
Os diretórios do PSOL do ABC organizam frente de trabalho única e regional para cobrar, por meio de representação nas câmaras municipais e movimentos sociais, a apuração de casos de corrupção, como as acusações que pairam sobre o prefeito afastado de São Bernardo, Marcelo Lima (Podemos). Lima foi afastado do cargo por um ano diante de investigações da Polícia Federal, que apura corrupção na Prefeitura. O PSOL sustenta que prefeituras e Câmaras de outras cidades devem investigar, já que a operação Estafeta, da PF, mirou alvos em outras cidades da região.
Além de Lima foi também afastado da sua função pública, por decisão da Justiça, o presidente da Câmara, vereador Danilo Lima (Podemos), e o suplente de vereador Ary de Oliveira (PRTB. Outros servidores da administração municipal e da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) são investigados.
Anderson Dalecio, presidente do PSOL de São Bernardo, diz que o partido elabora ofícios com pedidos de informação e prevê realizar atos, também, nas ruas ou nas câmaras de vereadores. “A maior preocupação é em relação a Diadema, Mauá e Santo André, porque a operação Estafeta, realizada no dia 18 de agosto, que afastou o prefeito, o presidente da Câmara e o suplente de vereador, também teve operação em Diadema, em Mauá e Santo André, que a gente ainda não sabe quem são as pessoas investigadas, quais endereços, então a ideia é se preparar regionalmente para isso”, disse.
A programação de atividades tem sido realizada, segundo Dalecio, em reuniões regulares e online entre os presidentes de diretórios. A mobilização tem início já nesta semana. Dois militantes do PSOL devem usar a tribuna da Câmara de São Bernardo nesta quarta-feira (8/10), durante a sessão legislativa.
O PSOL foi autor do pedido de impeachment de Marcelo Lima, que foi rejeitado na Câmara. Portanto, o primeiro ato desta frente, que reúne os diretórios do PSOL e os dois vereadores, Ricardo Alvarez (de Santo André) e Bruna Biondi (São Caetano), foi a elaboração da Carta Conjunta dos Diretórios do PSOL no ABC, que pede investigação dos atos.
“Os diretórios municipais do PSOL do ABC vêm a público reafirmar sua posição firme e inegociável contra todas as formas de corrupção. A recente escalada de denúncias e práticas de corrupção que vieram à tona em São Bernardo é um alerta para toda a região. Não se trata de casos isolados, mas de um sistema político marcado pela blindagem de prefeitos e vereadores, que alimenta mecanismos de cooptação política sustentados pelo desrespeito ao dinheiro público, pela entrega de serviços públicos nas mãos de empresários amigos e pelo distanciamento das necessidades reais do povo trabalhador”, diz a carta.
Em outro ponto da carta o partido destaca a regionalização do tema. “Consideramos fundamental regionalizar a pauta da luta contra a corrupção que, revelada em uma cidade, reverbera em toda a região, comprometendo políticas públicas, desviando para empresas e empresários próximos aos prefeitos recursos que deveriam estar em saúde, educação, transporte e moradia, e aprofundando a desigualdade social que marca o ABC. Conclamamos a sociedade civil organizada, os movimentos sociais e todos os cidadãos e cidadãs da região a se somarem nesta luta. A luta em defesa dos direitos sociais, dos serviços 100% públicos e do combate à corrupção não podem se dar de forma fragmentada: precisa ser regional, coletiva e enraizada na mobilização popular”, diz o documento.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
