A vereadora de Santo André, Ana Lúcia Ferreira Oliveira Meira, ou Doutora Ana Veterinária (PSD), como é conhecida no meio político, é candidata a deputada federal. No segundo mandato no parlamento andreense, a candidata destacou em entrevista ao RDCast desta quinta-feira (01/10) suas propostas na área de saúde da mulher, de segurança para a mulher, de cuidado com os animais e também da importância da eleição de candidatos da região para a manutenção de políticas públicas. Ela também comentou sobre a violência durante a campanha, que teve materiais destruídos e teve até que mudar comitê eleitoral por conta de ataques políticos.
A candidata disse que foi convidada para disputar o pleito diretamente pelo presidente do PSD, Gilberto Kassab. “Ele disse que precisava de mulheres representando na Câmara Federal. Essa é uma valorização do trabalho que já fiz em Santo André, portanto não é só sair candidata simplesmente é sair por contra do trabalho já realizado. O convite motivou cada vez mais a minha luta por causa dos nossos animais, em defesa da mulher, ao empreendedorismo feminino, da nossa saúde e dos animais. Então é uma motivação do trabalho que já realizei em dois mandatos. Importante ocuparmos a vaga por trabalho e não só para cumprir cota, hoje eles buscam, mulheres com trabalho de verdade para terem chance real”.
SUS Animal
Uma das propostas é a implementação de uma rede de atenção aos animais, o SUS Animal. “É isso que nós lutamos todo dia para conseguir, é minha missão de vida. Me formei veterinária, a única profissão que sempre desejei e desde recém formada atendia famílias que não tinham condições de custear um tratamento particular. Estou há 24 anos com a clínica e vi a necessidade de ter um serviço público gratuito, mas não é só em Santo André, precisa ter isso em todas as cidades funcionando 24 horas por dia com as especialidades com o SAMU animal, microchipagem e aumentar a castração. Eu participei da implantação do hospital público veterinário, que era meu sonho, e hoje temos em Santo André, mas precisamos ter em todos os municípios. A luta que não vai ser fácil, mas tem que iniciar de alguma forma e como deputada federal vamos lutar para isso”, destaca.

Autora de lei municipal que inclui das equipes de saúde da família um médico veterinário, a vereadora quer, se eleita deputada federal, implementar abrigos para animais vítimas de violência que seriam custadas pelos agressores. “Assim vamos mudando a cultura das pessoas quando dói no bolso. Também precisamos de leis mais rígidas e aumentar o número de castrações. Outra coisa é trabalhar mais a educação das crianças para mudarmos a cultura de abandono”.
Raiva
As zoonoses, doenças que passam do animal para o homem estão aumentando e muito por conta da falta de vacinação, na opinião da candidata. Ela quer fazer com que as campanhas para vacinar os animais sejam amplamente divulgadas como já foram no passado.
“Estamos vendo doenças voltarem por falta de vacinação. O Estado diminuiu as doses que mandava para os municípios. Eu sou do tempo que tinha o mês do cachorro louco e tinha campanha em massa dentro das escolas e postos vacinando os animais. A população já sabia que, naquela época, tinha que vacinar então incentivasse a vacinação, mas pararam o programa de vacinação em massa e com isso estão voltando doenças como a raiva, que não tem cura nem para nós, nem para os animais. Tem que voltar essa cultura de vacinação em massa e isso está dentro do meu plano de atuação”.
Mulher
No tema violência contra a mulher, Ana defende que as leis devem ser aplicadas de forma mais efetiva e ampliar o tornozelamento de agressores de mulheres para que sejam monitorados. “A primeira coisa é cumprir a lei, após a audiência de custódia, todo agressor deve sair com tornozeleira eletrônica porque o agressor sai com papel e muitas vezes vai se vingar e isso não garante a segurança. O número de tornozeleiras é pequeno e seu uso triangula a vítima, agressor e a polícia”, sustenta.
