ABC - sábado , 17 de outubro de 2026

Médicos cubanos começam a atuar em Santo André, São Bernardo e Mauá

A Unidade de Saúde da Família Moysés Fucs, em Santo André, recebeu nesta quinta-feira (7) o médico cubano Rafael Enrique Alfonso Bourricaudy. Formado pela Universidade Médica de Santiago de Cuba em 1996, o médico de 41 anos é casado, tem dois filhos e já atuou três anos na Venezuela. Bourricaudy é um dos 25 cubanos recepcionados semana passada no ABC, vindos por meiodo programa Mais Médicos, do governo federal.

Os sete profissionais de Santo André e São Bernardo, além dos seis de Mauá, começaram a atuar nas unidades direcionadas pelos municípios nesta quinta-feira (ver mapa ao lado). Em Ribeirão Pires, os três médicos de fora estão em fase de integração para conhecer o trabalho desenvolvido na rede municipal de saúde e devem começar a atuar na segunda quinzena de novembro. Rio Grande da Serra esperava um cubano, apesar de o Ministério ter mandado dois.

Quirino Martinez Rodrigues, 48, também recepcionado em Santo André, tem 23 anos de experiência. Disse que os brasileiros, grosso modo, precisam de mais atenção e que, portanto, os esforços serão no sentido de humanizar o atendimento médico. “É isso o que está faltando, o contato direto (com o paciente). Nós estamos acostumados a atuar dessa forma, está na nossa formação desde pequenos”, comenta. Rodrigues vai atuar na região do Recreio da Borda do Campo.

Os médicos cubanos foram indicados aos municípios por meio de acordo entre o Ministério da Saúde do Brasil e a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS). A instituição é responsável por realizar o chamamento dos profissionais de Cuba para programas como o Mais Médicos, para atender unidades que não despertaram o interesse de nenhum profissional brasileiro e estrangeiro.

No termo de cooperação assinado em agosto, ficou definida a vinda de 4 mil profissionais de Cuba, entretanto, até o fim do ano, outros 3,6 mil profissionais cubanos chegam ao Brasil para ocupar os postos remanescentes após novas rodadas de chamamento individual de brasileiros e estrangeiros, com edital previsto para dezembro.

Na terceira chamada do programa Mais Médicos, Diadema aguarda ser contemplada com algum profissional, pois solicitou 35 médicos na segunda etapa do programa, mas não recebeu nenhum. A cidade tem carências em todas as unidades básicas, especialmente de generalistas para as 15 unidades de Saúde da Família. Já São Caetano não necessita de profissionais e desfez a adesão ao programa federal.

No total, o ABC recebeu 30 profissionais, visto que São Bernardo recepcionou anteriormente um brasileiro em atuação na unidade Batistini, um brasileiro com formação no Exterior na unidade Santa Cruz e um mexicano na unidade São Pedro, além de Santo André que mantinha um brasileiro na unidade do Jardim Irene e Rio Grande da Serra, com um intercambista.

APMs continuam com aversão ao programa

Após a chegada dos profissionais pelo Mais Médicos, a Associação Paulista de Medicina realiza reuniões para abordar o assunto e ainda mantém rejeição ao programa federal. Sandra Cayres Naufal, diretora de Defesa Profissional da APM São Bernardo e Diadema, diz que a transferência para o Ministério da Saúde a responsabilidade de emitir o registro provisório para que os médicos com diplomas do Exterior possam trabalhar no programa é absurdo. “Antes a emissão era feita pelos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs), mas como eles (o conselho) recebiam documentos incompletos ou que não eram válidos no Brasil, o registro não era permitido. Se o governo libera mesmo assim, alguma coisa está errada”, aponta a oftalmologista.

Para o vice-presidente da APM de Santo André – que contempla Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra –, Adriano Valente, o programa é falho pela sua característica míope. “A demanda parece ser a falta de médicos para algumas regiões do País, porém ninguém perguntou os reais motivos para isto, com certeza não é o número de profissionais existentes e sim uma série de questões de infraestrutura de trabalho que um prédio com paredes e uma maca não resolvem”, afirma.

Sandra Naufal defende apenas o direcionamento dos profissionais em São Bernardo para unidades básica de saúde localizadas, realmente, em regiões prioritárias como São Pedro, Finco e União. “São unidades com características específicas de carência e que precisam de uma atenção redobrada, mas que não possuem mais profissionais por falta de investimento municipal em melhores salários e condições de trabalho para atender os pacientes”, diz a oftalmologista.

O Ministério da Saúde é responsável apenas pela bolsa mensal de R$ 10 mil, que será encaminhada à OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde). A instituição, por sua vez, repassará o recurso ao Ministério da Saúde Cubano, que fez convênios individuais com os profissionais cubanos. No caso dos brasileiros, a bolsa é recebida no valor integral, segundo o Ministério da Saúde.

Cabe aos municípios contemplados o custeio de hospedagem ou repasse de aluguel (de R$ 500 a R$ 2.500), auxílio alimentação (de R$ 371 a R$ 500) e vale-transporte.

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