
O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, terá o nome homologado neste sábado (25/07), durante convenção da federação formada por PT, PCdoB e PV, em Campinas. O evento formalizará as articulações conduzidas até agora e manterá o tom da pré-campanha de apresentar uma aliança ampla, com acenos ao eleitor de centro e ao interior paulista. Em novo gesto aos partidos aliados, também serão anunciados os suplentes das candidaturas ao Senado.
“É torcer para que o eleitor não se comporte como torcida de futebol”, afirmou o coordenador da campanha de Haddad, Kiko Celeguim (PT-SP), ao comentar suas expectativas para a disputa.
Após a ratificação dos candidatos da federação aos cargos de governador, senador, deputado federal e deputado estadual, a ata será encaminhada posteriormente à Justiça Eleitoral, antes do pedido de registro das candidaturas majoritárias. As diretrizes do programa de governo serão apresentadas nessa etapa, e a versão completa do documento deverá ser divulgada na primeira quinzena de agosto.
Diante da escassez de candidaturas competitivas, a pré-campanha já considera a possibilidade de a disputa estadual terminar no primeiro turno. Ainda assim, a meta é fazer com que Haddad supere o desempenho de 2022, ajude o PT a ampliar sua bancada na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) e ofereça um palanque ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no maior colégio eleitoral do País.
Na avaliação dos petistas ouvidos pela reportagem, o Estado ocupa uma posição estratégica neste ano diante da concentração das forças de centro-esquerda em torno do ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD) na disputa fluminense e de um cenário menos favorável em Minas Gerais. Em São Paulo, a avaliação é que a aliança formada em torno de nomes de perfil mais amplo chega à campanha mais coesa do que em eleições anteriores.
A equipe do ex-ministro avalia que São Paulo terá na eleição presidencial importância semelhante à de 2022. Naquele ano, Haddad obteve 44,73% dos votos válidos no segundo turno da disputa estadual, porcentual próximo aos 44,76% alcançados por Lula entre os paulistas.
A rejeição de 47% a Haddad registrada pelo Datafolha é interpretada pelos aliados como expressão da resistência histórica de parte do eleitorado paulista à esquerda e ao PT, e não necessariamente ao ex-ministro. Como contraponto, a campanha destaca que ele venceu Tarcísio de Freitas (Republicanos) na capital e na Grande São Paulo em 2022.
A derrota de Guilherme Boulos (PSOL) para o prefeito Ricardo Nunes (MDB), em 2024, também não é vista como parâmetro para a eleição estadual. Na avaliação da campanha, disputas municipais têm dinâmica própria, e Nunes conseguiu se apresentar como uma alternativa moderada diante da disputa com o influenciador Pablo Marçal (União Brasil).
Os aliados de Haddad consideram ainda que Nunes não terá capacidade de transferir votos de forma significativa para Tarcísio na capital. Para relativizar o peso dos prefeitos nas eleições estaduais, citam o exemplo do ex-governador Rodrigo Garcia (Republicanos), que contou com o apoio de mais de 500 chefes de Executivos municipais em 2022, mas terminou o primeiro turno em terceiro lugar.
Lula e Alckmin
Com a presença de Lula e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) na convenção, os discursos devem se concentrar em três eixos e buscar eleitores pragmáticos e moderados, especialmente antigos eleitores do PSDB, além de moradores do interior.
O primeiro eixo será a tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros e seus impactos sobre o agronegócio e a indústria paulistas. A estratégia será associar as tarifas à atuação do pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, e a manifestações anteriores do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro.
Os discursos também devem relembrar o apoio de Tarcísio a Trump e o vídeo em que o governador aparece com o boné vermelho do movimento Make America Great Again (Maga).
O segundo eixo será a intensificação das críticas à privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). A campanha pretende acusar a gestão Tarcísio de pressionar municípios com serviços próprios de saneamento a aderir ao modelo de concessões defendido pelo governo estadual.
O terceiro eixo será a segurança pública, com críticas à gestão do ex-secretário estadual e pré-candidato ao Senado Guilherme Derrite (PP). A estratégia será explorar a atuação do deputado como relator do projeto de lei antifacção.
Suplentes de Marina e Tebet
Após cerca de três meses de negociações, a chapa foi fechada com as ex-ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) na disputa pelo Senado e Márcio França (PSB) como pré-candidato a vice-governador.
Além dos três partidos que compõem a federação, a pré-candidatura de Haddad conta com o apoio do PSB, PDT e da federação PSOL-Rede.
As demais legendas aliadas buscam espaço nas suplências ao Senado. Os postos ganham relevância diante da possibilidade de Marina e Tebet, caso eleitas, licenciarem-se do mandato para assumir ministérios em um eventual quarto governo de Lula.
O PT avalia indicar para as duas suplências de Tebet o advogado Laio Correia Morais, ex-chefe de gabinete de Haddad na Fazenda, e a vereadora de São Bernardo do Campo Ana Nice (PT). As duas vagas de suplente de Marina são disputadas por PDT, PV e PSOL. As siglas avaliam indicar Antonio Neto, Roberto Tripoli e Ivan Valente.
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