A vice-prefeita de São Caetano, Regina Maura Zetone (PSD) é pré-candidata a deputada federal depois de ter aceitado o convide de Gilberto Kassab, presidente nacional da sua legenda e pré-candidato a vice-presidente na capa com o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado. Médica e que comandou a gestão da saúde municipal de São Caetano, de Rio Grande da Serra e também teve passagem pela Fundação do ABC, Regina diz que sua prioridade é assegurar recursos para a saúde da região, caso sua candidatura for confirmada e que consiga votos para ser eleita, porém ela também quer trabalhar o tema violência de gênero. A vice-prefeita denunciou o prefeito Tite Campanella (Republicanos) ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de São Paulo, por violência política de gênero.
Sobre a candidatura, ela disse que o convite partiu de Kassab que insistiu no seu nome e conta que aceitou após o terceiro convite. “Pensei muito, as coisas foram acontecendo, comecei a sentir que a cidade precisava de uma mulher no Congresso para combater a violência contra a mulher, como também defender questões sociais dos municípios; o povo quer ser atendido na assistência social, ter seus filhos numa boa escola e ter atendimento adequado na saúde. Sou defensora contumaz no SUS (Sistema Único de Saúde), trabalhei todos esses anos na gestão da saúde pública e nada mais justo que militar nessa causa, então quero ser deputada federal para trazer verbas para os municípios e para a região. Defender o combate à violência de gênero que vem crescendo de forma exponencial”, disse a pré-candidata sobre os motivos que a levaram a aceitar o convite do líder do seu partido.
Na denúncia ao TRE Regina diz que era deixada de lado, em eventos da prefeitura, de não ser mais convidada para reuniões de governo, enquanto outros eram chamados, e de ter sua equipe de gabinete desfeita, razões que a levaram a denunciar Tite. Mesmo depois da repercussão da denúncia e de deixar evidente o seu racha com o chefe do Executivo, ela diz que a situação dela em relação à prefeitura não mudou.
“Após aquela denúncia recebi muito apoio de mulheres e homens que se solidarizaram comigo. Depois que anunciei, em vídeo, a pré-candidatura recebi muitos apoios. Eu acho que sou a candidata de São Caetano para o congresso nacional. Tem muita gente fazendo campanha lá, mas em São Caetano eu sou a candidata”, sustenta.
“Minha pauta maior seria a saúde, o fortalecimento do SUS. Tenho projetos importantes na saúde da mulher e do atendimento ao idoso. Nenhum idoso deve ficar sozinho, principalmente os que não têm família. Tem que ter um programa amplo nacional para acolhimento destes idosos”, fala sobre as bandeiras que defende.
Sobre ser o único nome a federal na cidade e a disputa com outras candidaturas, Regina Maura conta que tem consciência de que essa é sua primeira tentativa nesse cargo, mas quer se apresentar para quem ainda não conhece seu trabalho. “Tenho plena consciência de que não existe unanimidade, não é só o fato de ser vice-prefeita que vai trazer votos para mim. Mas minha trajetória tem que ser contada para saberem que vão votar em uma mulher que tem repertório e que vai olhar para a região com bons olhos, principalmente para a Saúde do ABC”, diz a pré-candidata.
Regina quer focar a sua campanha no ABC, com a base em São Caetano. Sobre dobradas ela só tem uma definida, que é com o deputado estadual e pré-candidato à reeleição Thiago Auricchio (PL).

Depois de denunciar violência política de gênero Regina diz que sofreu nova violência desta vez na Câmara
Depois de ter denunciado Tite Campanella (Republicanos) por violência política de gênero, regina disse ter recebido apoio na cidade e que isso a estimulou a sair candidata. “Precisei tomar coragem porque não sou uma vice de vitrine, eu vim para trabalhar e fazer aquilo que me propus na campanha para melhorar a vida das pessoas. Hoje eu não sei de nada, não sou convidada e, mesmo depois de denunciar, não mudou nada. Eu fui ontem (01/07) em evento, mas fui saudada por último. Ninguém pode falar meu nome, eles têm medo. A situação de assédio moral é grande, de ameaça, e ninguém cita meu nome, mas eu já superei. Pessoas não me desrespeitam, mas têm medo”.
A vice-prefeita quer retratação de Tite. “Espero desse processo é que haja uma retratação e que passe a existir algum respeito, não espero mais nada”. Sobre a segunda crise, a votação na Câmara de São Caetano de processo de cassação do seu mandato por conta de uma viagem ao exterior, foi, segundo ela mais uma violência que sofreu. “Todos votaram contra mim, exceto três, dois de oposição e um que ousou ser contra o chefe do Executivo. Prefeito e vice podem se ausentar até 14 dias sem comunicar. Eu comuniquei porque quis ser educada, informei ao prefeito meu afastamento sem vencimentos, mas quando coloquei a data coloquei um dia a mais. Daria 14 dias, eu não precisara sequer pedir autorização da Câmara, mas fui educada e acabou virando brincadeira de mau gosto, virou mais uma violência política”.
Segundo Regina os vereadores foram usados, mas diz que já perdoou. “Fiquei indignada, porque não recebi nenhuma ligação, porque entreguei na presidência da Câmara, e uma ligação do presidente da Câmara para perguntar se era aquilo mesmo. Fui absolutamente violentada mais uma vez. Antecipei dois dias a volta, porque dali para eles arrumarem um motivo para me cassar era um passo. Eu continuo amiga de todos (vereadores), eles foram usados. Eu não esqueço, mas eu perdoo. Tenho que ser republicana, quero trabalhar pelas pessoas da cidade”.
Regina diz que, como ela, o deputado estadual Thiago Auricchio também está isolado. “Ele está na mesma situação que eu, é hoje persona ‘non grata’ pela administração. Foi o deputado que mais trouxe verba para o município, mais de R$ 100 milhões neste mandato. Construímos o Pronto Cardio, que acabou não existindo, mas foi com verba dele, o Cuidar que era para ser o complexo da pessoa com deficiência, fora verba para instituições do terceiro setor, o que foi importantíssimo”.

