Quando se pensa em mercado de trabalho e estudo é inevitável analisar o papel das universidades, comunidade e poder público. Os palestrantes do segundo painel do Ciclo de Educação, realizado nesta semana pelo Repórter Diário, que teve como tema Educação e Mercado de Trabalho – Oportunidades x Demandas, discutiram a importância de ações que movem e integram esses três agentes. Para o pró-reitor de graduação da UFABC (Universidade Federal do ABC), Derval dos Santos Rosa, esse é o caminho certo para realizar mudanças na área de educação e formar profissionais capacitados para o mercado.
“A universidade tem de interagir tanto com poder público como com a comunidade”, explica. Na palestra, o Rosa defendeu que o modelo de ensino da UFABC é um processo de formação no qual o aluno faz a sua versão acadêmica livre para escolher as disciplinas que mais interessam. Para ele, o mercado pede algo que atenda de imediato e que exija inovação. “Precisamos formar o aluno para pensar no futuro. Não adianta inovarmos o tempo todo sem pensar no cotidiano ou na formação do cidadão”, afirma.
No Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial), o método é baseado em pesquisas realizadas por equipes que pensam a partir das demandas e necessidades de mercado. A professora de pós-graduação e gerente da instituição, Glaudisséia Alves Furlan, defendeu que um dos problemas enfrentados atualmente pelos gestores de formação técnica é a dificuldade de qualificar alunos que tiveram educação básica muito fraca. “Embora não seja de nossa responsabilidade, nós auxiliamos esses alunos. O poder público precisa aprimorar a formação básica”, reforça.
Outro assunto abordado pela professora foi a importância dos cursos incluírem noções de empreendedorismo nas grades. “Precisamos entender que daqui a pouco não vamos ter emprego para todos. Precisamos de novas oportunidades e, para isso, é necessário fomentar o egresso e mostrar que é necessário ele ter iniciativa e saber fazer”, explica.
Educadores também precisam de incentivo
Com foco na formação qualificada dos educadores, o coordenador de Eventos e Concursos do Centro Universitário Fundação Santo André, José Luís Laporta, apresentou dados polêmicos que estimularam o debate entre os participantes do ciclo.
O professor mostrou que o déficit de professores nas últimas séries do ensino médio é cerca de 710 mil profissionais no País e que mais da metade dos cursos de formação de professores tem vagas ociosas. Além disso, apenas 2% dos candidatos a vestibular se interessam por carreiras de licenciatura.
“Isso se deve porque nossa carreira está desvalorizada socialmente, mal remunerada e com rotina desgastante”, afirmou Laporta.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
