O dia foi de transtorno no Centro Hospitalar de Santo André (CHSA), nesta segunda-feira (28/02), para cerca de 200 pessoas que buscaram atendimento oftalmológico devido a um surto de conjuntivite. Desde o início do mês a região registra um aumento de casos da doença. Em Santo André, o sistema hospitalar conta apenas com dois especialistas para atender a demanda de pacientes, que chegam a esperar por mais de sete horas por uma consulta.
Segundo um funcionário unidade de saúde que não quis se identificar, o equipamento público conta apenas com dois médicos e um aparelho para exames e a fila de espera para atendimento ultrapassa a marca de 200 pessoas por dia. “Estamos com um surto de conjuntivite há cerca de um mês e desde este sábado (26/02) a Prefeitura se recusa a atender pacientes de outros municípios”, revela.
Na semana passada, a reportagem já havia questionado a Prefeitura sobre o problema. Em nota, a assessoria de imprensa informou que as demais cidades da região encaminham seus pacientes para o Centro Hospitalar, que é referência no ABC. Segundo a administração, o alto número de pacientes acarreta fila de espera e não tem como ser diferente, uma vez que a demanda está além do esperado, segundo programação estatística.
Quando questionado sobre o fato de a unidade não atender pacientes de fora de Santo André, a administração informou existir um protocolo nos sete municípios que determina que os atendimentos só podem ser realizados mediante a encaminhamentos. Dessa forma, só passam pela consulta pessoas encaminhadas pelas Secretarias de Saúde dos outros municípios do ABC.
Segundo o NECIH (Núcleo Epidemiológico e Controle de Infecção Hospitalar) do Centro Hospitalar, é comum neste período do ano o surto de conjuntivite por se tratar de uma doença típica de verão.
Pacientes reclamam do atendimento
Cansada de aguardar, a auxiliar geral de comércio, Marilene Ribeiro de Souza, foi uma das pacientes que foram reclamar junto à recepção sobre a demora no atendimento. “Ao invés de reforçarem o atendimento eles chamaram a guarda municipal, diz.
O operador de telemarketing Thiago Rafael Cruz contou que passou a manhã desta segunda-feira (28/02) no pronto atendimento central do município e foi encaminhado para o Centro Hospitalar com suspeita de conjuntivite. “Já são quase duas horas da tarde, perdi o dia de trabalho. Eles alegam que não há médico, reclama.
A idosa Audália Josefa, de 74 anos, aguardava atendimento desde 9h30 na manhã. De acordo com a filha, Elisabete de Oliveira, ajudante geral, os idosos e as crianças deveriam ter prioridade no atendimento. “A cada meia hora vemos entrar umas sete pessoas. Se continuar assim vamos ser atendidas amanhã (terça-feira)”, comenta Elisabete.
O fato de o atendimento de crianças e adultos não ser separado incomoda a dona de casa Eva Aparecida Ervolino, que desistiu de esperar a neta de um ano e sete meses ser atendida por volta das 16h20. “Estou aqui dentro de um hospital desde antes das 10h da manhã com uma criança correndo risco de contrair novas doenças. Agora ela está com fome e não dá mais pra esperar”, destaca.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
