Uma semana após o início da operação dos patinetes elétricos compartilhados em Ribeirão Pires, o serviço já soma cerca de 2 mil usuários cadastrados, segundo a JET, empresa responsável pela operação. Lançado em 22 de setembro, o sistema também acumula mais de 5 mil viagens e quase 10 mil quilômetros percorridos. Ao mesmo tempo em que ganha espaço entre os moradores, a novidade enfrenta reclamações relacionadas ao uso dos equipamentos, à circulação nas vias e ao abandono dos patinetes em locais inadequados.
Entre os principais pontos de preocupação está a falta de infraestrutura específica para esse tipo de deslocamento. Ribeirão Pires possui ciclovias e ciclofaixas, mas não conta com um serviço compartilhado de bicicletas, enquanto os patinetes passaram a circular pela cidade. Na avenida Fortuna, no Centro, por exemplo, adolescentes foram vistos com os equipamentos na contramão, em uma via de grande movimento. Também há registros de dois usuários no mesmo patinete, prática proibida pelas regras do serviço.

A falta de espaços exclusivos faz com que os usuários precisem dividir algumas das principais vias com carros e pedestres, sobretudo em áreas de grande circulação, como o Centro e a Vila do Doce. A situação levanta dúvidas sobre a segurança de quem utiliza o serviço e dos demais usuários das ruas.
Para o morador Rafael Martins, 27 anos, a chegada dos patinetes expõe uma contradição na estrutura de mobilidade da cidade. “A cidade tem ciclofaixa, mas não tem um serviço de bicicleta compartilhada. Agora existe um serviço de patinete, que precisa dividir espaço com carros e pedestres em vários pontos. A ideia é boa, mas seria importante ter uma estrutura que acompanhasse esse tipo de transporte”.
A preocupação também chegou à Câmara Municipal. Na sessão do dia 24 de setembro, o vereador Leandro Tetinha (PRTB) apresentou requerimento ao Executivo com pedido de informações sobre a operação e estudo para implantação de infraestrutura cicloviária nas principais vias. O parlamentar se declarou favorável à alternativa de mobilidade, mas questiona a ausência de locais adequados para a circulação.
Adesão cresce na primeira semana
Apesar das reclamações, os primeiros dias registram forte procura pelo serviço. De acordo com a JET, os cerca de 2 mil usuários cadastrados já realizaram mais de 5 mil viagens, o que totaliza aproximadamente 800 horas de uso. Cada viagem tem duração média de 14 minutos e percurso de 1,5 quilômetro.
O período de maior utilização ocorre entre 18h e 23h, faixa que concentra deslocamentos de volta para casa. Os patinetes têm velocidade máxima de 20 km/h, sistema de freios, luz traseira, placa de identificação e monitoramento por GPS.
A empresa estabelece idade mínima de 18 anos e determina que o equipamento seja utilizado por apenas uma pessoa. Também são proibidos o consumo de álcool antes ou durante a viagem e o transporte de passageiros. Ao fim do trajeto, o usuário deve deixar o patinete em um dos locais autorizados e registrar uma foto pelo aplicativo GO JET.
Regras de uso
A Prefeitura também reforçou as orientações aos usuários após identificar situações consideradas inadequadas, como as citadas na matéria. O município destaca que o patinete não deve ser tratado como brinquedo e alerta para os riscos do transporte de duas pessoas, prática que provoca perda de equilíbrio, quedas e acidentes.
Outro ponto é a circulação pelas calçadas, em que segundo a administração municipal, são espaços destinados apenas aos pedestres e o uso dos patinetes eleva o risco de colisões, sobretudo com crianças, idosos e pessoas com mobilidade reduzida. O estacionamento também exige atenção. Após a viagem, os equipamentos devem permanecer nos pontos autorizados pelo aplicativo, sem bloquear calçadas, entradas, rampas de acessibilidade ou passagens.
A operação começou com 100 equipamentos, 40 pontos de retirada e mais de 90 locais autorizados para encerramento das viagens. A proposta é ampliar as alternativas de deslocamento pela cidade, mas os primeiros dias também colocam em discussão a necessidade de adaptação da infraestrutura e de fiscalização para que o novo meio de transporte seja utilizado com segurança.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
