
Os planos de governo dos dois candidatos melhor colocados nas pesquisas para o governo do Estado de São Paulo, Fernando Haddad (PT) e o candidato à reeleição Tarcísio de Freitas (Republicanos) colocam o tema Segurança Pública não apenas em relevância, mas em primeiro lugar. Candidatos ao Legislativo estadual, dos dois campos políticos e que têm domicílio eleitoral no ABC comentam as propostas e dizem onde a região pode avançar, considerando o que cada plano prevê, e como essas propostas podem ser melhoradas para atender melhor a região.
Entre as propostas do candidato da oposição, Fernando Haddad, estão: a integração das GCMs (Guardas Civis Municipais) com as polícias do Estado, a valorização da carreira policial, o uso de câmeras corporais, equiparar a estrutura das delegacias ao padrão Poupatempo, medidas antifacção, combate ao roubo de celulares e um tópico destinado somente ao combate à violência contra a mulher.
Para o vereador de Diadema e candidato a deputado estadual, Josemundo Dario Queiroz, o Josa (PT), a prioridade dada à segurança pública nos planos de governo dos dois candidatos revela que a população se sente insegura. “É reflexo do sentimendo das pessoas, pois nunca se roubou tanto celular e nunca se viu tanto feminicídio, que são reflexos de uma política de segurança pública que não surtiu efeito. Na minha opinião falta centralidade no assunto, há muitas ações desarticuladas com o Ministério Público atuando numa frente, a Polícia Civil em outra e a Polícia Militar em outra direção. Agora temos as GCMs que estão desarticuladas, cada um no seu quintal. Penso que não tem que ter só a repressão ao crime, tem que trazer a sociedade civil para opinar. Em Diadema, quando criamos a Lei Seca – medida que obriga bares que vendem bebidas alcoólicas a fecharem às 23 horas – nós chamamos a população para opinar e deu certo”, analisa.
Para Josa, a própria estrutura da PM precisa ser repensada com um plano de cargos e salários. “Não é só aumentar salário tem que valorizar a carreira”, aponta o parlamentar que diz não ser fácil um debate sobre desmilitarizar a maior força policial do país. “É uma corporação centenária que tem força e peso, não é simples pensar em desmilitarizar como muita gente fala. Penso que um modelo híbrido, com transição”.

Sobre a proposta do plano de governo petista, de ampliar as DDMs (Delegacias de Defesa da Mulher) que funcionem 24 horas nas áreas onde há mais incidência de crimes, o candidato ao Legislativo estadual considera que é preciso também ampliar a rede de proteção. “Geralmente essa rede só é acionada quando o pior acontece ou quando a mulher decide sair de casa, quando não é ela que tem que sair. Um ponto que os planos de governo não colocam é que o tema violência contra a mulher deve ser discutido na escola, deve fazer parte do currículo escolar obrigatório e a eleição é o momento de debater esses temas sensíveis”, diz o candidato.
Há também espaço para crítica dentro do mesmo campo político. “Faltou colocar no plano a discussão de orçamento para ampliar o efetivo das polícias e melhorar a estrutura das nossas delegacias. Na nossa região eu quero, se eleito, estimular o debate no Consórcio Intermunicipal com a presença dos deputados. São nove deputados estaduais da região e nada se debateu sobre o bilhete único regional e nem a segurança pública eu vejo uma ausência desse debate e uma certa paralisia. Precisamos despartidarizar a segurança”, completa Josa.
O vereador de Santo André, e também candidato a deputado estadual, Rodolfo Donetti (Cidadania) diz que a ampliação do programa Muralha Paulista de monitoramento de divisas das cidades é uma medida acertada na proposta de Tarcísio de Freiras, mas ele propõe aprimoramento. “A expansão do Muralha Paulista é fundamental e o principal passo é a integração total. Além disso a gente tem que colocar a inteligência artificial em todas elas (as câmeras) para que o sistema monitore as divisas que são o nosso principal gargalo, justamente porque falta comunicação. Se eleito, vou usar os quase 25 anos de experiência com policial na rua para justamente destinar emendas para aparelhar os centros de monitoramento locais que são os calcanhares de Aquiles de qualquer cidade. Se tiver um centro de monitoramento moderno a segurança será diferenciada. Vou usar o meu conhecimento para direcionar as câmeras para as manchas de incidência criminal da região”.
