
A Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (ANEF) divulgou o seu balanço com os dados completos do mês de setembro de 2026. O levantamento consolida o panorama de emplacamentos de veículos novos e usados, além dos indicadores de financiamento, juros e inadimplência no país. Os números confirmam uma tendência de desaquecimento na comparação mensal, embora o acumulado do ano (YTD) preserve um saldo de crescimento.
Em setembro, o total de veículos financiados somou 670.675 unidades, representando um recuo de 1,9% frente a agosto de 2026. O resultado foi impactado principalmente pela retração de 2,6% nos modelos usados (399.970 unidades), enquanto o segmento de veículos novos registrou uma queda menor, de 1,0% (270.705 unidades). Do total de transações de crédito no mês, os usados responderam por 59,6% e os novos por 40,4%. Na comparação com setembro do ano anterior, contudo, o volume total de financiamentos avançou 2,8%.
Mercado de veículos zero quilômetro e usados
O mercado de emplacamentos de veículos novos manteve um ritmo de estabilidade com viés de alta em setembro, totalizando 510.170 unidades — um crescimento de 1,2% sobre agosto. O destaque ficou com o segmento de Automóveis (216.741 unidades, alta de 1,7%) e Comerciais Leves (52.542 unidades, alta de 4,1%). No ranking de modelos zero quilômetro, o VW Polo liderou a categoria de automóveis e a Fiat Strada manteve o topo em comerciais leves.
Já o mercado de seminovos e usados registrou 1.672.963 transferências em setembro, volume 1,6% inferior ao de agosto. Apesar da queda mensal generalizada nos segmentos de automóveis, motos e pesados, o acumulado do ano para os usados, de janeiro a setembro, atingiu 14,2 milhões de unidades, ficando 5,4% acima do mesmo período de 2025.
Para Enilson Sales, presidente da ANEF, o comportamento do mercado em setembro consolidou as percepções anteriores de perda de tração econômica. “No mês de setembro, a percepção de desaquecimento do mercado assumiu contornos definitivos, deixando claro que os índices de crescimento em vendas e crédito já não eram tão robustos e saudáveis quanto os números da abertura do ano”, analisa Sales.
“A queda de -1,9% em concessões de crédito em relação a agosto/26 trouxe a notícia de que o fechamento do ano de 2026 não será tão bom quanto esperado. Ainda assim, os números acumulados de set/26 mostram 9,1% maiores, e devemos fechar em algo positivo entre 6% e 7%”, completa Sales.
O executivo ressalta que o saldo da carteira de crédito saltou para R$ 552 bilhões, impulsionado por um ticket médio mais elevado dos automóveis e prazos de financiamento estáveis. No entanto, Sales alerta para o cenário macroeconômico de forte pressão na ponta do consumidor. “Os juros para pessoa física se mantiveram em alto patamar e a inadimplência segue batendo recordes, superando os 7% para pessoa física. Nada nos faz crer que o cenário se altere, pois a conjuntura econômica atual não dá grandes alterações para os últimos 3 meses do ano”, completa.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
