
São Bernardo, por meio do Comitê Intersecretarial de Direitos da Pessoa com Deficiência e TEA, encerrou nesta quinta-feira (04/12) a programação da Virada Inclusiva, com evento no Teatro Cacilda Becker que reuniu cerca de 100 pessoas e reforçou a necessidade de ampliar a reflexão sobre as demandas deste público.
O encontro teve como destaque uma mesa-redonda com a participação de pessoas com deficiência e profissionais de diversas áreas. Além da troca de experiências e esclarecimentos, o grupo apontou avanços trazidos pela LBI (Lei Brasileira de Inclusão), que completa 10 anos em 2025, e cobrou novas ações voltadas à inclusão.
A roda de conversa reuniu pessoas com deficiência que relataram vivências, necessidades e desafios no trabalho, destacando caminhos para o avanço da inclusão. Entre elas estavam a assessora da Secretaria de Direitos da Pessoa com Deficiência e TEA de São Bernardo, Caroline Marques, a paratleta Verônica Hipólito e a diretora de escola Regiane Dantas. Também participaram profissionais ligados à defesa dos direitos e da saúde de PCDs, como o psiquiatra Felipe Ladeira, a defensora pública Fernanda Rozo e a promotora de Justiça Sirleni Fernandes, da área da infância e juventude.
Caroline, uma das primeiras a falar, lembrou que no início da carreira como modelo sentia medo e tremia antes de entrar na passarela, mas superou os temores porque, segundo ela, “a vida me ensinou que quando carrego uma bandeira não estou sozinha”. Em cada evento, foto ou reunião, enfatizou que representa não apenas a si mesma, mas as pessoas “que precisam ser vistas através de mim”.
“Foi ali que entendi que a Lei Brasileira de Inclusão apresentou ao Brasil o verdadeiro sentido do protagonismo: o direito de existir, viver com dignidade, ocupar espaços e ser sujeito da própria história. As pessoas subestimam muito a capacidade da pessoa com deficiência, e lutamos contra isso todos os dias. Mas também há quem acredite em nós. Como exemplo, o prefeito Marcelo Lima, que sempre enxergou potência em mim e transforma São Bernardo em uma cidade da inclusão”, afirmou Caroline.
O bate-papo, conduzido por Alan Mazzoleni, coordenador do CER-IV (Centro de Reabilitação) de São Bernardo, reforçou um ponto central: é preciso fazer mais. “Quando refletimos com mais profundidade, percebemos que ninguém na sociedade é totalmente independente. Todos vivemos em interdependência. Em algum momento da vida, qualquer pessoa passa por maior necessidade de cuidados. Crianças precisam de cuidados, idosos provavelmente também, mulheres grávidas igualmente — assim como pessoas com deficiência. Para este grupo, a vida se torna inviável sem esse suporte”, alertou Sirleni.
Ela destacou que o primeiro movimento de inclusão buscou superar barreiras arquitetônicas, mas outras permanecem: as urbanísticas, as de transporte e, sobretudo, a atitudinal, que considera a mais importante. “É sobre como olhamos e sentimos uma pessoa com deficiência. Não há superação das demais barreiras sem superar a barreira atitudinal.” A promotora mencionou ainda a barreira tecnológica: “Ela gera avanços, mas também pode resultar em exclusão.”
“Se não houver esse olhar atento, a tecnologia se torna obstáculo para pessoas com deficiência. Precisamos acompanhar nossos avanços sabendo que vivemos em uma sociedade capacitista e pensar como evoluir tecnologicamente sem reproduzir esse preconceito.”
Programação
A abertura da Virada Inclusiva ocorreu em 2 de dezembro, no Teatro Martins Pena, com programação cultural que reuniu camerata, violino e violões, promovendo vivência artística inclusiva e evidenciando o talento e o protagonismo de pessoas com deficiência e da comunidade escolar.
No dia seguinte, o Parque da Juventude Città Di Maróstica recebeu a Virada Inclusiva, com atividades artísticas, como a apresentação do grupo musical da Saúde Mental “Mais com Menos”, ações lúdicas e sensoriais realizadas pelo TEAcolhe, pelo Centro Especializado em Reabilitação (CER-IV) e pelo Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Infantil, além de auriculoterapia, zumba e carimbó com o programa “De Bem com a Vida”. Também houve ações de promoção em saúde, como vacinação e orientação em saúde bucal.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