Donetti destaca que a integração existente entre as polícias pode ser melhorada. “Tem que fortalecer cada vez mais a Polícia Militar, a Polícia Civil, a Guarda Civil Municipal, a Polícia Penal e a Científica. Todas trabalhando, de fato, em conjunto. Eu quero ser o parceiro técnico para essa engrenagem rodar na prática”, diz.

A proposta valorização profissional dos policiais, que consta do plano de governo do candidato a reeleição ao governo paulista, não cita projeções de reajustes salariais. Para Donetti essa valorização é fundamental para que os policiais estejam motivados e se sintam respeitados. “Para isso tem que ter um reconhecimento salarial, não tem jeito. O governo atual deu os primeiros passos, mas a defasagem histórica é muito grande. Como deputado eleito quero atuar no orçamento e brigar para carimbar recursos destinados aos reajustes anuais aos policiais e a recomposição inflacionária que não acontece. Também vamos atuar nas condições de trabalho, fiscalizar a abertura de concursos públicos e investimentos estruturais para acabar com a sobrecarga que adoece nossos policiais. O policial paulista é o que oferece os melhores resultados do país e ele merece esse reconhecimento no bolso e na infraestrutura”.
Santo André, segundo os números da segurança pública tem um dos maiores índices de roubos de carros do Estado. Esses números, no entanto estão caindo, para Donetti, o governo acertou ao criar o Muralha Eletrônica, porém ainda há muito a fazer para que o cidadão tenha uma maior sensação de segurança. “O crime migra, se tem menos roubo de carro, hoje o maior medo do cidadão de bem é o roubo de aliança e o roubo de celular. Para melhorar isso tem que focar no policiamento preventivo nas periferias. A tecnologia das câmeras precisa ser acompanhada da presença física da polícia. Tem também que asfixiar o mercado ilegal e fechar o cerco nos receptadores, os desmanches clandestinos e aplicar sanções duríssimas. A segurança que tem nos centros tem que ir para as bordas da cidade também”.
O candidato do Cidadania considera que o próximo governo deve investir em formar mais policiais e também aparelhar a Polícia Civil para melhor resultado nas investigações.
Quanto a violência contra a mulher, tema bastante explorado pelos planos de governo, o candidato de Santo André interpreta que a ampliação do horário de funcionamento das DDMs é medida urgente. Na região apenas as DDMs de São Bernardo e Diadema já funcionam 24 horas por decisão recente do governo após muito tempo de espera. “Precisa ampliar a estrutura de atendimento da Patrulha Maria da Penha e o plantão 24 horas das delegacias especializadas. Para que haja eficácia nas medidas protetivas, precisa fazer com que elas sejam fiscalizadas e para isso elas (delegacias) precisam funcionar 24 horas. Defendo integralmente que cada município do ABC tenha uma DDM 24 horas, nós necessitamos porque a violência doméstica não tem hora para acontecer. É inaceitável uma mulher ter que ir para outra cidade para registrar um boletim de ocorrência. Vamos cobrar que concursos aconteçam para implantar o atendimento 24h. Também precisa das salas DDM nas delegacias, a tecnologia pode ajudar”, completa.
Veja a seguir as propostas dos planos de governo dos dois candidatos para a área de segurança pública
Propostas de Fernando Haddad (PT)
1. Criar o Placar da Segurança e garantir que todo crime seja investigado, com registro de ocorrência por aplicativo de mensagens (BO Inteligente) e investigação inteligente imediata durante atendimento do 190 (integrando câmeras, placas e base de dados criminais). O Placar publicará os indicadores de esclarecimento de roubo, furto, homicídio e feminicídio, com dados abertos por região e metas públicas.
2. Firmar o Pacto pela Rua Segura, ampliando a presença da polícia na rua, integrando as Guardas Civis Municipais ao sistema estadual, com marco legal de cooperação e missão definida no policiamento de proximidade, para a PM e com as GCMs. Tudo orientado por inteligência, para colocar a polícia no lugar certo, na hora certa. E vamos devolver ao cidadão o que foi tomado, com um programa dedicado à recuperação de celulares roubados, em cooperação com o Governo Federal.
3. Criar o SP Protege Mulher, Criança e Idoso, com estrutura dedicada e permanente para combater a violência que acontece dentro de casa. Para as mulheres, um sistema em que a plataforma de proteção acompanha os sinais de risco, as Delegacias de Defesa da Mulher funcionam 24 horas nas regiões de maior demanda e a Polícia Militar garante proteção efetiva a quem tem medida protetiva. Para crianças e adolescentes vítimas de violência, atendimento especializado e prova pericial em até 48 horas, para que nenhum caso se perca entre a denúncia e a responsabilização. E para uma pessoa idosa, que sofre calada dentro da própria família, canal de denúncia com resposta e acompanhamento de cada caso.
