O pré-candidato a deputado federal, Samuel Ferreira dos Santos, o Samuel Enfermeiro (PSB) quer unir os enfermeiros na formação de uma bancada que represente a categoria e que lute pela saúde. Ele, que foi vereador por dois mandatos, e assumiu a secretaria da Pessoa com Deficiência na prefeitura de Mauá, ao ter ficado na primeira suplência nas últimas eleições, diz que a sua prioridade é defender o atendimento gratuito para famílias atípicas além de trazer mais recursos para o Hospital Dr. Radamés Nardini e até a sua estadualização.
Santos participou do RDCast desta segunda-feira (13/07) e foi entrevistado pelos jornalistas Carlos Carvalho e Airton Resende. Ele entrou para a política em 2016 a pedido do seu grupo de apoio, composto por pessoas que já faziam uso do Instituto Maria Mercedes – União da Saúde Sem Fronteiras, que auxilia famílias atípicas com consultas com neuropsicólogos e neuropediatras, e cujo nome homenageia sua mãe. O instituto tem mais de 20 mil famílias atendidas. Samuel foi eleito sem ter experiência política e foi reeleito em 2020. Na última eleição ele não se elegeu, mas ficou na primeira suplência o que lhe valeu, o cargo na prefeitura, também pela sua experiência em lidar com pessoas neurodivergentes no instituto.
“O que me motiva a pré-candidatura a deputado federal é ajudar as famílias mais necessitadas em vulnerabilidade financeira. Isso me moveu em 2016 e agora. Atendemos toda a Grande São Paulo e uma das demandas é a dificuldade a consulta com neuropediatra e neuropsicólogo que dão os laudos. Nosso objetivo é termos um centro de referência para TEA (Transtorno do Especto Autista) e também um Centro de Convivência para idosos que acabam ficando trancafiados em casa. Já em 2016 fui eleito com 2.443 votos, foi desafio porque eu não era próximo da política e a população me deu essa responsabilidade. Em 2020 releito e 2024 sou primeiro suplente. Deixo agora a secretaria da Pessoa com Deficiência, pasta que o prefeito Marcelo Oliveira (PT) teve coragem de criar e entregar”, conta sobre a sua trajetória política.
Na secretaria ele cita avanço com a implantação do PEI (Programa de Empregabilidade Inclusiva) que leva Pessoas Com Deficiência ao mercado de trabalho. Segundo Samuel Enfermeiro, o grande gargalo no atendimento para quem tem TEA é a dificuldade em obter laudo. “Não tem, nem no convênio, agenda para neuro em tempo hábil e na União da Saúde Sem Fronteiras a família já sai com a consulta agendada tanto com neuropsicólogo, como com neuropediatra. Temos consulta com preço popular; lá fora uma consulta com neuropediatra sai por R$ 350 ou R$ 400, no nosso instituto custa R$ 95, mas se a família for CadÚnico ou Bolsa Família, consegue a consulta gratuita, isso acontece porque temos parceria com dezenas de ambulatórios e dezenas de hospitais”, explica.
Dobradas
Samuel Enfermeiro diz que apresentou 62 projetos de lei durante duas gestões como vereador em Mauá e quer, se eleito deputado federal, manter essa postura de trabalho, criando projetos para ajudar famílias atípicas. Ele citou o deputado estadual Caio França (PSB) como uma de suas dobradas, e lembrou que ele foi autor de projeto de lei que regulamenta o uso da Cannabis medicinal para tratamentos médicos, mas salienta que para TEA, não houve ainda regulamentação no Estado. “O TEA não está no roll do atendimento e nossa luta é para aprovar, pois famílias estão gastando o pouco que têm para adquirir o óleo medicinal. É preciso quebrar tabus; o poder público, os parlamentos têm que abraçar essas causas”, comenta.

Outra dobrada de Samuel Enfermeiro é com o vereador de São Bernardo, Julinho Fuzari (Republicanos) en torno da causa TEA e pela região, mas a aliança deixou Santos no meio de duas correntes políticas. Ele diz que vai pedir voto para Fuzari, mas não vai agregar o governador e pré-candidato a reeleição Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao seu material de campanha. “Meu candidato é outro, eu deixei isso bem claro para ele (Fuzari). Eu tenho compromisso com o partido, com o Caio França, filho do Márcio França vice na chapa da pré-candidatura do (Fernando) Haddad”, explicou Santos, dando o entendimento de que o vereador de São Bernardo, pré-candidato a deputado estadual, teria aceitado bem esse posicionamento.
França e Fuzari dão as duas únicas dobradas de Samuel Enfermeiro, que justifica: “Não tem outras porque a gente acaba querendo abraçar o mundo e depois não dá conta. E vou caminhar desse jeito”, disse.
Nardini
Na luta por uma saúde pública melhor para o ABC, Samuel Enfermeiro diz que ela tem duas frentes muito importantes; a estadualização do Hospital Nardini, pela sua característica de atender Mauá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Suzano e parte da Capital, além da regionalização dos atendimentos do Hospital Estadual Mário Covas em Santo André, que ele diz que tem até 40% dos pacientes oriundos de outras partes do Estado.
“A menina dos olhos vai ser o hospital Nardini que atende o ABC, Suzano e os acidentes no Rodoanel. A gente quer melhorar as emendas vindas para o Nardini através de mim, se eu chegar lá, e através de deputados parceiros. Eu sou a favor da estadualização do Nardini devido ele atender a toda essa região. Se alguém chega em São Caetano e precisa de cirurgia, o hospital de lá vai fazer? Não vai, mas se esse paciente estiver dentro do Nardini, ele vai fazer. Na Câmara a gente bate nessa tecla, quando falamos em estadualizar o Hospital Nardini, a gente tem que olhar para o Hospital Mário Covas, se ele desse atendimento regionalizado. A gente vê paciente vindo do Interior de São Paulo e isso tira o direito do próprio morador daqui de ser atendido. Quando a gente fala em regionalização tem que falar também do Cross (Central de Regulação e Oferta de Serviços de Saúde) regional também”.
Santos prevê que sejam necessários entre 70 e 80 mil votos para que o PSB eleja um deputado federal. “É possível, e aí eu repito uma frase do prefeito Marcelo Oliveira: o sonho sonhado sozinho é só um sonho, mas se a população sonhar comigo esse sonho se torna realidade. Acredito que dá para chegar lá, preciso da população me dê esse voto de confiança”.
Bancada da Agulha
Samuel Enfermeiro defende a formação da Bancada da Agulha, formada por profissionais de enfermagem o que pode fortalecer não apenas a saúde, mas também a própria categoria em torno do fortalecimento da classe trabalhadora e o maior reconhecimento da profissão. “Eu fui o único vereador em Mauá que votou a favor das 30 horas para o enfermeiro, e não é só essa bandeira para defender em Brasília, tem também o reajuste salarial para os profissionais. A enfermagem merece o reconhecimento. A Câmara federal tem 23 médicos e poucos enfermeiros, mas somos 3 milhões de profissionais no país. Então estamos lançando esse desafio, que precisamos desses profissionais eleitos para o reconhecimento da categoria, o que só vai avançar com a bancada da agulha”, completa
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
