A Craisa (Companhia Regional de Abastecimento Integrado de Santo André) divulgou um novo levantamento sobre o valor da cesta básica na região. Em maio, a soma dos 34 produtos pesquisados chegou à marca de R$ 1.224,66. Uma leve queda de 0,02% em comparação ao mês de abril. O preço do feijão voltou a subir nos supermercados do ABC e as carnes alcançaram os maiores valores desde o início da pesquisa, em 2001.
O quilo da carne bovina de primeira (coxão mole) chegou aos R$ 55,60 no mês passado, uma alta de 1,52% em comparação a mês de abril. O quilo da carne bovina de segunda (acém) terminou o quinto mês do ano com a média de R$ 43,12. O valor é 3,28% maior do que no mês anterior.
O engenheiro agrônomo da Craisa, Fábio Vezzá de Benedetto, em entrevista ao RD Momento Econômico, explica que até o período anterior a pandemia do Covid-19, o preço das carnes se estabilizava com mais facilidade. Com o período pandêmico houve uma alta que foi finalizada após as eleições gerais de 2022. Na sequência houve um leve recuo, mas que não se sustentou em decorrência dos conflitos no exterior
“E agora, recentemente, com guerra, com preço de combustível, com toda essa instabilidade, essa incerteza do que vai acontecer com as tarifas, a imposição de tarifas e depois vai vender para a Europa, não vai vender, vai ter tarifa dos Estados Unidos, não vai ter, tudo isso culminou com os maiores preços que a gente já observou até agora, nesses 20 e tantos anos.”, disse o especialista.

Algo parecido ocorre com o valor médio do pacote de feijão carioca. Em maio chegou a R$ 8,87. A alta foi de 1,51% em comparação a abril, e está próximo do recorde da pesquisa que ocorreu em junho de 2022.
“Se a gente olhar essas altas e baixas do preço do feijão, isso, para mim, significa uma falta de política agrícola mesmo, é uma ausência de políticas agrícolas que buscassem manter uma oferta mais regular e, com isso, quando o preço do feijão sobe, na próxima safra, a gente costuma ter quatro safras de feijão por ano, e o preço está alto, na próxima safra, muito provavelmente, os produtores vão plantar muito feijão, porque está dando dinheiro, eles estão capitalizados, eles ganharam dinheiro nessa safra e, com um excesso de produção na próxima safra, o preço vai voltando a subir. Foi o que a gente observou a partir do final de 2023, começo de 2024. Do começo de 2024 para cá, os preços praticamente só recuaram até maio de 2025.”, aponta Fábio.
Estabilidade
A estabilização do valor da cesta básica no ABC em maio ocorre após duas altas seguidas. Entre março e abril houve um aumento de R$ 78,44 no valor médio. Assim chegando ao maior patamar de sua história ao chegar na casa dos R$ 1,2 mil. As incertezas sobre o fim dos conflitos no Irã e na Ucrânia, além das eleições gerais no Brasil e a renovação do Congresso dos Estados Unidos ajudam na falta de entendimento sobre os próximos passos de alguns desses produtos, principalmente os hortifrutis.
Confira abaixo os valores da pesquisa de maio da Craisa:
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