4. Valorizar e proteger os profissionais da segurança pública, com carreira estruturada, valorização salarial e promoções por critérios profissionais, sem interferência política; amparo jurídico institucional ao policial e apoio à sua família, com a segurança da Caixa Beneficente da Polícia Militar; programa permanente de saúde física e mental, do ingresso à aposentadoria, conduzido por profissionais sem vínculo hierárquico com as corporações; e câmeras corporais que voltarão a ter gravação contínua durante todo o serviço na rua, sem depender do acionamento de cada agente, protegendo o policial e o cidadão.
5. Criar a Agência Estadual Antifacção, estrutura permanente de inteligência e investigação sob a direção estratégica do governador, reunindo Ministério Público, Polícia Militar, Polícia Civil, Receita Estadual e órgãos de controle, integrada por convênio à Receita Federal, ao COAF, ao Banco Central e à Polícia Federal, para desarticular organizações criminosas, bloquear seu patrimônio, impedir sua infiltração na economia formal e destinar socialmente os bens confiscados.
6. Ocupar com a presença do estado os territórios onde o crime recruta: escola em tempo integral com profissão; equipamentos de cidadania com esporte, cultura e atendimento à mulher; e policiamento de proximidade com vínculo territorial. E criar o Alistamento Civil remunerado, para tirar dezenas de milhares de jovens em vulnerabilidade das garras do crime organizado, oferecendo a eles perspectiva profissional e um futuro decente. Cada jovem com futuro é um recruta a menos para o crime.
7. Integrar as Guardas Civis Municipais ao sistema estadual de segurança, por marco legal de cooperação que substitua os arranjos informais de hoje: convênio padrão estável com os municípios, formação certificada pelo estado, acesso aos sistemas estaduais conforme a capacidade de cada guarda e missão definida, policiamento de proximidade, proteção dos equipamentos públicos e inteligência local, sem sobreposição com as polícias estaduais.
8. Implantar o policiamento inteligente, com a viatura no lugar certo e na hora certa, e a câmera vigiando o que a polícia não alcança. As câmeras públicas e privadas conveniadas, a leitura automática de placas e o 190 convergem para Centros Regionais Integrados de Comando e Controle, com financiamento compartilhado entre estado e municípios: o estado presente 24 horas, com a câmera que detecta o veículo roubado, o padrão suspeito e a ocorrência em andamento e dispara o alerta automático para a viatura mais próxima. E o efetivo passará a ser alocado por mapas de calor em tempo quase real, atacando as causas de cada ponto crítico em vez de só reagir à ocorrência: é o Policiamento Orientado ao Problema.
9. Usar a tecnologia para investigar e produzir prova robusta, resolvendo o crime que hoje fica impune. As câmeras deixarão de apenas procurar quem já está numa lista para reconhecer, com inteligência artificial, padrões e séries criminais. Dezenas de roubos soltos viram uma investigação só, com um suspeito. A Base Estadual Integrada de Dados Criminais reunirá ocorrências, investigações, antecedentes, imagens e IMEI; e a imagem virará prova que condena, com cadeia de custódia digital e integração com a perícia. Salvaguardas permanentes: o delegado decide, o sistema organiza; predição territorial, nunca individual; rastreabilidade e auditoria externa de cada consulta.
10. Criar a Delegacia Padrão Poupatempo, levando ao atendimento policial a agilidade e o acolhimento que o paulista já conhece: recepção organizada, fim da espera de horas para registrar uma ocorrência, atendente treinado para acolher a vítima e canais digitais para o que não exige presença, com plantão 24 horas nas regiões de maior demanda.
11. Garantir gravação contínua na câmera corporal, respaldando os policiais para exercer bem a autoridade, com formação de qualidade, protocolos claros e equipamentos modernos. As câmeras corporais terão gravação contínua durante todo o serviço na rua, sem depender do acionamento de cada agente, protegendo o cidadão nas ocorrências e o policial contra acusações injustas.
Carga
12. Institucionalizar o ProCarga como estrutura permanente de combate ao roubo de cargas, com leitura automática de placas nos corredores logísticos, integrada em tempo real aos Centros Regionais e à Agência Estadual Antifacção, compartilhamento formal de dados com transportadoras, seguradoras e embarcadores, e delegacias regionais especializadas em crime organizado em todas as regiões do estado.
