
Os Estados Unidos e o Irã voltaram a sinalizar que estão próximos de um acordo para encerrar a guerra iniciada em fevereiro e reabrir o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte de petróleo e gás natural no mundo.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, afirmou neste sábado (13/06) que as negociações avançaram e que um acordo pode ser concluído nas próximas 24 horas. Segundo ele, o Paquistão, que exerce a função de mediador entre as partes, já se prepara para a assinatura eletrônica do documento e para uma rodada de negociações técnicas prevista para a próxima semana.
Apesar do otimismo, a Casa Branca não respondeu a questionamentos sobre o estágio das negociações ou sobre uma possível data para a assinatura do acordo. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que nenhuma assinatura ocorrerá neste domingo, mas não descartou a possibilidade nos próximos dias. As declarações ocorrem após uma série de anúncios semelhantes que não se concretizaram.
A perspectiva de um entendimento ganhou força depois de uma semana marcada por confrontos entre Irã, Estados Unidos e Israel. Os combates aumentaram o temor de uma escalada regional e ampliaram os impactos econômicos da guerra iniciada em 28 de fevereiro. Um cessar-fogo está em vigor desde 7 de abril, mas permanece frágil.
Na sexta-feira (12), o Comando Central dos Estados Unidos informou ter interceptado drones iranianos com alvo em embarcações comerciais no Estreito de Ormuz.
Programa nuclear deverá ser discutido em até 60 dias
Um dos pontos centrais das negociações envolve o programa nuclear iraniano. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que os detalhes sobre o programa nuclear serão definidos nos 60 dias seguintes à assinatura de um acordo inicial. Segundo ele, as partes ainda poderão decidir pela prorrogação desse prazo.
Os Estados Unidos e Israel sustentam que o programa nuclear iraniano pode abrir caminho para o desenvolvimento de armas atômicas. Teerã afirma que suas atividades nucleares têm fins exclusivamente pacíficos.
Um alto funcionário do governo americano, que falou sob condição de anonimato, afirmou que o acordo em negociação prevê o início do processo de destruição ou remoção do urânio altamente enriquecido mantido pelo Irã.
Segundo o representante, o período de 60 dias servirá para definir os detalhes técnicos dessa operação. Ele não informou quem será responsável pela retirada do material, que, segundo projeções, está armazenado em instalações nucleares atingidas por ataques americanos no ano passado.
Reabertura do Estreito de Ormuz
Outro ponto central do acordo é a reabertura do Estreito de Ormuz. Segundo o funcionário americano, o texto em negociação inclui medidas para restabelecer o tráfego na região, considerada estratégica para o abastecimento global de energia.
Araghchi afirmou que o Irã pretende manter a cobrança de taxas sobre embarcações que utilizem a rota. Durante a guerra, Teerã adotou um sistema de pedágio criticado pelos Estados Unidos e por outros países, sob a alegação de violação do direito internacional.
A interrupção do tráfego no estreito afetou o abastecimento global de petróleo e gás natural, pressionou os preços dos combustíveis e encareceu alimentos, fertilizantes e outros produtos em diferentes regiões do mundo.
Sanções podem ser reduzidas
Segundo três autoridades regionais ouvidas pela Associated Press sob condição de anonimato, o acordo também deverá prever a retirada gradual das sanções impostas ao Irã e a liberação de ativos iranianos congelados.
As fontes afirmaram esperar que a assinatura ocorra nos próximos dias, após a aprovação final das autoridades em Washington e Teerã.
Impasse sobre o Líbano permanece
Um dos pontos ainda sem definição envolve o Líbano. O Irã defende que qualquer acordo inclua um cessar-fogo no país, onde Israel mantém confrontos com o Hezbollah, grupo apoiado por Teerã.
Na sexta-feira, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que o país poderá continuar agindo de forma independente em relação ao Irã e que não pretende retirar suas forças das áreas ocupadas no Líbano, na Síria e em Gaza, nem dos campos de refugiados no norte da Cisjordânia. Os confrontos no sul do Líbano continuam neste sábado (13).
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
