Ao completar 60 anos de atuação, o Colégio Singular celebra uma trajetória que acompanha a própria evolução da educação brasileira. O que começou em 1966, como um cursinho pré-vestibular voltado à preparação de futuros engenheiros, se transformou em uma das principais referências de ensino no ABC, sem abrir mão do propósito que motivou seus fundadores, que é oferecer educação de qualidade e ampliar oportunidades por meio do conhecimento.
Em entrevista ao RDCast, o diretor de vestibulares, Paulo Roberto de Francisco, relembra que os primeiros passos da instituição ocorreram em uma realidade muito diferente da atual. O material didático era produzido em mimeógrafos, os vestibulares eram divididos por áreas específicas e o estudante precisava definir sua carreira antes mesmo de iniciar a preparação. “O cursinho nasceu voltado para Engenharia. Naquela época, havia instituições específicas para cada área e o aluno já chegava com a decisão praticamente tomada”, recorda.

Com o passar dos anos, os processos seletivos passaram por profundas mudanças, assim como o perfil dos estudantes. A unificação dos vestibulares e o crescimento das opções de cursos ampliaram as possibilidades de escolha, mas também tornaram mais complexa a decisão profissional. Essa transformação leva o Singular a ampliar seu olhar sobre a educação. Se antes o objetivo principal era garantir aprovação nos vestibulares, hoje a instituição busca formar cidadãos preparados para enfrentar desafios acadêmicos, profissionais e sociais.
Segundo Francisco, a preparação para a vida se tornou tão importante quanto a preparação para as provas. “Percebemos que formar apenas para o vestibular não bastava. Era preciso desenvolver responsabilidade, consciência social e capacidade de relacionamento”, diz.
Essa visão influencia diretamente a estrutura pedagógica da escola, que incorpora projetos voltados ao desenvolvimento humano, à cidadania e ao planejamento de vida. A preocupação também alcança a escolha profissional, já que muitos jovens definem o futuro ainda na adolescência, muitas vezes motivados apenas pelo potencial financeiro de determinadas carreiras.
O diretor cita sua própria experiência como exemplo. Formado em Engenharia, percebeu somente durante a graduação que sua vocação estava na área de Humanas. A mudança de perspectiva reforça sua convicção de que os estudantes precisam conhecer não apenas os benefícios, mas também os desafios de cada profissão.
Por esse motivo, o Singular promove palestras, plantões de orientação e o tradicional Encontro de Informação Profissional, realizado há mais de quatro décadas para aproximar os alunos da realidade do mercado de trabalho. Na avaliação de Francisco, nenhuma profissão oferece apenas vantagens. “Todas têm bônus e ônus. O importante é fazer uma escolha consciente e compatível com aquilo que a pessoa deseja construir ao longo da vida”, comenta.
Tecnologia, pandemia e os novos desafios da escola
Enquanto o perfil dos estudantes muda, a tecnologia também altera profundamente o cotidiano escolar. O avanço da internet, das plataformas digitais e, mais recentemente, da inteligência artificial cria novas ferramentas de aprendizagem, mas trouxe desafios relacionados à concentração e ao uso excessivo das redes sociais.
No Singular, o uso do celular em sala de aula ocorre apenas quando solicitado pelos professores para atividades específicas. Fora dessas situações, a orientação é que o estudante limite o acesso às redes sociais para preservar o foco nos estudos. Embora reconheça o potencial da inteligência artificial como apoio em diversas atividades, Francisco acredita que a presença do professor continua indispensável. “A tecnologia auxilia, mas não substitui o educador. Ela precisa servir ao processo de ensino, e não ocupar o lugar de quem ensina”, diz.
As mudanças tecnológicas também modificaram a relação entre escola e família. Reuniões presenciais deram espaço a contatos virtuais por aplicativos e plataformas digitais, o que facilita a comunicação, mas reduziu a convivência direta entre pais, alunos e educadores.
Os desafios aumentaram ainda mais durante a pandemia de Covid-19. O período exigiu rápida adaptação ao ensino remoto e provoca perdas que marcaram profundamente a instituição, incluindo colaboradores e um dos fundadores do Singular. Em poucas semanas, professores precisaram aprender novas metodologias e dominar ferramentas tecnológicas para manter as aulas. O esforço permitiu estruturar um sistema que hoje oferece transmissões de qualidade e gravação das atividades para consulta posterior pelos estudantes.
Apesar dos avanços, o diretor considera que a pandemia deixou impactos importantes na formação dos jovens, sobretudo daqueles que cursavam o Ensino Médio durante o período de isolamento e perderam experiências fundamentais de convivência escolar.
Formação integral e futuro
Ao mesmo tempo em que fortaleceu sua estrutura tecnológica, o Singular amplia iniciativas voltadas à formação completa dos estudantes. Entre elas está a educação financeira, incorporada ao currículo para estimular hábitos conscientes de consumo, planejamento e organização das finanças pessoais. A responsabilidade social segue o mesmo princípio. Por meio do Singular Social, a instituição desenvolve campanhas beneficentes, parcerias com entidades assistenciais e ações que aproximam os alunos das necessidades da comunidade.
Outra frente de atuação destacada por Francisco é a causa animal. Além de participar de iniciativas de proteção e adoção de animais, o diretor ajuda a inserir conceitos de guarda responsável nas atividades pedagógicas da escola, com o objetivo de estimular consciência e respeito desde cedo.
O olhar para o futuro também passa pela gestão institucional. Nos últimos anos, o Singular inicia um processo planejado de sucessão administrativa, com renovação gradual dos cargos executivos e preparação de novas lideranças para conduzir a instituição nas próximas décadas.
Segundo o diretor de vestibulares, a modernização não significa abandonar os valores que consolidaram a história do colégio, mas adaptá-los às necessidades das novas gerações. Para ele, o maior desafio da educação contemporânea consiste em equilibrar tradição e inovação sem perder de vista o papel essencial da escola na formação humana. “É importante acompanhar as mudanças, utilizar novas ferramentas e incorporar tecnologias, mas sempre com critério. O conhecimento, o professor e o contato humano continuam no centro de uma educação de qualidade”, conclui.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