13. Criar a força-tarefa permanente do Porto de Santos, com mandato e orçamento próprios, reunindo o estado, a Agência Estadual Antifacção, a Receita Federal, a Polícia Federal, a autoridade portuária e a Marinha contra o tráfico transnacional e o crime que usa o porto como porta de saída.
14. Levar segurança ao campo, com patrulhamento rural orientado por dados e integrado aos Centros Regionais, priorizando o furto de gado, maquinário, defensivos e insumos, e a receptação que o financia, com atenção aos pequenos produtores e articulação com os estados vizinhos nas divisas.
15. Prevenir e combater os incêndios rurais, com central estadual de controle de risco para coordenar equipes e equipamentos, não apenas emitir alertas, capacitação específica do Corpo de Bombeiros para o fogo em área rural, exigência de manutenção das faixas de domínio por concessionárias de rodovias, ferrovias e linhas de transmissão, e linhas de financiamento para o produtor adquirir equipamento de resposta rápida.
Roubo
16. Criar o Meu Celular de Volta, em parceria com o Governo Federal. Roubar um celular hoje não é roubar um aparelho: é levar junto o trabalho, o dinheiro e a memória de uma família. O programa fecha o ciclo inteiro: o boletim dispara o rastreamento por IMEI, o bloqueio e a devolução na mão do dono, e quem comprou aparelho roubado recebe o aviso oficial, devolveu, resolveu; ignorou, responde por receptação. E São Paulo entra com a metade que só o estado pode fazer: desmontar o mercado que torna o roubo lucrativo, pelo caminho da Lei dos Desmanches, IMEI obrigatório na nota fiscal, venda vedada sem comprovante de origem e fiscalização sobre o comércio de usados.
17. Fazer de todo roubo um crime sem lucro, inclusive para o receptador. O que vale para o celular vale para o resto: nada roubado em São Paulo vai encontrar comprador tranquilo. Um grupo permanente entre a Segurança Pública, a Fazenda e a Receita Federal vai cruzar a nota fiscal e o ICMS para achar a loja que vende o que não comprou, o celular, a autopeça, o cabo de cobre que apaga o semáforo do seu bairro, porque o ladrão rouba uma vez, mas o receptador financia o roubo todos os dias.
Mulher
18. Criar o SP Protege Mulher, plataforma estadual unificada de proteção à mulher, que capta, integra e correlaciona os sinais de escalada antes que a violência se torne letal: protocolos padronizados em toda a rede de saúde, educação e assistência social, e base de dados única que rastreia o histórico de contatos da vítima com o estado e acende o alerta quando o risco se acumula, sob protocolo unificado entre Segurança Pública, Judiciário, Ministério Público, Saúde e Assistência Social.
19. Fazer das Delegacias de Defesa da Mulher o centro de decisão da proteção: a DDM recebe os alertas, aplica a avaliação estruturada de risco no registro da ocorrência e, na audiência de custódia do agressor (referência: IARA/MG, Espanha e Portugal), classifica cada caso e gradua a intensidade da resposta, sempre por decisão de profissional. Para isso, recompor e interiorizar a rede: dotação para investigar tentativas de feminicídio, DDMs funcionando 24 horas nas regiões de maior demanda, rede regionalizada com cofinanciamento estadual aos municípios e atendimento jurídico, psicológico e social num ponto só. Um responsável por cada caso de alto risco.
20. Fortalecer e garantir a efetividade da unidade da Polícia Militar dedicada às medidas de proteção à mulher: monitoramento em tempo real das medidas ativas, tornozeleira no agressor com alerta para a vítima, despacho imediato de viatura na violação de perímetro, a qualquer hora, e Patrulha Maria da Penha na ronda. Integração com as Guardas Civis Municipais e plataforma estadual: a proteção acompanha a mulher onde ela estiver.
21. Criar o SP Protege Criança e Idoso, na mesma plataforma, com fluxo próprio para quem não consegue denunciar: a criança relatou fala, e quem percebe é a professora, o médico do posto, o conselheiro tutelar. Os avisos vêm sob protocolo padronizado e acendem o alerta, com escuta protegida e atendimento especializado em parceria com as organizações dedicadas ao enfrentamento do abuso infantil. E coleta e exame pericial obrigatório em até 48 horas nos casos de violência sexual para que a prova não se perca. E para uma pessoa idosa, que sofre calada dentro da própria família, canal de denúncia com resposta e acompanhamento de cada caso.
