
A pesquisa realizada pela Strong Business School, em parceria com a Acisa (Associação Comercial e Industrial de Santo André), mostra que o comércio do ABC deve movimentar R$ 147 milhões em presentes para o Dia das Crianças, 8,9% acima dos R$ 135 milhões de 2025. Para o economista e professor Sandro Maskio, a pesquisa revela mais que um momento positivo em outubro, mas uma previsão mais positiva para as datas importantes do fim de ano, como a Black Friday e o Natal.
A pesquisa foi realizada entre 9 e 29 de setembro e aponta que o consumidor está disposto a gastar, em média, R$ 508 neste Dia das Crianças. Na hora de escolher cada presente, os entrevistados declararam disposição para pagar, em média, R$ 298 para meninos e R$ 231 para meninas. Essa alta de quase 9% em relação ao ano passado, representa um crescimento real de 4,4%, descontada a inflação acumulada de 4,22% até agosto, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).
O estudo considerou uma população regional de aproximadamente 2,8 milhões de habitantes, cerca de 800 mil famílias e estimativa de que que 525 mil famílias deverão presentear ao menos uma criança no próximo dia 12 de outubro. Para Maskio o Dia das Crianças, a Black Friday e o Natal vão se beneficiar do efeito do 13° salário e também porque o está melhor o índice de confiança do consumidor diante do nível de emprego melhor.
“Viemos de uma sequência de datas comemorativas com evolução positiva ao longo do ano, agora temos o efeito do 13° e estamos com um mercado de trabalho mais aquecido e com grau de formalização maior. Apesar do juro alto e um comprometimento de renda das famílias significativo o consumidor está mais disposto gastar nessa época. Isso ocorre por causa do maior nível de empregos, sobretudo os empregos de menor qualificação, onde o trabalhador tem facilidade de se recolocar rapidamente. Isso resulta no índice de confiança do consumidor. Essa é uma medida interessante de analisar e significa que mercado de trabalho aquecido melhora o índice de confiança do consumidor”, aponta o economista responsável pela pesquisa.
A pesquisa mostra que metade dos entrevistados, 56,3%, declarou que pretende gastar mais neste Dia das Crianças do que no ano passado, enquanto 30,5% disseram que deverão manter aproximadamente o mesmo nível de gastos. Dentre os entrevistados 17,7% pretendem gastar até R$ 100 com os presentes e 27,2%, entre R$ 101 e R$ 200. A maior parcela, 35,4%, projeta desembolsar entre R$ 201 e R$ 500, enquanto 19,7% afirmam que pretendem gastar mais de R$ 500. O desejo da pessoa que receberá o presente é o principal fator de escolha para 29,5% dos consumidores. O preço vem logo depois, citado por 26,5%, seguido pela qualidade do produto, com 21,2%. Descontos e promoções aparecem com 7,4% e a possibilidade de parcelamento, com 4,2%.
Filhos e sobrinhos concentram a maior parte dos presentes. Os filhos representam 28,6% das crianças que deverão ser presenteadas e os sobrinhos, 27,3%. Na sequência aparecem afilhados, com 9,9%, e netos ou bisnetos, com 7,6%. Entre os presentes escolhidos para os meninos, vestuário e calçados lideram, com 13,8% das intenções, seguidos por jogos educativos ou de montagem, com 10,4%, e carros ou motos de brinquedo, com 9,1%. Para as meninas, bonecas e vestuário/calçados dividem a liderança, ambos com 14,8%. Maquiagem aparece na sequência, com 8,9%, percentual inferior ao registrado no ano passado.
Para Maskio, para a maioria das famílias o item vestuário tem importância maior, diante da racionalidade da compra, embora o brinquedo ainda seja muito presente na preferência. “O vestuário cai na racionalidade, ele sempre esteve entre as principais opções de presente e está ligado mais à necessidade da criança, é uma preocupação funcional”, analisa.
Internet x loja
A compra pela internet é cada vez mais representativa em qualquer segmento ou data comemorativa. A pesquisa Strong Business School/Acisa, aponta que 41,5% dos entrevistados pretende comprar on-line o presente das crianças, os shoppings centers aparecem em segundo com 29,3% da preferência seguido pelo comércio de rua dos centros, com 20,2% e pelo comércio de bairro, que tem 9%.
Os números mostram que as vendas nas lojas físicas ainda são maioria; 58,5% se somados os shoppings e os comércios de rua dos centros e dos bairros. Para Maskio, vantagens e comodidades da compra on-line, tais como entrega em casa, facilidade de troca e grande oferta de produtos e preços para pesquisar, a fazem mais atrativa. “A internet tem ganho espaço e a experiência de experimentação do produto na loja física ocorre em momento diferente do momento da compra, ou seja, a pessoa olha e vê o produto para comprar depois. A internet permite uma comparação de preços muito rápida e traz facilidade nesse mundo corrido em que as pessoas não têm tempo para nada. Mas os números mostram que o comércio físico ainda é muito forte e que tem seu espaço. O comércio de rua é mais forte no centro e o do bairro tem a vantagem da proximidade”, analisa o professor.
Os consumidores que pretendem fazer suas compras em shopping centers projetam o maior desembolso: gasto total médio de aproximadamente R$ 808, acima da média geral de R$ 508. Entre aqueles que escolherão o comércio de rua no centro da cidade, o gasto total planejado é de cerca de R$ 580. Pela internet, a média fica próxima de R$ 369 e, no comércio de bairro, em torno de R$ 334. Para o economista, o shopping tem um tíquete maior, não apenas por causa dos preços, mas pela experiência, que estimula o consumo. “As famílias podem combinar de sair para comer um lanche e já aproveitar para comprar o presente, e aí a compra vira um evento em família”, completa.
Por fim a pesquisa também analisou as formas de pagamento mais usadas e o dinheiro em espécie é cada vez menos utilizado sendo os cartões e o pagamento digital os meios mais comuns. O cartão de crédito parcelado lidera a preferência, escolhido por 30,8% dos entrevistados. O PIX vem em seguida, com 26,6%, seguido pelo cartão de crédito à vista, com 19,2%, e pelo cartão de débito, com 18,1%. Apenas 5,3% afirmaram que pretendem pagar em dinheiro.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
