
O Brasil registrou, pelo segundo ano consecutivo, redução no déficit habitacional, consolidando uma tendência de melhora gradual no acesso à moradia. Dados da Fundação João Pinheiro (FJP) indicam que, em 2024, o país contabilizou 5,77 milhões de moradias em déficit, representando 7,4% dos domicílios ocupados — o menor patamar da série histórica recente.
A retração de 3,4% em relação a 2023 e de 7,1% no acumulado dos últimos dois anos sinaliza a eficácia de políticas públicas habitacionais, com destaque para a retomada do programa Minha Casa Minha Vida, que voltou a operar em 2023 com maior capilaridade e foco social.
Minha Casa Minha Vida impulsiona queda do déficit
A recomposição do programa habitacional federal tem sido apontada como um dos principais vetores da redução do déficit. Entre 2023 e 2024, aproximadamente 441 mil famílias deixaram essa condição, enquanto mais de 923 mil moradias foram entregues no período.
A política habitacional demonstra capacidade não apenas de reduzir o déficit quantitativo, mas também de promover inclusão social, dinamizar o mercado imobiliário e estimular cadeias produtivas relevantes para a economia nacional.
Nesse contexto, ganha relevância a posição historicamente defendida pelo CRECI-SP, que sempre sustentou a necessidade de fortalecimento contínuo de programas estruturados de habitação como instrumento de desenvolvimento econômico e equilíbrio do mercado.
Ônus com aluguel segue como principal componente
Apesar da melhora geral, o principal fator do déficit habitacional permanece sendo o ônus excessivo com aluguel, responsável por 62,14% do total — o equivalente a 3,59 milhões de domicílios.
Esse indicador reflete famílias com renda de até três salários mínimos que comprometem mais de 30% da renda com locação, evidenciando a necessidade de ampliação do acesso à casa própria e de políticas que equilibrem o mercado locatício.
Ainda assim, observa-se uma redução inédita nesse componente desde 2016, indicando impacto positivo das políticas públicas e do aumento da renda.
Habitação precária e coabitação também apresentam melhora
Outros componentes do déficit também registraram retração:
• Habitação precária caiu 7%, passando de 1,24 milhão para 1,16 milhão de moradias
• Coabitação recuou 3,9%, totalizando 1,03 milhão de domicílios
Esses indicadores demonstram avanço na qualidade das condições habitacionais, ainda que o desafio permaneça significativo, especialmente nas regiões mais vulneráveis.
Desigualdade regional e impacto de fatores climáticos
A redução do déficit foi mais expressiva nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, enquanto Sul e Sudeste apresentaram aumento, influenciados por fatores como eventos climáticos, pressão urbana e custo elevado da moradia.
No Sudeste, por exemplo, o déficit alcançou 2,36 milhões de unidades, refletindo a complexidade dos grandes centros urbanos e a necessidade de políticas mais específicas para essas regiões.
Mudança no perfil das famílias impõe novos desafios
Um fator relevante que limita a velocidade de queda do déficit é a transformação demográfica, com crescimento expressivo de famílias unipessoais. O aumento de pessoas morando sozinhas eleva a demanda por novas unidades habitacionais, pressionando o mercado mesmo diante da ampliação da oferta.
Inadequação habitacional cresce e exige atenção
Paralelamente à redução do déficit, houve aumento no número de domicílios com algum tipo de inadequação, que chegou a 27,9 milhões em 2024 (40,9% do total).
A principal deficiência está relacionada à infraestrutura urbana, incluindo:
• acesso precário à água potável
• ausência ou deficiência de rede de esgoto
• coleta irregular de resíduos
• falhas no fornecimento de energia
Esse cenário evidencia que o desafio habitacional no Brasil não se limita à quantidade de moradias, mas também à qualidade das condições urbanas.
Mercado imobiliário e papel do corretor ganham ainda mais relevância
A evolução dos indicadores reforça a importância do mercado imobiliário como agente estruturante do desenvolvimento urbano e social. Nesse ambiente, a atuação do corretor de imóveis torna-se ainda mais estratégica, garantindo segurança jurídica, orientação qualificada e eficiência nas transações.
O cenário atual confirma, de forma inequívoca, que políticas públicas bem estruturadas, aliadas à atuação técnica dos profissionais do setor, são fundamentais para reduzir o déficit habitacional e promover um mercado mais equilibrado e sustentável.
Conclusão: tendência positiva, mas com desafios estruturais
A queda do déficit habitacional representa um avanço significativo, mas ainda insuficiente diante das necessidades do país. A continuidade e o aprimoramento de programas como o Minha Casa Minha Vida, aliados a políticas urbanas integradas, serão determinantes para sustentar essa trajetória.
O CRECI-SP reafirma que a valorização da habitação de interesse social e o fortalecimento do mercado imobiliário caminham juntos — uma diretriz que, agora, se confirma também nos dados oficiais.
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