22. Criar o Golpe Zero, para combate aos golpes digitais. Quem cai no golpe aciona o estado, e o registro dispara na hora o pedido de bloqueio dos recursos: ocorrência em minutos, não em dias. São Paulo terá capacidade permanente de resposta imediata a fraudes, em protocolo com o Banco Central, os bancos, as plataformas, o Ministério Público, a Polícia Federal e o COAF, cruzando as denúncias para rastrear da conta laranja ao dono do esquema e responsabilizar a cadeia inteira. Atenção especial ao idoso, alvo preferencial das quadrilhas, com registro simplificado, apoio presencial e prevenção onde ele estiver.
Impunidade
23. Criar a Agência Estadual Antifacção, com núcleo permanente de inteligência financeira, integração operacional entre órgãos estaduais e federais e capacidade para identificar, investigar e desarticular esquemas de lavagem de dinheiro, empresas de fachada, contratos simulados e patrimônio oculto, deslocando o foco da repressão do indivíduo para o patrimônio do crime, que é onde reside seu poder real. São Paulo vai passar a cooperar de fato com o Governo Federal: a Agência será o braço permanente do estado junto ao Escritório Nacional Antifacção de São Paulo (ENA.SP) e à coordenadoria do COAF instalados pelo Governo Federal em São Paulo, a inteligência federal já está aqui; falta o estado sentar à mesa. E a mesma lógica vale para baixo: cooperação formalizada com os municípios, cujas guardas civis municipais e fiscais das prefeituras enxergam o território que o crime usa.
24. Fechar as portas da economia formal ao crime organizado, impedindo que empresas e pessoas vinculadas a organizações criminosas contratem com o estado, recebam incentivos fiscais ou utilizem estruturas públicas para lavar dinheiro, com critérios objetivos, devido processo legal e monitoramento permanente de contratos e licitações, alertas automatizados de padrão atípico, em articulação com o Tribunal de Contas e a Controladoria-Geral do Estado.
25. Asfixiar a receptação e os mercados que financiam o crime, integrando Segurança Pública, Fazenda e órgãos de fiscalização para compartilhar inteligência e combater o comércio de produtos roubados, desmanches ilegais, combustíveis adulterados, fintechs de fachada, contrabando, grilagem, apostas ilegais e demais atividades econômicas utilizadas para financiar organizações criminosas. A Nota Fiscal Eletrônica e o cruzamento do ICMS permitem identificar o estabelecimento cujo padrão é incompatível com a atividade declarada, instrumento que já existe e está subutilizado.
26. Recuperar e dar destinação social ao patrimônio do crime, com um núcleo estadual de recuperação de ativos para localizar, bloquear, administrar e alienar bens das organizações criminosas – inclusive vendendo a tempo, para o bem não apodrecer à espera do processo. Os imóveis confiscados viram equipamentos públicos a serviço da população no território que o crime dominava. Viabilizar o Fundo Estadual de Reinvestimento em Segurança Pública, que recebe parcela do confisco com destinação vinculada em lei: quanto mais eficaz a asfixia financeira do crime, maior a capacidade do estado de sustentá-la.
27. Impedir que as facções continuem comandando o crime de dentro das prisões, fortalecendo a inteligência penitenciária com núcleo permanente da Polícia Penal integrado à Agência Estadual Antifacção, bloqueando comunicações ilícitas, ampliando o uso de tecnologias de inspeção, separando lideranças criminosas e transferindo sistematicamente para presídios federais de segurança máxima, sob protocolo definido e controle judicial.
28. Levar o estado inteiro, de uma vez, aos territórios onde o crime recruta, e nele permanecer, com regiões prioritárias definidas por critério público e objetivo: escola em tempo integral com formação profissional (detalhada no capítulo de Educação), equipamentos públicos de cidadania com esporte, cultura e atendimento à mulher, policiamento de proximidade com vínculo territorial, o mesmo policial no mesmo território, e as forças de segurança reunidas numa porta só.
29. Criar o Alistamento Civil, de adesão voluntária, para tirar dezenas de milhares de jovens em vulnerabilidade das garras do crime organizado, oferecendo um ano de serviço civil remunerado, com rotina, formação, qualificação profissional e prestação de serviços à comunidade, inclusive como agentes de inclusão digital. Integrado a um programa estadual de prevenção da violência juvenil, com bolsa de permanência escolar, apoio psicológico nas escolas, mentoria para o jovem em risco e encaminhamento ao primeiro emprego; com o estado financiando e padronizando e os municípios executando no território. Tudo na idade exata em que a facção recruta, para tirar do crime a sua mão de obra.
