ABC - sexta-feira , 12 de junho de 2026

Alterações no financiamento da Caixa animam mercado imobiliário

Na última terça-feira (05/06), a Caixa Econômica Federal (CEF) anunciou que reduzirá os juros e prolongará o prazo para os financiamentos habitacionais realizados com recursos da poupança e através do processo de alienação fiduciária (o imóvel é a própria garantia da falta de pagamento). A notícia rapidamente agitou o mercado imobiliário, que prevê que as alterações tenham impacto imediato no aumento da procura por apartamentos.

“Toda redução de juros é sempre bem recebida, mas o prolongamento dos prazos causa ainda mais impacto entre os consumidores, já que o valor das prestações pode cair consideravelmente”, projeta o empresário e presidente da AGICABC (Associação dos Construtores, Imobiliárias e Administradoras do Grande ABC), Milton Bigucci.

Segundo a nota oficial divulgada pelo banco, o tempo máximo dos parcelamentos passará de 30 para 35 anos e a taxa de juros pode cair até 1,2%, em relação à tributação praticada antes do anúncio.

Para Bigucci, dono de uma das principais construtoras do Estado, a iniciativa acompanha a recente redução da taxa básica de juros Selic e deve ter impacto direto no preço médio das aquisições. “O valor dos financiamentos também tende a aumentar, pois quem já estava prestes a entrar em um parcelamento tende a rever seus planos e ampliar seus investimentos, tudo para aproveitar estas mudanças”, explica.

Parcelas reduzidas

De acordo com o comunicado emitido pela Caixa, os juros de financiamentos realizados pelo SFH (Sistema Financeiro de Habitação) cairão de 9% para 8,85% ao ano, para todos os clientes, podendo chegar a 7,8%, dependendo do grau de relacionamento do comprador com a Caixa. Fora do SFH, a taxa de juros passa de 10% para 9,9% ao ano, mas pode chegar a 8,9%, condição que também varia de acordo com o histórico do cliente.

Segundo o vice-presidente de Governo e Habitação do banco, José Urbano Duarte, as alterações anunciadas permitirão aos clientes adquirirem imóveis melhores e em condições mais vantajosas. O cliente poderá optar por comprar o mesmo apartamento reduzindo seu encargo mensal. Para um financiamento no valor de R$ 267 mil, por exemplo, a prestação pode cair de R$ 3 mil para R$ 2.604, redução de 13% no valor das parcelas.

Procon alerta consumidor

Para a coordenadora do Procon de Diadema, Maria Aparecida Tijiwa, o consumidor precisa ficar atento aos abusos praticados por alguns bancos e empreiteiras no tipo de operação. Entre as reclamações mais frequentes, estão o atraso na entrega dos imóveis, cobranças de taxas indevidas não descritas em contrato e a dificuldade imposta pelas construtoras na escolha dos bancos responsáveis pelo financiamento.

Segundo Maria Aparecida, quem possui intenções de adquirir um apartamento deve sempre ficar atento aos juros praticados pelos bancos e tentar sua negociação antes de fechar contrato.”A iniciativa de redução dos juros da Caixa deverá ser seguida pelas instituições privadas, que não querem perder espaço, mas tentar a negociação das taxas nunca é demais”, afirma.

Em relação aos problemas mais comuns, a coordenadora do Procon também orienta que o consumidor tem todo o direito de escolher a instituição responsável pelo parcelamento e não pode encontrar nenhum tipo de empecilho nesta intenção. “Recentemente, o Ministério Público também definiu que os atrasos podem chegar a seis meses no máximo, desde que sejam justificáveis”, completa.

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