Ela também defende que todas as as cidades tenham DDMs (Delegacias de Defesa da Mulher) funcionando 24 horas por dia. Nas sete cidades do ABC apenas duas cidades – São Bernardo e Diadema – passaram a ter esse serviço ininterrupto apenas este ano, depois de décadas de cobranças. “70% dos casos acontecem à noite e em fins de semana, quando as delegacias estão fechadas. Aqui em Santo André vamos ter também a DDM 24 horas até o fim do ano, mas precisa ser em todas as cidades”.
A candidata a deputada federal também defende formas de amparo à mulher na área de capacitação profissional para que elas deixem o ciclo de violência podendo trabalhar, se sustentar e a seus filhos. “Fazemos em Santo André a Feira da Mulher Empreendedora, começamos com 40 microempreendedoras, e hoje passamos 240 mulheres. Temos projeto em Santo André de inclusão, na grade curricular das escolas, da Lei Maria da Penha de forma leve e lúdica, para levar o assunto até as crianças, adolescentes e trabalhar isso na escola. Através da educação vamos conseguir realizar várias mudanças culturais do país. Podemos mostrar que ser homem não é se impor, não é mandar, não é bater e nem gritar”.
Mulher na política
Com apenas um terço de mulheres na lista de candidatos desta eleição, a participação da mulher na política está, aos poucos, sendo incentivada. Segundo Ana Veterinária o eleitorado já procura estudar o perfil das candidaturas de mulheres. “Estou na minha quarta campanha e é a primeira vez que escuto mulheres dizendo que vão votar em mulher; um volume maior de pessoas falando do voto feminino. E tem também mais gente querendo saber sobre os candidatos, devagarzinho estamos levando informação para a população, a política não se faz a cada dois anos, a população tem que participar ativamente da política, cobrar os seus candidatos. Tem políticos que não sabem o que estão fazendo, que não têm proposta, que saem porque são famosos, porque tem rede social grande, mas temos que eleger quem tem trabalho, projeto, propostas de verdade”, diz.
Voto no ABC
Na defesa de mais recursos para auxiliar as prefeituras a manterem seus atendimentos e programas sociais, Ana Veterinária defende a campanha pelo voto nos candidatos do ABC. “Santo André nunca teve uma deputada nascida na cidade. O município pode eleger três, quatro deputados e não tem que ser um deputado contra o outro, um ataque. Temos que ter maior representatividade porque o município precisa ter recursos para a compra de equipamentos, de ambulâncias, manutenção de equipamentos como a Delegacia da Mulher ou os hospitais, então tem muita coisa a ser feita e precisamos do dinheiro que vem de Brasília”.
Violência política
Nesta eleição marcada pela imensa concentração de windbanners nas ruas, também tem sido comum a queixa de candidatos que têm seus materiais vandalizados ou retirados para dar lugar a outros. Ana Veterinária diz que de 200 materiais desse tipo teve uma redução para 40.
“É uma guerra, uma tristeza termos pessoas da nossa cidade com essa postura de desrespeito não só ao candidato, mas à população. Cada um tem o direito de mostrar o trabalho, suas ações, projetos, a sua pretensão política e não ser atacado a todo momento. Comigo foram material, ataque em comitê eleitoral do qual tive que sair. Nas ruas todos os dias o material vem sendo jogado fora, amassado, vandalizado, isso acaba sendo desleal é desrespeitoso. Numa Democracia temos que nos respeitar. O único objetivo (dos candidatos) deveria ser trazer benefícios para a população e não essa desarmonia, esse ataque. Sigo o meu trabalho. Um dia eu tinha 200 windbanners na rua, acordei noutro não tinha nem 40, tem pessoas nas ruas sendo assediadas para não trabalhar mais na minha campanha, então todos os tipos de ataque eu sofri nesta campanha eleitoral acho que nunca sofri tanto quanto nesta. Isso não irá me limitar ou parar as minhas ações” diz a candidata.
Além de denunciar com material probatório essa destruição do material de campanha, a candidata a deputada federal diz que a própria organização do pleito favorece quem tem mais recursos. Segundo ela alguns candidados informa a tiragem de 200 windbanners, mas nas ruas se vê muito mais. “Já é desleal a quantidade de propaganda eleitoral, o que mostra que o dinheiro muitas vezes compra uma campanha. Tinha que ter uma liminação de material por candidato e fiscalizar”, completa.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
