Segundo a Acisa (Associação Comercial e Industrial de Santo André) as mudanças propostas pela prefeitura para revitalizar o Centro comercial, que envolve a rua Coronel Oliveira Lima e a avenida Senador Fláquer, devem também considerar a melhoria da segurança no entorno para que os consumidores se sintam seguros e movimentem os comércios. O presidente da associação, Evenson Robles Dotto, comentou sobre o tema durante entrevista ao RDCast.
Segundo Dotto a modernização do coração comercial de Santo André, que pode ser considerado o centro expandido da cidade, vai trazer mais vigor para o comércio, mas isso implica em diversos investimentos não apenas do poder público municipal, mas também do Estado, com a segurança, das operadoras de serviços públicos como Sabesp e Enel e até os próprios comerciantes devem pensar como reestruturar suas lojas e também torná-las atrativas.
“Modernizar é sempre é maravilhoso, vai melhorar o ambiente de compras, mas com isso também tem que vir, e acho que vir até mesmo antes da reforma, a sensação de segurança. Não adianta fazer o negócio bonitão lá, mas que em determinado horário não se pode entrar em loja porque não tem segurança. O projeto é muito bom; é legal porque vai arrumar o piso, a cobertura, vai arrumar geral, é bonito, bom demais, mas se a população não tiver a sensação de segurança de que ela pode ir lá a qualquer hora comprar, o comércio vai ficar às moscas e comércio sem cliente fecha”, analisa
A prefeitura está realizando uma escuta pública e, inclusive, o projeto já foi levado para a apreciação da Acisa, que agora levará para os comerciantes fazerem suas observações e sugestões. Para Dotto ninguém vai ser contra o projeto de revitalizar o Centro, mas o comerciante quer dar sua opinião. “A prefeitura esteve lá na associação, apresentou o projeto e agora vamos falar com os comerciantes, ninguém vai ser contra, mas a grande demanda hoje é a segurança”, disse Dotto.
A proposta de agregar novos tipos de comércio criar alamedas com restaurantes e que as ruas interliguem equipamentos de lazer e cultura é a proposta da prefeitura. De novo, se não for pensada uma forma de que o policiamento seja eficiente, a estratégia pode não dar certo. “Quem vai ao restaurante à noite se não tem segurança? E se tiver um teatro ou um show de noite como as pessoas vão embora? Se organizar lá essa parte de gastronomia, outros estabelecimentos virão, mas tem que ter esse ambiente seguro. A Operação Delegada, onde o policial faz hora extra, já foi ampliada, mas a sensação de segurança leva um tempo para as pessoas perceberem”.

Outra observação de Dotto sobre as futuras obras de revitalização do centro comercial de Santo André é sobre a fiação. Na opinião dele, os fios deveriam ser enterrados e não em postes, o que possibilitaria um trabalho melhor com as fachadas e os espaços públicos. “Eu acho que aos poucos poderia ir fazendo, dizem que é megacaro, eu não sei, acho que não é tanto assim, acho que aos poucos daria para fazer”, observa.
E-commerce
O comerciante, com as mudanças no Centro também terá um incentivo e quase uma obrigação de modernizar sua loja para atrair a clientela. O mercado hoje também exige que esse empreendedor esteja no mercado digital para não perder espaço para a concorrência. Evenson Robles Dotto, explica que a Acisa está preparada para municiar o comerciante de informação e até indicar ferramentas de crédito para essa nova realidade.
A Acisa tem uma série de cursos para que o comerciante esteja bem informado sobre o que está acontecendo e, principalmente como enfrentar o e-commerce. “Se antes o comerciante via o que o concorrente colocava na vitrine, hoje o concorrente nem se sabe de onde vem, mas tenho que estar preparado, o comércio de rua nunca vai acabar, ele é forte, em qualquer lugar do mundo, mas tem que se modernizar, tem que atuar no digital, mexer no atendimento ao cliente, a experiência do cliente na loja tem que mudar. A Acisa faz muitas palestras sobre isso com gente que conhece do assunto e não precisa nem ser sócio é só entrar no site e ver quando será a próxima palestra”, explica.
Para reformar as lojas, há crédito com juros mais baixos através do Sicoob, cooperativa de crédito que nasceu dentro da Acisa. “A prefeitura pode até pintar de ouro a rua, mas se a loja não estiver atrativa as pessoas vão continuar não entrando. Temos um curso em que a Acisa ensina o que pode fazer na loja e o comerciante pode recorrer ao Sicoob, que lá tem crédito e é muito mais barato que outro banco”, orienta.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