Valorização
30. Valorizar e estruturar as carreiras dos bombeiros e dos policiais civis, militares, penais e da Polícia Técnico-Científica. Com promoções por critérios profissionais e objetivos, sem interferência política; recomposição dos efetivos; e valorização dos salários, para tirar São Paulo da vergonhosa posição de um dos estados que pagam os menores salários policiais do país.
31. Garantir amparo jurídico ao policial e proteção à sua família, com defesa técnica custeada pelo estado ao agente envolvido em ocorrência no exercício da função, reconstrução da Caixa Beneficente da Polícia Militar e do seu sistema de saúde.
32. Cuidar da saúde física e mental, do ingresso à aposentadoria, com rede permanente em todo o estado, conduzida por profissionais sem vínculo hierárquico com as corporações, afastamento sem prejuízo funcional para tratamento e programa de prevenção do suicídio policial.
33. Proteger a corporação contra a corrupção que o crime organizado semeia, fortalecendo as Corregedorias das polícias com orçamento próprio e quadros selecionados por critérios rigorosos de integridade; criando canal protegido de denúncia, com sigilo e garantia legal de não retaliação; fortalecendo a Ouvidoria de Polícia com autonomia administrativa e dotação orçamentária.
34. Fortalecer a ouvidoria das polícias como órgão de controle social da atividade policial garantindo autonomia funcional e orçamentária para o exercício de suas funções.
Propostas de Tarcísio de Freitas (Republicanos)
Nosso propósito: melhorar a sensação de segurança, andar sem medo e ter tranquilidade. Enfrentar a criminalidade com inteligência, tecnologia, estratégia e integração. Presença territorial conjugando policiamento ostensivo e desenvolvimento urbano e rural. Proteção de grupos vulneráveis, combate qualificado ao crime organizado, aos crimes cibernéticos, aos roubos e furtos de celular e à violência doméstica. Seguiremos também investindo em um sistema penitenciário moderno.
SP CIN
Vamos criar o SP CIN – Centro de Inteligência e Inovação. Transformaremos o Centro de Comando e Controle (CICC) em um centro tecnológico de comando, monitoramento e resposta em tempo real, com funcionamento 24 horas e integração total de inteligências, reunindo polícias militar, civil e técnico-científica, corpo de bombeiros, guardas municipais, sistema penitenciário, defesa civil, entre outros. Teremos mais tecnologia e inteligência para fortalecer a presença territorial, com policiamento ostensivo, criação de equipes táticas de atuação matricial e batalhão especializado de motocicletas, atendendo à transformação da dinâmica urbana das últimas décadas, em momentos com grande deslocamento de pessoas, nos parques, comunidades e ambientes de difícil acesso. Vamos fortalecer também o modelo de policiamento ostensivo orientado por dados, com pontos fixos e móveis de presença visível em corredores de roubo de celular, quebra de vidro, furto, roubo de veículos e cargas, saída de transporte público, áreas comerciais e polos de lazer. Expandiremos o Programa SP Mobile no combate ao furto e ao roubo de celulares com o objetivo de devolver os aparelhos aos donos. Desde 2023, nossas forças policiais recuperaram cerca de 90 mil celulares furtados, roubados ou receptados. Agora, integrado ao SP CIN, avançaremos nas operações do SP Mobile com resultados ainda melhores.
Pancadão
Consolidaremos um programa estadual permanente para controle e enfrentamento de distúrbios civis e perturbação do sossego. Intensificaremos o uso da inteligência na manutenção da ordem social dentro do SP CIN, especialmente nas periferias e grandes centros, com atuação antecipada aos eventos irregulares, apreensão de equipamentos e fechamento de estabelecimentos que promovam a desordem e a venda de drogas. O SP CIN promoverá ações de melhorias no atendimento ao cidadão, com a unificação dos canais de atendimento em um único número de contato com a Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), entre outros. Além disso, haverá a ampliação e integração dos canais de registro de ocorrências presenciais, eletrônicos e por aplicativo, garantindo maior acessibilidade e celeridade nas informações prestadas. Consolidaremos o RIESP – Registro Integrado de Evento de Segurança Pública como a espinha dorsal de uma atuação estatal mais ágil e inteligente. Cada ocorrência receberá uma identificação única, capaz de reunir seu histórico desde o primeiro chamado até o atendimento e o desfecho. A integração ultrapassará os limites das forças policiais e poderá envolver, conforme a natureza da ocorrência, a perícia, a mobilidade viária, a Defesa Civil, a saúde, a assistência social, os municípios e as redes de proteção a grupos vulneráveis.
