
Enquanto praticamente todos os números da criminalidade da região aparecem em verde na estatística da Secretaria de Segurança Pública, indicando redução da maioria dos crimes, no campo da produtividade policial o vermelho é mais frequente na tabela. Entre janeiro e abril deste ano, comparados com o mesmo período do ano passado, registros de apreensão de drogas, flagrantes de porte de armas, prisões por mandado e recuperação de veículos caíram entre 10% e 51,9% dependendo do tipo de delito.
O número que mais chama a atenção é a queda na recuperação de veículos, de 51,9%. No mesmo período o número de carros roubados caiu 41,21%. Para José Vicente da Silva, coronel da reserva da Polícia Militar paulista e ex-secretário nacional de Segurança Pública, a recuperação de veículos não necessariamente reflete a produtividade da polícia, porque, segundo ele, a maior parte dos carros recuperados são aqueles abandonados pelos criminosos. “Esses veículos ditos recuperados, na verdade são os que os bandidos desovam depois de terem utilizado.
Quando se verifica menor quantidade de recuperados, quer dizer que os bandidos estão ficando mais com o veículo, usando para outras finalidades, como para desmanche, para clonagem ou envio para outros estados. No Estado de São Paulo metade dos roubados e furtados são abandonados pelos ladrões”, explica o especialista em segurança pública.
A outra metade dos veículos levados pelos bandidos que não é abandonada é que poderia entrar no critério de recuperação pela investigação policial, porém o resultado é pequeno, segundo o ex-secretário nacional. “Um estudo feito por um oficial, com base nos registros de boletins de ocorrência, mostrou que a polícia está investigando apenas 3% dos casos de veículos furtados e roubados, portanto a polícia não está oferecendo uma reação devida para desarticular essas quadrilhas de ladrões que estão, há décadas, atuando e levando uma quantidade imensa de carros”, aponta.

Para o pesquisador e ex-secretário, dentre os fatores que realmente aferem o trabalho da polícia como produtividade, estão o número de prisões efetuadas, armas e drogas apreendidas e o índice de esclarecimento de homicídios, sendo esse último o principal. “O homicídio é o mais importante e mais fácil de esclarecer e, por isso, é o indicador básico da eficiência da Polícia Civil. O Instituto Sou da Paz tem pesquisado essa eficiência consultando os Ministérios Públicos dos estados, já que eles fazem as denúncias nos inquéritos esclarecidos. São Paulo está na medíocre média nacional de pouco mais de um terço (de esclarecimento de homicídios)”, completa José Vicente da Silva.
A maior diferença entre os crimes registrados no primeiro quadrimestre e a produtividade foi verificada em Ribeirão Pires, onde os furtos de veículos subiram 55,88% e, no mesmo período a recuperação de veículos caiu 33,33%.
Em Diadema caíram em 24,69% as apreensões de entorpecentes e em 18,21% as prisões em flagrante. Em Santo André a apreensão de armas caiu 27,69% e as delegacias da cidade instauraram menos 13,23% inquéritos policiais. Já São Bernardo teve a maior redução de veículos recuperados, de 82,2% e também de armas apreendidas (43,37%).
Enquanto os números da criminalidade em São Caetano estão todos no verde, quando de olha para a produtividade a cor vermelha domina: -83,95% de veículos recuperados; -30,67% presos em flagrante e -29,50% de flagrantes lavrados são os números mais significativos da lista.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
