
O Julho Verde, campanha dedicada à conscientização sobre os cânceres de cabeça e pescoço, traz um alerta importante para a população este ano: o avanço do câncer de orofaringe, especialmente entre homens, impulsionado pela infecção pelo papilomavírus humano (HPV).
Embora tradicionalmente associado ao tabagismo e ao consumo de álcool, o câncer de orofaringe tem, cada vez mais, o HPV como principal fator de risco.
Homens são os mais afetados
O impacto do câncer de orofaringe é desproporcionalmente maior na população masculina. O risco desse tipo de câncer é cerca de cinco vezes maior em homens do que em mulheres. No Brasil, a situação também preocupa: todos os dias, cerca de cinco homens morrem no país em decorrência do câncer de orofaringe.
A infecção pode ocorrer ao longo da vida adulta e permanecer silenciosa por anos. A estimativa é de que cerca de 63% dos homens diagnosticados com câncer de orofaringe tenham adquirido o HPV oral entre os 20 e 45 anos.
Outro ponto de atenção é o diagnóstico tardio. Diferentemente do câncer de colo do útero, não há exames de rastreamento de rotina amplamente estabelecidos para o câncer de orofaringe.
Apesar da relevância do tema, a conscientização ainda é limitada. Pesquisa com homens brasileiros mostrou que, embora 65% afirmem conhecer o HPV, a infecção não esteve entre as mais lembradas espontaneamente e sua relação com cânceres que afetam diretamente a população masculina ainda é pouco compreendida. Essa lacuna de conhecimento pode impactar negativamente a prevenção, especialmente diante de crenças equivocadas, como a ideia de que o uso de preservativo garante proteção total contra o vírus.
Prevenção
Apesar da importância do uso de preservativos, a vacinação contra o HPV e consultas médicas regulares são estratégias para prevenir o câncer de orofaringe. Como o vírus se transmite com o contato com a pele e mucosas, a camisinha não é suficiente para garantir essa proteção, já que a transmissão pode ocorrer por áreas não cobertas pelo preservativo. Além disso, as lesões causadas pelo HPV nem sempre são visíveis a olho nu.
Dados do INCA preocupam
Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Câncer (INCA) evidenciam a dimensão e o perfil dessa doença no país. Para o triênio 2026–2028, são estimados cerca de 4,8 mil novos casos de câncer de orofaringe por ano no Brasil, aproximadamente quatro em cada cinco diagnósticos em homens. A incidência masculina é maior na região Sudeste e as taxas de concentração mais elevadas no Sul do país.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