O cidadão deixará de assumir o ônus de percorrer diferentes órgãos para obter atendimento: será o estado que organizará seus serviços em torno da necessidade apresentada. Atuaremos em parceria com as prefeituras e com a sociedade na ampliação e integração de câmeras municipais e particulares ao SP CIN e também na montagem do parque de sensores inteligentes, câmeras e salas de monitoramento para os órgãos de segurança municipais, na modernização dos equipamentos das forças de segurança locais e no desenvolvimento de bases de dados confiáveis. Traremos ao SP CIN laboratórios de inovação que auxiliarão na construção de maior efetividade na atuação da segurança, potencializando a análise e tratamento de dados para aumentar a geração de inteligência e estratégia no combate ao crime.
Muralha
O Programa Muralha Paulista será ampliado em 30%, chegando à totalidade de municípios com mais de 160 mil câmeras e sensores interligados já nos primeiros 2 anos de Governo, e integrará o novo Centro de Inteligência e Inovação, o SP CIN. Iniciativa inédita da primeira gestão do Governo Tarcísio concentra tecnologia, monitoramento e análise de dados para antecipar a ação do crime e ampliar a capacidade de resposta das forças policiais. Hoje, mais de 94% dos municípios paulistas — 613 cidades — participam da iniciativa, que conecta sensores e câmeras, incluindo equipamentos de reconhecimento facial, leitores automáticos de placas e sistemas de monitoramento inteligente, o que já permitiu mais de 15 mil prisões. São Paulo tem atualmente a menor taxa de homicídios do país e os menores indicadores de roubo da sua história. Além disso, registra continuamente quedas em praticamente todos os seus indicadores, a exemplo dos furtos, latrocínios, roubos de cargas e de veículos.
Crime organizado
O combate com inteligência e foco em investigação patrimonial, análise financeira e integração de informações com outros órgãos do estado e demais esferas de governo será intensificado, promovendo a captura de lideranças e a asfixia financeira do crime organizado, enfrentando a lavagem de dinheiro e a utilização de empresas de fachada, especialmente em setores como combustíveis, transporte, comércio informal e apostas. Vamos ampliar as parcerias com outros poderes, a União e organismos internacionais, com fomento e aprimoramento das normas sobre o tema. Levaremos ao COSUD (Consórcio de Integração Sul e Sudeste) uma agenda de propostas de mudanças na legislação federal para tornar as normas mais duras e efetivas no combate ao crime organizado. Desde 2023, São Paulo realiza, em média, uma operação integrada contra o crime organizado a cada três dias, como desarticulação de organizações criminosas, combate ao tráfico de drogas, investigação patrimonial e recuperação de ativos. As ações já provocaram prejuízo estimado de R$ 3,4 bilhões ao crime organizado.
O programa inovador do primeiro mandato do Governo Tarcísio, que reinveste os bens e os valores apreendidos do crime organizado em equipamentos, tecnologia e infraestrutura para segurança, será intensificado por meio do Fundo de Incentivo à Segurança Pública (FISP). O programa já recuperou mais de R$ 136 milhões na primeira gestão. Em cooperação com instituições bancárias, ganharemos efetividade no congelamento rápido de valores, preservação de evidências e bloqueio de contas fraudulentas.
Crime cibernético
Seguiremos com o fortalecimento do Núcleo de Observação e Análise Digital (NOAD) e a ampliação do projeto, pioneiro no país, de combate à violência digital e prevenção a crimes como estupros virtuais e a comercialização de pornografia infantil. Fortaleceremos o trabalho que reúne policiais civis, militares e peritos especializados, com atuação integrada no monitoramento de comunidades e grupos online, para identificar atividades e redes criminosas, localizar vítimas e acionar preventivamente unidades policiais diante da iminência de crimes. Até junho de 2026, essa atuação já permitiu salvar 406 vítimas infantis e 1,1 mil animais. Ampliaremos a estrutura da Divisão de Crimes Cibernéticos da Polícia Civil, com efetivo, laboratórios, inteligência e núcleos regionais de apoio técnico, além de integração permanente com instituições financeiras e plataformas digitais. Implementaremos plano direcionado ao enfrentamento à violência, vulnerabilidade social e violação dos direitos de crianças e adolescentes, com ações, dentre outras, de inclusão digital, proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital e letramento tecnológico.
