
A família da maquiadora Vanessa Félix da Silva, de 31 anos, acusa o hospital Márcia Braido, em São Caetano, de erro médico que pode ter levado a paciente à morte cerebral, confirmada nesta quarta-feira (01/07), após seis dias de informações desencontradas que revoltaram familiares que estão acampados na porta do hospital desde quinta-feira (25/06). A prefeitura nega erro médico e diz que informações desencontradas foram passadas à família por uma vigilante do hospital que foi demitida.
Vanessa foi internada na última quinta-feira (25/06), dia que iria realizar o sonho de dar a luz a uma menina. Ela já chegou em trabalho de parto e foi submetida a uma cesariana. Complicações como hemorragia e parada cardiorrespiratória resultaram em reanimação e três cirurgias após o parto. O cérebro da paciente, não teria reagido a estímulos neurológicos e a morte cerebral foi decretada. Segundo a família houve perfuração no útero durante o parto o que resultara em uma hemorragia, que levou à parada cardiorrespiratória e a falta de oxigenação no cérebro.
Renata e Flávia Félix, primas de Vanessa, contaram ao RD que a gestação da paciente foi saudável. Ela já é mãe de um menino, hoje com 10 anos de idade, fruto de relacionamento anterior, e o sonho dela e do esposo, era terem uma menina. A menina, Maria Maitê, nasceu saudável e está com a família.
“Ela chegou ao hospital em trabalho de parto e como não conseguiu ter a bebê por parto normal e como sentia muita dor, ela pediu o parto por cesariana. Só que no parto uma médica residente perfurou o útero dela e sem conseguir conter a hemorragia fecharam ela e mandaram para o quarto. O marido é que percebeu que ela estava muito fraca, chamou a enfermagem que constatou que ela estava sem sinais vitais. Aí levaram para cirurgia. Ela foi operada três vezes ninguém nos dá uma informação correta, ninguém veio falar com a gente. Estamos acampados aqui na porta do hospital desde quinta-feira”, disse Renata.
Familiares que são enfermeiros conseguiram entrar no hospital e buscar informações sobre o estado de saúde e constataram que ela estava mantida por aparelhos, e que provavelmente estava sem reação cerebral desde sexta-feira (26/06). “Nesse tempo todo não falaram com a gente. Com a informação do meu tio, a família começou a contatar funerária, até que uma funcionária perguntou porque a gente estava chorando pois a Vanessa estava viva. Aí ficamos mais em dúvida ainda. Nenhum médico veio falar com a gente, só depois que procuramos a imprensa apareceram secretário de Saúde e vereador, foi uma falta de empatia muito grande”, disse Flávia, que confirmou que na tarde desta quarta-feira (01/07) é que a família foi chamada para autorizar o desligamento dos aparelhos que mantém Vanessa viva.

A prefeitura de São Caetano negou o erro médico e diz que a condição clínica da paciente traria riscos já que ela teria histórico de eclampsia na primeira gestação. Disse ainda, em nota enviada ao RD, que a paciente deu entrada no hospital com princípio de hemorragia. A prefeitura também nega que o parto tenha sido realizado apenas por uma médica residente que uma equipe médica composta por dois ginecologistas, além do residente.
Sem acreditar nas informações que vêm do hospital, a família quer a apuração dos fatos e deseja que o corpo de Vanessa seja submetido a perícia médica que ateste o que de fato aconteceu. No início da noite desta quarta-feira (01/07) familiares receberam um envelope onde estariam resultados de exames médicos de Vanessa, porém no pacote estavam resultados de uma tomografia computadorizada do crânio de um homem de 83 anos.
Sobre o desencontro de informações, se a paciente estava com vida ou não, a prefeitura sustenta que uma funcionária da vigilância que fica na portaria do hospital foi demitida por repassar informações incorretas à família.
Veja a seguir a nota da prefeitura na íntegra:
“A Secretaria Municipal de Saúde de São Caetano informa que a paciente V.F.S. foi acompanhada pela rede municipal de saúde durante todo o pré-natal, em razão de uma gestação classificada como de alto risco devido à primeira gestação, com eclampsia. Ao longo do acompanhamento no Caism (Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher), foram prestadas todas as orientações médicas necessárias.
A paciente deu entrada no hospital em trabalho de parto inicial com histórico de eclampsia em gestação anterior, pós-parto normal, com aparente hemorragia. Durante o trabalho de parto, solicitou mudança para cesariana. E, mesmo sendo orientada de que, devido ao antecedente, o melhor seria o seguimento do parto normal, optou pela cesárea, sendo então submetida à aplicação do Termo de Consentimento Informado, que foi lido e assinado.
O parto transcorreu sem intercorrências e sem qualquer relato de perfuração uterina no dia 25 de junho. O procedimento foi realizado pela equipe médica formada por dois médicos ginecologista e um médico residente.
Após o parto, a paciente apresentou sangramento interno, sendo encaminhada para nova intervenção cirúrgica. Com registro de hemostasia (parada do sangramento), foi encaminhada para UTI. Com surgimento de novo sangramento, a equipe médica realizou nova intervenção cirúrgica para realização de histerectomia total (retirada do útero). Antes da realização da histerectomia, a paciente teve uma parada cardíaca em decorrência da perda excessiva de sangue. Todo esse atendimento aconteceu no período de 12 horas.
Em nenhum momento se omitiu da família o quadro da paciente. Inclusive, foi liberado acesso total dos familiares à UTI – na última sexta-feira (26/6), 27 familiares foram autorizados a visitar a paciente.
A equipe médica procedeu ao protocolo para confirmação da morte encefálica da paciente nesta terça-feira (30/6), inclusive com último exame confirmatório realizado por equipe médica terceira nesta quarta-feira (1º/7). Todo protocolo adotado rege a legislação brasileira.
A Secretaria esclarece, ainda, que informações inverídicas sobre o estado de saúde da paciente foram repassadas, de forma indevida, por um porteira terceirizada, sem qualquer participação da equipe médica ou autorização da instituição. Essa prestadora foi demitida.
O recém-nascido encontra-se em boas condições de saúde e segue recebendo acompanhamento multiprofissional da equipe da Casa da Gestante, com toda a assistência necessária para garantir seu desenvolvimento e bem-estar.
A Secretaria Municipal da Saúde de São Caetano segue prestando toda a assistência necessária à paciente e aos seus familiares, reafirmando o compromisso com um atendimento humanizado, transparente e pautado pelos mais rigorosos protocolos técnicos e assistenciais.”
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
