículo ante de definir seu voto. “Quando eu tinha 15/16 anos, para entrar numa empresa, a gente fazia curso no Senac e hoje para fazer lei não se exige nada deles. Nada de um deputado ou vereador, como isso? A gente precisa acordar porque essa política é o reflexo de como a gente vota. Eu quero falar com mães e pais que estão preocupados com valores da família, princípios, propósito e posicionamento”.
Ingresso na política
Wanessa Bomfim começou na política quando montou uma chapa para concorrer ao grêmio estudantil da Escola Estadual Professor Luis Washington Vita, no Parque São Vicent, em Mauá. “Meu primeiro desafio foi no grêmio estudantil porque não queriam mulheres lá. E também ninguém queria participar dizendo que aquilo era muito chato. Aí eu montei uma chapa e o rapaz que estava ganhando chamou para conversar e propôs unir, virei tipo uma consultora”, explica. Anos depois veio a oportunidade de disputar uma eleição. “Meu pai e minha mãe davam curso de cabeleireira e através desse trabalho social chamaram meu pai para ser candidato, mas ele disse que já era a minha vez. Fizemos uma campanha bonita em 2012, fiquei como primeira suplente, e cada tombo me fez aprender, me fez entender que eu não dependo deles, consegui fazer o projeto acontecer sem estar na Câmara Municipal. Agora saio deputada mas realmente com um presidente estadual e federal segurando minhas mãos. Tenho condição, liberdade partidária, uma equipe me ajudando, o que eu nunca tive’.
A candidata a deputada federal dobra com Fran Silva (Podemos), de São Bernardo que sai para estadual, mas ela diz que está conversando também para fechar outras e que tem apoios em Osasco, Santos, Praia Grande e Guarujá.
A neutralidade do Podemos em nível nacional, segundo Wanessa é positiva para a sua campanha. “É uma campanha artesanal, minuciosa, mas é grandiosa também porque um vai passar para o outro. O Podemos tem material com o meu número e do senador”, anuncia. Apesar de dizer que está tranquila do o governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) no Estado, para nacional ainda não decidiu para quem irá pedir votos. “Como são sempre os mesmos nomes, não tem mais qualidade. O meu voto estou vendo como é a família do candidato, como são os princípios, aí já elimina alguns”, completa.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