Prisões
Fortalecimento e integração entre a esfera da segurança pública e o sistema prisional com o SP CIN no monitoramento e neutralização de rede de comunicação ilícita. Daremos continuidade às ações voltadas à qualificação profissional e fomento ao trabalho dos custodiados. Ampliaremos o trabalho em oficinas nas unidades prisionais ou em parceria com empresas públicas e privadas. Expandiremos as parcerias com as prefeituras, em atividades como de zeladoria urbana e no caso da ocorrência de eventos como desastres que necessitem de mão de obra para a volta à normalidade das cidades.
Seguiremos com as iniciativas que foram históricas na primeira gestão do Governo Tarcísio. Continuaremos os investimentos dedicados ao reconhecimento, qualificação e promoção de nossas forças policiais. Assim como no primeiro quadriênio, teremos como foco melhorar e ampliar a estrutura, proporcionar capacitação profissional, treinamento constante, novas contratações, e previsão de incentivos.
Fortaleceremos a gestão por resultados na atividade de investigação policial, com o estabelecimento de indicadores de desempenho para o acompanhamento da resolução de inquéritos policiais, definição de metas por unidade e monitoramento contínuo dos prazos de conclusão. Seguiremos com as ações de reconhecimento e valorização das forças de segurança, conforme a Lei nº 18.443/2026 e a Lei nº 18.442/2026, dando sequência também ao processo de recomposição do efetivo da Polícia Penal. Vamos investir ainda mais na formação técnica e psicológica dos policiais. Promovemos a maior recomposição das forças de segurança pública dos últimos 20 anos: 16,2 mil novos policiais, com um total já autorizado de 30,5 mil. Fizemos a promoção histórica de 25 mil agentes de segurança, escolta e vigilância penitenciária para policiais penais, com recomposição salarial média de 23% a 33%. Investimos R$ 1,7 bilhão em infraestrutura essencial, com a aquisição de 23,2 mil armas, 57,3 mil coletes à prova de balas, 3,9 mil viaturas, um helicóptero Águia e 15 mil câmeras corporais, além da construção e reforma de 200 prédios policiais. Foram investidos também R$ 89 milhões na Polícia Técnico-Científica. Entregamos o maior laboratório de balística da América Latina e o maior laboratório de genética criminal do país, além de prédios do Instituto de Criminalística (IC) e do Instituto Médico Legal (IML).
A ocupação qualificada do território é estratégia de prevenção criminal, reduzindo as oportunidades para o crime. Por isso, o centro da capital será integralmente revitalizado. Após o fim da Cracolândia e o lançamento do Novo Centro Administrativo do Governo de SP na primeira gestão Tarcísio, agora faremos o reposicionamento do centro de São Paulo como um espaço de convivência, cidadania, desenvolvimento humano e econômico. Executaremos um dos maiores projetos arquitetônicos da história da capital paulista, que aliará recuperação do patrimônio histórico e transformação social. Será criado o Parque do Moinho e o projeto urbanístico e habitacional para o Largo São Francisco, em parceria com a Faculdade de Direito da USP (São Francisco). Também continuaremos o programa de recuperação de cenas abertas de uso, com ações conjugadas de segurança, saúde, assistência social, habitação e desenvolvimento urbano.
Nas demais regiões e em outros municípios, atuaremos na requalificação e estruturação de núcleos habitacionais e áreas urbanas degradadas, especialmente nas periferias, no apoio à modernização dos serviços de iluminação pública, e na construção de cidades inteligentes mais eficientes, seguras e sustentáveis, com o Cidades Inteligentes SP 360. Vamos promover ações esportivas e culturais nas áreas de alta incidência de perturbação e desordem, com o objetivo de ampliar a presença das pessoas nos espaços públicos, mediante ocupação qualificada de ruas, praças, espaços culturais e centros urbanos, fortalecendo o convívio social, valorizando os territórios e contribuindo para a revitalização das cidades.
Implementaremos centros de convivência para pessoas idosas, de formação esportiva e apoio a eventos e campeonatos esportivos, e apoiaremos a arte urbana, a recuperação e a reativação de patrimônios e espaços culturais desativados. Intensificaremos a adoção de medidas integradas entre educação e segurança, com ampliação das forças de segurança no entorno escolar, principalmente nos locais e horários de maior vulnerabilidade, além da integração das câmeras escolares ao SP CIN. Na área rural, com o Projeto SIT-SP Rural (Sistema de Inteligência Territorial Rural), vamos fortalecer a segurança com inteligência, tecnologia, inovação e integração ao SP CIN, agregando informações georreferenciadas dos diversos sistemas e bases de dados de agricultura e abastecimento (SISCAR, Rotas Rurais, produção agropecuária).
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
