
Problemas com medicamentos e falta de lançamentos de produtos controlados em livro específico para esta finalidade levaram à impossibilidade da clínica veterinária Cia do Bicho a realizar novas cirurgias, temporariamente. O vereador e presidente da Comissão de Defesa e Proteção dos Animais da Câmara de São Bernardo, Pery Cartola (Cidadania) disse que o Centro Cirúrgico da clínica foi interditado, mas os sócios do estabelecimento, negaram a afirmação. Em nota oficial, a prefeitura não mencionou interdição do centro cirúrgico, mas sustenta os achados relacionados aos medicamentos impossibilitam a realização de cirurgias.
“A Prefeitura de São Bernardo, por meio da Secretaria de Saúde, informa que medicamentos controlados que estavam na clínica em desconformidade foram interditados pela Vigilância Sanitária, o que impossibilita o funcionamento do centro cirúrgico. Os responsáveis foram convocados para prestar esclarecimentos nesta sexta-feira, 28 de novembro, no Centro de Controle de Zoonoses”, informa a administração, em nota. A clínica, nega que tenham sido encontradas qualquer irregularidade, mesmo em relação aos medicamentos.
Ao RD, Pery Cartola relatou que foram encontrados medicamentos vencidos e que o livro para a anotação de remédios controlados não estava preenchido corretamente. “O centro cirúrgico também tinha problemas, parede com mofo, nada a ver com um ambiente cirúrgico. A venda de medicamentos está suspensa. Agora a prefeitura fará um laudo e dará um prazo para os empresários se adequarem”, disse o vereador.
Cartola também considerou séria a afirmação na rede social da clínica de que não houve interdição. “Os técnicos ficaram horrorizados, a vigilância nunca passou por uma situação dessa. Vão ter que reparar a vergonha que fizeram os servidores passarem”, disse o parlamentar.
A fiscalização esteve na clínica que fica na rua dos Vianas, no bairro Baeta Neves, após solicitação da comissão da Câmara, que está acompanhando tutores de animais que morreram após procedimentos realizados na Cia do Bicho. Pelo menos sete casos ocorreram em menos de dois meses. Nesta quinta-feira (27/11) vieram à tona mais dois casos; o do gato Yuri, que teria morrido na terça (25/11), e da cadela Shih Tzu, Bolinha, que morreu no dia 27/10. A clínica nega negligência, aponta que há explicações técnicas para cada caso.
A advogada que representa a clínica, Débora Castro, disse que não há nenhuma interdição na clínica e encaminhou vídeo para o RD, gravado após os fiscais deixarem o local, para provar que não há nenhuma interdição. “É uma inverdade que a clínica foi fechada, não há nenhuma interdição. Não existe qualquer lacre na loja, qualquer interdição”, destacou.
Arnaldo Castro, sócio da clínica, também frisou que não há interdição. “Queria que o Pery Cartola apresentasse algum documento sobre interdição. Os fiscais acabaram de sair daqui e nos liberaram para trabalhar. Não teve nenhum impedimento físico documentado. Estão mentindo em redes sociais. Inclusive nossa advogada vai entrar com ação, com pedido de liminar, contra essa publicação”.
Sobre a morte do gato Yuri, os responsáveis pela clínica divulgaram nota em que relatam que o estado de saúde dele era muito grave decorrente de uma queda de três andares.
Veja a seguir a íntegra da nota:
“O paciente deu entrada após trauma por queda de altura. Foi indicada internação para controle de danos, analgesia, monitorização e realização de exames laboratoriais e de imagem. Nos exames iniciais, não foram constatados focos hemorrágicos ativos”.
“Durante o exame físico completo, identificou-se trauma de face com presença de fenda palatina, sendo necessária correção cirúrgica. Foi solicitado o comparecimento da tutora para discussão sobre tratamento e custos do procedimento. Foram explicados os achados, riscos, necessidade de correção cirúrgica e valores do procedimento. A tutora informou que retornaria após conversar com a filha sobre a autorização. Após confirmação, retornou ao estabelecimento.
Foram realizados exames pré-anestésicos e laboratoriais, sem contraindicações para o procedimento cirúrgico, motivo pelo qual foi indicada a continuidade do tratamento. Anterior à alta, o paciente apresentou alteração do quadro clínico, sendo solicitados exames complementares de acompanhamento, os quais demonstraram alterações sistêmicas.
Diante do novo cenário, foi indicada transferência para unidade semi-intensiva, com objetivo de monitorização constante e suporte avançado. A tutora recusou a transferência. Também foram solicitados exames complementares adicionais, os quais não foram autorizados pela tutora inicialmente por motivos financeiros.
Na terça-feira, diante da necessidade médica, foi realizado um exame sem custo para o tutor, com o objetivo de auxiliar no diagnóstico e orientar a conduta. O resultado foi explicado à filha (da tutora), indicando possibilidade de doença viral associada ao trauma, agravando o estado clínico do paciente. Foi novamente solicitada autorização para exames complementares e cuidados intensivos. Aonde foram negados , e conversado sobre piora clínico e risco de óbito”, diz a nota. A clínica informou ainda que tem toda a documentação e as conversas, por mensagens, com a tutora.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
