
Manchas pelo corpo, coceira intensa e episódios de inchaço nos olhos e nos lábios começaram a fazer parte da vida de Valéria Rezende aos 11 anos. A partir daí, ela iniciou uma jornada de quase uma década em busca de respostas para os sintomas e do tratamento adequado, até finalmente descobrir que tinha urticária.
A história chama a atenção para a importância da informação e do atendimento especializado neste 1º de outubro, Dia Mundial da Urticária.
A data é uma iniciativa internacional de conscientização sobre a doença e seus impactos na vida dos pacientes. Em 2026, a campanha tem como tema “Retome o Controle – Da Coceira à Compreensão” e destaca como sintomas como coceira persistente, inchaços e crises imprevisíveis podem afetar o sono, as atividades cotidianas e o bem-estar emocional.
No caso de Valéria, os sintomas foram inicialmente associados a quadros alérgicos. Vieram consultas com diferentes profissionais, tratamentos e, principalmente, dúvidas sobre o que estava acontecendo.
“Foi um tempo de muita dúvida e incerteza. Tentei diversos médicos e protocolos. Foi confundido com alergia por muitos anos. Foram 10 anos até chegar ao diagnóstico correto. Mais de 3 mil dias. Isso me marcou muito”, conta.
A longa busca por respostas terminou quando Valéria chegou ao serviço especializado do Centro Universitário Faculdade de Medicina do ABC (FMABC), onde recebeu o diagnóstico e iniciou o acompanhamento da doença. Segundo ela, o atendimento representou uma mudança significativa em sua rotina.
“Na FMABC eu encontrei o tratamento, o manejo correto da doença e recuperei minha qualidade de vida. Tudo foi bem esclarecido e encaminhado com competência e muita generosidade durante todo o percurso”, afirma.
Para compartilhar a própria jornada em busca do diagnóstico, Valéria criou a página “3000 dias” nas redes sociais, onde relata sua experiência e fala sobre a convivência com a doença.
“Tudo que eu achava sobre urticária era bem complicado. Eu tinha vontade de explicar para mim mesma o que estava entendendo sobre minha condição. Com isso, acabei conhecendo ‘amigos de pele’ e também construindo uma comunidade em torno de uma causa”, relata.
Doença imprevisível
Para Valéria, um dos aspectos mais difíceis da urticária é justamente a imprevisibilidade das crises. “A principal dificuldade é a imprevisibilidade dos sintomas, que leva a gente a deixar de fazer o que gostaria e a se sentir desmotivado em planejar o futuro. A impressão que dá é que a doença nos interrompe.”
Atualmente, ela mantém a doença controlada com o tratamento e está sem sintomas.
A dermatologista Roberta Criado, responsável pelo diagnóstico de Valéria na FMABC, explica que os principais sinais da urticária incluem coceira e o aparecimento de lesões elevadas na pele. Em alguns casos, também pode ocorrer angioedema, caracterizado por inchaços que podem atingir regiões como olhos e lábios.
Quando não está controlada, a doença pode comprometer de maneira significativa a qualidade de vida dos pacientes. “A pessoa não consegue trabalhar, estudar ou dormir”, explica a médica.
Desafio do diagnóstico
O acesso ao atendimento especializado ainda é um dos obstáculos enfrentados por quem tem urticária. Segundo Roberta Criado, um estudo realizado na FMABC identificou que os pacientes podem levar, em média, de quatro a cinco anos para chegar a um serviço especializado e receber tratamento para a doença. Há casos ainda mais prolongados, como o de Valéria.
Um dos desafios é justamente a confusão dos sintomas com alergias, o que pode dificultar o diagnóstico correto. De acordo com a dermatologista, o tratamento é definido de forma individualizada. Em geral, são utilizados inicialmente medicamentos anti-histamínicos. Quando não há resposta satisfatória, outras alternativas podem ser consideradas, incluindo medicamentos biológicos.
A médica também chama a atenção para interpretações equivocadas sobre a doença, que podem aumentar a angústia dos pacientes.
“As pessoas começam a achar que é emocional ou relacionada ao que o paciente come. Isso traz mais angústia e, no final das contas, piora ainda mais a autoestima da pessoa com urticária”, explica.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
