ABC - terça-feira , 30 de junho de 2026

A cada 100 mil doadores de medula, só um pode salvar vidas

A luta para achar um doador de medula óssea é longa. Segundo a Abrale (Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia), a probabilidade de achar um doador de compatível ao paciente é de um em cada 100 mil doadores.

De acordo com a onco-hematologista e coordenadora do Comitê Científico da Abrale, Ana Lúcia Cornacchioni, a falta de doadores é decorrência do preconceito e da falta de informação. “As pessoas acham que doar medula óssea é tirar um pedaço do corpo, sendo que as células do sangue são renováveis e a doação não tem nenhum feito colateral”, afirma.

A recuperação após a doação é tranquila e dura, em média, quatro horas por via coleta de sangue e um dia via medula óssea com sedação. “Por via medula, a pessoa é liberada no final do dia e terá um dia normal no dia seguinte”.

Um caso recente que chamou a atenção para o problema foi o da atriz Drica Moraes, que recebeu a medula de um doador não aparentado no último dia 23, a partir de busca no Redome (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea). Segundo o último boletim médico do Hospital Albert Einstein, o quadro de saúde é estável, sem sinais de complicações ou infecções.

Fila

Embora atualmente exista cerca de 1,5 milhão de cadastrados como doadores voluntários, mais de 2,5 mil pacientes não encontram um doador na família e estão à espera de um doador 100% compatível. “A chance de achar um doador compatível na família é de 15%, já fora da família é um em 100 mil”, diz Ana Lúcia.

Para doar, a pessoa deve ter entre 18 e 54 anos, comparecer a um hemocentro de sua região e cadastrar-se no Redome. Deve apresentar RG e CPF originais, e fornecer os dados de identificação e localização, coletar uma amostra de 10ml de sangue para a realização do exame de compatibilidade, conhecido como Tipagem HLA que registra a identidade genética e se houver algum paciente compatível, a pessoa será convocada para fazer novos exames até a doação completa. De acordo com Ana Lúcia, esse procedimento dura em média quatro meses.

Células tronco

Outra forma de encontrar células-tronco é pelo cordão umbilical do recém-nascido. Em São Paulo, o Inca (Instituto Nacional do Câncer), o Hospital Albert Einstein, o Sírio Libanes e a Unicamp colhem e armazenam os cordões umbilicais doados após o parto. “O Brasil tem dificuldades de armazenar e colher por ser um procedimento de custo muito elevado para o SUS (Sistema Único de Saúde), mas estão aumentando a quantidade de locais gradativamente”.

Algumas pessoas optam por armazenar os cordões em bancos privados que custa em média R$ 5 mil por mês, mas segundo Ana Lúcia um cordão umbilical não é capaz de povoar por completo um adulto, pela pouca quantidade de células encontradas no sangue, sendo sempre necessário um outro doador complementar.

SP faz 1 em cada 5 transplantes em pacientes de fora

Um em cada cinco pacientes transplantados em hospitais paulistas são residentes de outros estados brasileiros. É o que aponta levantamento da Secretaria de Estado da Saúde, com base nos 7.580 transplantes de doadores falecidos realizados em São Paulo durante o ano passado, incluindo órgãos e córneas.

Desse total, 1.632 transplantes, ou 21,5%, beneficiaram pacientes que moram em outros estados. A legislação brasileira permite que pessoas residentes em um estado sejam inscritas na lista de espera de outra localidade.

No caso dos transplantes de pâncreas, 46,5% dos pacientes que receberam o órgão em hospitais paulistas moravam em outros estados. A situação foi a mesma para 24,7% dos transplantados de córneas, 24,7% dos que receberam transplante simultâneo de pâncreas e rim, 18,1% dos transplantados de fígado, 12,5% dos que receberam um pulmão, 10,8% dos que ganharam um novo coração e 6,1% daqueles que receberam um rim.

Dos 1,6 mil transplantes para pacientes de outros estados realizados em São Paulo em 2009, 619 beneficiaram pessoas residentes no Rio de Janeiro. Outros 315 transplantes foram realizados em pacientes moradores de Minas Gerais, 101 da Bahia e 55 de Goiás. Todos os estados e o Distrito Federal tiveram pacientes beneficiados por transplantes realizados em São Paulo.

Em alta

O número de transplantes de órgãos no Estado de São Paulo cresceu 31,6% nos cinco primeiros meses deste ano, na comparação com igual período de 2009. É o que aponta balanço da Secretaria com base nos dados da Central de Transplantes.

De janeiro a maio foram 1.044 transplantes, contra 793 nos cinco meses iniciais do ano passado. O total de cirurgias de pulmão praticamente triplicou no período, passando de 12 para 32, enquanto os transplantes de rim cresceram 41%, de 441 para 622, e os de fígado, 19,3%, de 243 para 290.

O resultado é fruto do crescimento de 34,5% registrado no número de doadores de órgãos este ano, na comparação com os cinco primeiros meses de 2009. De janeiro a maio houve 382 doações, contra 284 no mesmo período de 2009.

Segundo o levantamento, o total de transplantes de pâncreas e de coração ficou estável. Houve 59 transplantes de pâncreas de janeiro a maio de 2010, contra 54 no mesmo período do ano passado. Já o número de transplantes de coração foi de 41 nos cinco primeiros meses deste ano e 43 no mesmo período de 2009. (Colaborou Heloísa Resende)

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