ABC - quinta-feira , 11 de junho de 2026

Oportunidades e incertezas para o empresário em 2026

Clima festivo muda a rotina, altera horários, afeta a produtividade e, em alguns setores, impulsiona as vendas (Foto: Freepik)

Por Marcel Mazurkyewistz

Para quem empreende no Brasil, cada virada de ano traz um misto de esperança e apreensão. Mas 2026, em especial, chega carregado de ingredientes que influenciam diretamente o dia a dia das empresas: Copa do Mundo, eleições nacionais e um calendário repleto de feriados prolongados. É um cenário que, ao mesmo tempo em que abre portas, também exige cautela, planejamento e um olhar muito atento para os movimentos da economia e do consumidor.

A Copa, por exemplo, sempre mexe com o comportamento das pessoas. O clima festivo muda a rotina, altera horários, afeta a produtividade e, em alguns setores, impulsiona as vendas. Mas, na indústria, aprendemos que não basta esperar o movimento acontecer. Precisamos antecipar demanda, ajustar produção, organizar estoques e prever possíveis variações de consumo — e tudo isso meses antes de a bola rolar. Errar a mão pode significar faltar produto ou, pior, sobrar mercadoria encalhada.

As eleições trazem outro tipo de turbulência. Todo empresário sabe que períodos eleitorais aumentam a incerteza, travam investimentos e deixam o mercado mais cauteloso. As definições de rumo econômico — juros, crédito, impostos, programas de incentivo — só ficam claras depois da apuração. Enquanto isso, seguimos tomando decisões com base em cenários provisórios, tentando equilibrar crescimento e prudência.

E, como se não bastasse, 2026 será um ano cheio de feriados emendáveis. Isso mexe diretamente com a produtividade das empresas, principalmente na indústria, onde dias parados significam máquinas ociosas, custos fixos sem retorno e a necessidade de reorganizar turnos e entregas. Ao mesmo tempo, o comércio e o turismo tendem a se beneficiar do aumento de circulação de pessoas. Ou seja: um mesmo calendário pode ser bom para uns e desafiador para outros.

No meio de tudo isso, fico pensando no empresário comum — aquele que, como eu, precisa decidir hoje o que só vai dar resultado daqui a meses. Quanto produzir? Quanto estocar? Quanto arriscar? Até onde o caixa suporta? O Brasil continua sendo um país onde é preciso trabalhar com múltiplos cenários na cabeça, muitas vezes sem a clareza necessária para tomar a melhor decisão.

Mas também aprendi, ao longo dos anos, que é justamente nesses períodos cheios de variáveis que surgem as melhores oportunidades. Quem planeja com cuidado, quem mantém a disciplina financeira e quem observa de perto os movimentos do mercado costuma atravessar esses ciclos com mais força. É no detalhe, na estratégia, na capacidade de adaptação que o empreendedor brasileiro mostra seu valor.

O ano de 2026 será desafiador, sim. Mas o desafio nunca foi novidade para nós. Seguimos firmes, ajustando as velas, tomando decisões difíceis e carregando o peso — e o orgulho — de fazer a economia girar. Porque é isso que move o verdadeiro empresário: a certeza de que, independentemente do calendário, seguimos construindo, dia após dia, o nosso próprio caminho.

Marcel Batistella Mazurkyewistz é sócio-administrador e diretor do Grupo Mazurky.

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