Moradores da parte alta do Baeta Neves e do bairro Nova Baeta, em São Bernardo, relatam interrupções frequentes no abastecimento e períodos prolongados de baixa pressão na rede. A situação levou a comunidade a criar uma petição para cobrar intervenção da Sabesp, da Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo) e da Prefeitura. Entre as reivindicações estão uma auditoria técnica na rede, uma solução para regularizar a pressão e a vazão e a avaliação da necessidade de um novo reservatório para atender as áreas mais altas. Até o momento da reportagem, 109 pessoas assinaram o documento.
Segundo os residentes, o problema é mais intenso nas áreas próximas ao Cruzeiro e ao cemitério, em que a pressão insuficiente dificulta a chegada da água às torneiras e o enchimento das caixas d’água de casas e condomínios. Entre as vias apontadas como afetadas estão: Giacinto Tognato, no trecho entre o Cruzeiro e o Cemitério, Fiorentino Felipe, São Roque, Antônio Marcelino, João Versolato, José Rusig, Sargento Flaminio Batista dos Santos, São Carlos, Ozéias de Paula Campos, Amâncio de Carvalho, Lucélia, Cravinhos, Campos do Jordão, Raphael Lazuri e Celeste Pinchiari.

Problema afeta áreas mais altas
Moradora da região, Rosemeire Santos afirma que a baixa pressão dificulta o abastecimento sobretudo nas partes mais elevadas do bairro. Segundo Rosemeire, mesmo após o retorno do fornecimento, a água não chega com força suficiente a algumas residências.
“Quando a água volta, ela é fraca, então ela não chega até as torneiras. Nós temos uma caixa d’água mais lá para cima, no alto do Cruzeiro, nas proximidades do cemitério, mas essa caixa não supre a necessidade dos moradores dessa parte de cima. Na parte mais baixa, quando a água volta, entra nas casas, mas nessa parte alta demora demais para conseguir chegar às torneiras. Inclusive para as pessoas que moram em prédios, que são as que mais demoram para ter o abastecimento normalizado”.
Rosemeire também relata que a estrutura existente na região não seria suficiente para atender os moradores das áreas mais altas. A situação seria ainda mais complicada em prédios, nos quais a água precisa alcançar caixas localizadas em pontos elevados.
A moradora afirma que as reclamações não se restringem a ocorrências pontuais ou serviços de manutenção. “Não é questão de manutenção. São problemas frequentes, ano a ano vai só aumentando. Toda vez que chega nessa época, principalmente agora que vai chegar o verão, a situação preocupa. Tivemos o primeiro dia de calor depois daquele período de frio e chuva e, por algum motivo de conserto ou manutenção, ficamos praticamente dois dias sem água. E essa água não chega na torneira de quem mora aqui para cima”, afirma.
Edinho Marquesi, que também acompanha as reclamações da comunidade, afirma que a situação ocorre há cerca de oito a dez anos. Segundo Marquesi, há períodos em que a falta d’água ocorre em dias consecutivos e, quando o fornecimento retorna, a pressão permanece insuficiente. “Aqui está ocorrendo isso na parte alta do bairro Baeta Neves, da área do Cruzeiro até aquela região acima do cemitério. Esses locais e essas ruas têm uma falta de água crônica. Sempre falta água, dia sim, dia não. Quando falta em um dia, no outro dia chega fraca e não dá tempo nem de encher a caixa, porque a pressão é tão baixa que não consegue suprir a demanda de toda a região.”
Marquesi cita ainda a existência de um reservatório na parte alta do bairro que, segundo relatos de moradores, estaria desativado. A informação não foi confirmada pela Sabesp. “Teria que reativar a caixa d’água lá em cima, colocar uma bomba para suprir a pressão da caixa e da rua ou realmente deixar a pressão da água aberta no limite que possa ser recebido. Quando a pressão está baixa, sobrados e prédios da região ficam sem água porque a pressão não consegue subir e abastecer as caixas”, afirma.
O impacto, segundo os moradores, é maior em imóveis com muitas famílias. Marquesi usa como exemplo um condomínio com 15 famílias e uma caixa d’água de 10 mil litros. Com pressão insuficiente, segundo o relato, o reservatório não alcança a capacidade máxima e passa a operar com volume reduzido, o que compromete o abastecimento dos apartamentos.
Petição cobra auditoria e novo reservatório
O documento elaborado pelos moradores afirma que a localização geográfica das regiões mais altas agrava os efeitos das interrupções e da baixa pressão. Segundo a petição, após manutenções ou períodos de redução de pressão, a água demora mais para retornar e, em alguns casos, não possui força suficiente para alcançar as caixas d’água das residências. Entre os pedidos apresentados à Sabesp, Arsesp e Prefeitura estão uma auditoria técnica imediata na rede que atende a parte alta do Baeta Neves e a Nova Baeta e uma solução definitiva para regularizar a pressão e a vazão.
Os moradores também solicitam uma visita técnica de engenharia para avaliar a necessidade e a viabilidade de uma nova caixa d’água comunitária, com capacidade para atender especificamente as regiões mais elevadas. Outro pedido é a suspensão ou readequação dos horários de redução noturna de pressão, apontados pela comunidade como um fator que dificulta o armazenamento mínimo de água nas residências.
Sabesp cita redução de pressão
Procurada pelo RD, a Sabesp diz que não há registros de problemas sistêmicos de abastecimento nas vias mencionadas do Baeta Neves e Nova Baeta. A companhia afirma que a região é atendida pelo Reservatório Baeta Neves e possui monitoramento operacional permanente por meio de diversos pontos de controle da rede de distribuição.
De acordo com a empresa, a intermitência relatada pelos moradores está relacionada à medida de redução de pressão noturna, adotada desde 27 de agosto. Segundo a Sabesp, a ação ocorre nos períodos de menor consumo e tem como objetivos aumentar a eficiência da distribuição, reduzir perdas e preservar os recursos hídricos.
A companhia afirma que a medida já foi aplicada em períodos de estiagem em anos anteriores e é utilizada internacionalmente em períodos de maior atenção à disponibilidade hídrica. Na Região Metropolitana de São Paulo, segundo a Sabesp, a redução de pressão integra as ações de segurança hídrica e segue normas e parâmetros definidos pelo órgão regulador.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
