ABC - terça-feira , 4 de agosto de 2026

Professores lutam por valorização salarial e profissional

Desde 1963 o Brasil celebra o Dia dos Professores a cada 15 de outubro. Mas além das merecidas homenagens, estes profissionais querem ser ouvidos e valorizados. O RD conversou com representantes da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) e do Sinpro ABC (Sindicato dos Professores do ABC) que apontam a falta de ações efetivas para melhorar o dia a dia destes profissionais, independente se trabalham no setor público ou no setor privado.

“O que os professores querem é valorização. Na rede particular, o espaço está se perdendo. A gente tem grandes conglomerados econômicos assumindo o Ensino Superior. Então, hoje, você não tem mais um dono da escola, um dono da universidade. São aqueles conglomerados acionistas. E nós tivemos campanhas salarias difíceis esse ano. Para se ter uma ideia, no Ensino Superior, eles querem tirar o plano de saúde, eles querem tirar a hora atividade. Eles chamam isso de o novo sempre vem. E eles acham que o Chat GPT trabalha pelo professor e o professor não faz mais nada. Então, os professores estão apavorados com este tipo de coisa.”, diz Edilene Arjoni, presidente do Sinpro ABC.

Outro ponto de preocupação está com a redução de unidades com o horário noturno, o que prejudica alunos que entraram no mercado de trabalho e o próprio EJA (Educação de Jovens e Adultos) (Foto: divulgação)

No caso das escolas públicas, a tentativa de privatização somada a outros temas como a reforma do Ensino Médio, também geram debates e lutas dentro da categoria, que também busca melhores condições de trabalho.

“Tem muitos professores que desanimam, mas eu sou aquele tipo de pessoa que acho que a gente sempre tem que lutar para poder conquistar melhores condições.  A gente está numa situação muito complicada na educação de São Paulo, que tem uma ligação, na verdade, com ataques à educação nacionalmente, mas realmente, assim, teve uma reforma do ensino médio, que foi uma reforma draconiana, né, inclusive, foi a primeira reforma aprovada depois do golpe institucional, lá em 2016, né, quando assumiu o Temer, então, assim, só para ter sido a primeira a ser aprovada, a gente tem que pensar o que tem por trás disso.”, inicia Maíra Machado, coordenadora da subsede Santo André da Apeoesp.

“E nós, professores, comunidade escolar, e aí eu englobo, inclusive, os estudantes, nunca fomos ouvidos mesmo sobre que ensino médio a gente acha que deveria existir. Eu não sou uma pessoa contra nenhum tipo de reforma na educação, eu acho que, inclusive, não é que estava maravilhoso como estava antes, acho que tinham coisas que tinham que ser discutidas, só que, assim, a gente tem visto, não somente em relação à reforma do ensino médio, mas ao conjunto das reformas que estão sendo aplicadas, que são reformas que não são para melhorar, são reformas que atacam a vida da grande maioria da população”, segue.

Ambas apontam o receio sobre a queda de profissionais em consequência da falta de valorização e a entrada da tecnologia como substituição ao invés de auxílio para a Educação. Fora a necessidade de um professor ter que dar aula em duas ou três escolas diferentes para somar um salário menor, o que é visto pelas educadoras como uma forma de reduzir a qualidade do ensino, pois o profissional não conta com tempo para preparação de aulas, correção de provas e o descanso.

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