Gestão
Regina Maura foi secretária de saúde em São Caetano, na maior parte da sua vida pública, também comandou a pasta em Rio Grande da Serra, duas cidades com realidades bem diferentes, e também passou pela FUABC (Fundação do ABC), dessas experiências ela tira que é preciso incentivar o modelo de saúde que conta com o apoio das Organizações Sociais de Saúde, como a própria fundação. “Acho que a organização social de saúde é modelo importante e precisa ser replicado, pois não se consegue mais fazer gestão da saúde sem OSS. Nos concursos a prefeitura não consegue contratar, o salários são baixos, e a questão das concorrências públicas e compras são mais fáceis e céleres pela OSS, muito mais rápido do que esperar gestão pública”, analisa.
A vice-prefeita e pré-candidata a deputada federal, apesar de defender o uso das OSSs para amparar os municípios, ela também defende um maior controle sobre esses contratos. “Precisa ter uma vigilância muito grande sobre as OSSs algumas sérias e outras dominadas por grupos ligados até ao crime. Isso é arriscadíssimo porque estão usando vários setores da sociedade para fazer o dinheiro circular. Tem que ser ação da Polícia Federal. Por outro lado a FUABC já tomou tantos calotes de prefeituras que uma hora esse déficit vai onerar demais. A Fundação vai cambaleando, tira daqui põe ali, mas tem um déficit muito grande. Tem que resolver porque o ABC não funciona, não tem saúde, se tirar a fundação”, declara.
CEO no Consórcio
Ao falar da integração regional através do Consórcio Intermunicipal, Regina Maura faz críticas de que pautas importantes na área da Saúde, que poderiam ter avançado, como a Cross (Central de Regulação e Oferta de Serviços de Saúde) Regional e a compra coletiva de medicamentos, não avançaram. Ela defende que o consórcio tenha uma gestão profissional, além da liderança dos prefeitos.
“O Consórcio e a Fundação ABC tinham que ter um CEO, uma pessoa de mercado, com notória especialização, bem pago, e num cargo perene. Com essa história de mudar a gestão a cada dois anos, um presidente faz outro vem e muda, não dá continuidade. Não faz sentido a fundação do ABC não ter um CEO, de carreira, de mercado, que pudesse fazer um diferencial da saúde e resolver a questão desse déficit que a fundação tem. Sem puxar a sardinha para lugar nenhum”.
Caso Vanessa Félix da Silva
Regina Maura também falou sobre o caso da maquiadora Vanessa Félix da Silva, que morreu após parto no Hospital Márcia Braido. A mulher, de 31 anos, teve sua bebê, na quinta-feira (25/06) e depois teve complicações. A família obteve informações desencontradas sobre a morte ou não dela, que só foi confirmada nesta quarta-feira (01/07). A família suspeita de erro médico.
“Fui conversar com a equipe médica, ver a paciente na UTI e entendi todos os procedimentos, não houve negligência médica. Até se poderia questionar as cirurgias, fazer duas ou três, mas os passos foram corretos, foi feito o que tinha que ser feito, mas foi uma fatalidade, infelizmente a paciente já tinha um histórico anterior obstétrico desfavorável”, disse Regina Maura.

A vice-prefeita considera, porém, que houve erro de comunicação e de acolhimento da família. “O que houve foi um déficit de comunicação e de acolhimento da família, isso houve com certeza, porque naquele momento onde havia um desespero, que não sabiam o que estava acontecendo o diretor ou o médico deveriam ter chegado à família para explicar aquilo que fui explicar depois. Faltou acolhimento e a comunicação da pessoa correta, isso não se comunica por nota, muito menos por segurança. Quem orientou essa segurança? A diretoria do Hospital tem obrigação de estar presente nestes momentos de crise porque um dos papéis do diretor, e do secretário, é mediar crises”.
Para a vice-prefeita o caso de Vanessa serve como alerta para melhoria da gestão hospitalar principalmente quanto à comunicação clara e momentos de crise. “A lição que se tira desse episódio é que o secretário tem que estar presente, sempre. Cargo de secretário não é só bônus, tem ônus também, imagina se na pandemia eu não estivesse presente em todos os momentos. Estava nos bons e estava nos ruins. Secretário tem que estar na linha de frente, é um cargo extremamente árduo. O preparo é emocional, além do técnico, para situações de crise e mediação. Caso de óbito materno é gravíssimo, a mortalidade materna é o que é mais visada na gestão pública, nos índices de efetividade do serviço de saúde. Casos de morte de mãe são raros, eu lembro de um em 20 anos que eu estive lá como secretária, que foi trombose e embolia pulmonar, que não tinha muito que fazer. Neste caso a família tem direito a buscar a apuração”, conclui.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
