
Um estudo do Fórum Econômico Mundial alerta que os sistemas educacionais precisam se adaptar ao avanço da Inteligência Artificial para preparar estudantes para as novas demandas do mercado de trabalho. O relatório aponta riscos e oportunidades do uso da IA na aprendizagem e destaca a importância de desenvolver competências como pensamento crítico, criatividade e inovação.
Intitulado “Shaping the Future of Learning: Education Readiness for the Age of AI” e publicado em junho de 2026, o estudo analisa os impactos da Inteligência Artificial na educação e propõe um modelo global para preparar escolas, universidades e governos para os desafios do futuro.
Segundo o professor e mestre Régis Pasini, coordenador dos cursos de Engenharia de Computação e Engenharia de Software do Centro Universitário Fundação Santo André (FSA), o documento reforça uma visão já trabalhada na instituição: a de que a IA não substitui o ser humano, mas exige uma profunda transformação na forma de aprender.
“A Inteligência Artificial será uma ferramenta cada vez mais presente na vida profissional. O desafio não é impedir seu uso, mas ensinar os estudantes a utilizá-la de forma crítica e responsável. Quem souber trabalhar com a IA terá uma enorme vantagem competitiva no mercado de trabalho”, destaca Pasini.
A IA já chegou às salas de aula
O relatório aponta que a adoção da IA ocorre de forma espontânea e acelerada. Estudantes utilizam ferramentas de IA para pesquisar conteúdos, elaborar textos, resolver exercícios, traduzir materiais e organizar estudos, muitas vezes antes mesmo de as instituições educacionais criarem regras ou metodologias para esse novo cenário.
Para o Fórum Econômico Mundial, essa rápida disseminação cria um desafio importante: a tecnologia avança mais rápido do que a capacidade das instituições de adaptar currículos, avaliações e políticas educacionais.
Os riscos da dependência excessiva
Um dos pontos mais relevantes do estudo é o alerta para a chamada “atrofia cognitiva”, fenômeno que pode ocorrer quando estudantes passam a delegar em excesso à IA tarefas que deveriam desenvolver habilidades humanas, como raciocínio crítico, criatividade, resolução de problemas e tomada de decisão.
O documento também destaca riscos relacionados a:
- disseminação de informações incorretas produzidas por IA;
- enfraquecimento da integridade acadêmica;
- dependência excessiva da tecnologia;
- redução das interações humanas no processo de aprendizagem;
- perda de habilidades essenciais para a vida profissional.
“O profissional do futuro precisará dominar a tecnologia, mas também desenvolver aquilo que a máquina não consegue reproduzir plenamente: criatividade, empatia, pensamento crítico, liderança, comunicação e capacidade de inovação”, explica o especialista.
As competências mais valorizadas
O estudo reforça uma tendência já identificada pelo mercado: as chamadas soft skills ganham cada vez mais relevância em um ambiente de trabalho altamente automatizado.
Competências como:
- criatividade;
- resolução de problemas complexos;
- colaboração;
- comunicação;
- adaptabilidade;
- inteligência emocional;
- pensamento analítico;
serão diferenciais decisivos para os profissionais das próximas décadas.
Segundo o professor, esse cenário exige mudança na formação universitária.
“Não basta mais transmitir conhecimento. As universidades precisam desenvolver competências e estimular projetos reais, inovação e trabalho em equipe. A tecnologia deve potencializar a aprendizagem, não substituí-la.”
A experiência da Fundação Santo André
O Centro Universitário Fundação Santo André incorpora essa visão em seus cursos, especialmente nas áreas de Engenharia, Computação, Ciência de Dados e Tecnologia.
Desde os primeiros semestres, os estudantes são incentivados a desenvolver projetos integradores com ferramentas de Inteligência Artificial, metodologias ativas, práticas de inovação e apresentações em formato de pitch, semelhantes aos realizados por startups e empresas de tecnologia.
Além das competências técnicas, a proposta busca fortalecer habilidades comportamentais e empreendedoras, alinhadas às exigências do mercado contemporâneo.
“O relatório do Fórum Econômico Mundial confirma que estamos na direção correta. O futuro pertence aos profissionais capazes de combinar conhecimento técnico, inteligência humana e IA para criar soluções inovadoras”, afirma Pasini.
Educação preparada para o futuro
O estudo conclui que a questão central não é se a Inteligência Artificial irá transformar a educação, mas se os sistemas educacionais serão capazes de orientar essa transformação de forma responsável e estratégica.
Para o Fórum Econômico Mundial, o sucesso depende da capacidade de governos, instituições de ensino, empresas e sociedade trabalharem juntos para criar ambientes de aprendizagem que utilizem a IA como ferramenta de desenvolvimento humano e não apenas de automação.
“A tecnologia muda rapidamente. O que permanece é a necessidade de formar pessoas capazes de aprender continuamente, pensar criticamente e transformar conhecimento em inovação. Essa continuará como a principal missão da educação”, conclui o especialista.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
