ABC - sexta-feira , 24 de julho de 2026

Projeto incentiva uso consciente da tecnologia entre jovens do Colégio Singular

Mais do que restringir o uso de telas, o Projeto Conexão Consciente, desenvolvido pelo Colégio Singular, tem como objetivo promover uma relação mais equilibrada entre crianças, adolescentes e a tecnologia. Inspirada pela chamada Lei do Celular – que limita o uso de dispositivos móveis nas escolas estaduais -, a iniciativa vai além da proibição e propõe alternativas que envolvem alunos e famílias no processo de desconexão digital e reconexão com o mundo real.

Em entrevista ao RDtv, Giselle Cruz, diretora do Liceu Monteiro Lobato (unidade da rede Singular), contou que o projeto surgiu a partir de reflexões sobre os impactos das redes sociais na saúde mental dos jovens. “A superexposição, a comparação constante e o excesso de estímulos podem comprometer o desenvolvimento dos adolescentes. Isso afeta desde a autoestima até o sono e as habilidades de convivência”, alertou a educadora.

(Foto: reprodução/RDtv)

A partir de estudos sobre a geração atual e da leitura do livro “A Geração Ansiosa” com pais, o colégio estruturou um programa de encontros mensais. “Criamos um grupo de pais para trocar experiências e refletir sobre os desafios dessa geração hiperconectada. A ideia cresceu e se espalhou por toda a rede”, relata a diretora.

O projeto também foi adaptado para o período de férias. Antes do recesso de julho, o colégio promoveu palestras com os responsáveis para reforçar a importância de vivências longe das telas. “Falamos sobre o tédio criativo, o convívio familiar, o estar na natureza. Queremos que as famílias proporcionem esses momentos aos filhos”, pontua Giselle.

Impacto na rotina escolar
Atualmente presente em cinco unidades do Singular, o projeto já mostra resultados visíveis no comportamento dos alunos. O celular, embora ainda levado à escola, fica guardado em armários e só é usado com autorização do professor, em atividades pedagógicas. “Vemos que os jovens interagem, jogam, leem e conversam. Isso não acontecia antes. A relação social no intervalo foi resgatada”, afirma.

Segundo Giselle, os próprios alunos passaram a valorizar o convívio presencial e se tornaram multiplicadores da ideia. “Tínhamos receio da resistência, mas eles aceitaram bem. Perceberam que estavam imersos em uma solidão virtual”, afirma.

Família como aliada
Apesar dos avanços, a adesão total das famílias ainda é um desafio. “Queremos envolver mais responsáveis. Ainda temos um número limitado, mas acreditamos no efeito multiplicador”, diz. Os encontros contam majoritariamente com pais de alunos a partir dos 6º anos, mas a preocupação com o uso precoce de telas também mobiliza algumas famílias da Educação Infantil.

Para o futuro, o Singular pretende medir os resultados do projeto com mais profundidade, com o o acompanhamento da participação das famílias e os impactos percebidos entre os estudantes. “Já sentimos os efeitos no dia a dia, mas queremos ampliar e compartilhar essa experiência. Toda troca é bem-vinda. Nossa meta é expandir esse movimento”, diz.

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