
Entre janeiro e agosto de 2026, o Zoo Municipal de São Bernardo recebeu 244 aves, número 140% maior que o registrado no mesmo período de 2025. A tendência é de aumento nos próximos meses com a chamada temporada de filhotes, quando cresce o número de aves jovens encontradas pela população e encaminhadas para atendimento.
Ao encontrar uma ave silvestre, a orientação é observar a situação antes de tentar qualquer intervenção. Segundo o veterinário responsável pelo atendimento dos animais no Zoológico, Marcelo Gomes, a pessoa não deve tocar ou tentar capturar o animal. O ideal é manter distância e evitar a aproximação de pessoas e animais domésticos.
“Verifique se o animal realmente está ferido ou se apenas está em uma situação natural, como no caso de filhotes que ainda estão aprendendo a voar”, orienta.
No caso das aves jovens, também é importante observar se há adultos da mesma espécie nas proximidades. “Muitas vezes, os pais estão por perto cuidando do filhote. Não retire o filhote do local sem necessidade”, afirma Gomes.
Quando houver sinais de ferimento, risco imediato ou debilidade, a recomendação é não oferecer comida, água ou medicamentos e não tentar realizar o resgate por conta própria. O atendimento deve ser acionado pelos canais responsáveis: GCM Ambiental (153), Polícia Militar Ambiental (190) ou Corpo de Bombeiros (188).
Mais aves, maior demanda
O aumento no número de aves recebidas também eleva a demanda por atendimento veterinário e acompanhamento especializado. Segundo Marcelo Gomes, os filhotes exigem cuidados específicos, que podem se estender por períodos mais longos.
“Eles precisam de cuidados mais frequentes, acompanhamento por períodos mais longos e uma rotina de alimentação e manejo adequada a cada espécie”, explica.
Entre os animais encaminhados ao centro de triagem, a taxa de mortalidade é de aproximadamente 40%, segundo o veterinário, principalmente em razão das condições de saúde apresentadas no momento do atendimento.
“Nesse cenário, o atendimento especializado tem papel fundamental na recuperação dos animais e nas possibilidades de retorno à natureza”, afirma.
Reabilitação
A bióloga Julia Furgeri explica que o Zoo recebe diferentes espécies de aves jovens durante a temporada de filhotes. Entre os animais atendidos atualmente estão filhotes de bem-te-vi e quero-quero.
“O processo de reabilitação varia conforme a espécie, a idade e as condições clínicas de cada animal. Um tucano adulto, por exemplo, pode ter condições de ser devolvido à natureza após receber os cuidados necessários. Já filhotes, como os de quero-quero, demandam uma avaliação mais criteriosa antes da soltura, justamente por ainda estarem em fase de desenvolvimento”, explica.
A destinação dos animais também é definida caso a caso após o período de recuperação. Segundo o Zoo, cerca de 30% são soltos próximos ao local onde foram encontrados. Outros 30% permanecem na unidade, conforme avaliação técnica e as condições de cada animal.
Além do tratamento veterinário e da reabilitação, o atendimento aos animais silvestres também permite orientar a população sobre como agir diante de situações envolvendo a fauna. A recomendação é evitar a retirada desnecessária de filhotes da natureza e procurar ajuda especializada quando houver sinais de ferimento ou risco.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
