
Em casa, no escritório, no encontro com os amigos ou em uma reunião de negócios, o café acompanha diferentes momentos do dia. A bebida atravessa fronteiras culturais e geográficas e tem até uma data dedicada a ela: 1º de outubro, Dia Internacional do Café.
No Brasil, a relação é especialmente próxima. O país é o segundo maior consumidor de café do mundo em volume, atrás apenas dos Estados Unidos, e consumiu 21,4 milhões de sacas em 2025, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC).
Mais do que acompanhar a rotina, o café também ganhou espaço como experiência de degustação. Pesquisa realizada pelo Instituto Axxus com apoio da ABIC mostra que, em 2025, 63% dos entrevistados apontaram melhorar o humor e a disposição como uma das motivações para consumir café. Outros 12% citaram o prazer de degustar e saborear a bebida — quatro pontos percentuais a mais do que em 2023.
Para quem quer prestar mais atenção ao que chega à xícara, há diversos fatores que interferem no resultado. Torra, moagem e método de preparo ajudam a definir características como aroma, corpo, intensidade e sabor. Para Jaqueline Peixoto Guerald, barista especialista em cafés especiais e proprietária da unidade da Cheirin Bão do Shopping Metrópole, conhecer essas diferenças permite explorar novas possibilidades para uma bebida tão presente no cotidiano.
Torra: o primeiro passo para definir o perfil do café
Antes de chegar à xícara, o café passa pela torra, processo que influencia diretamente suas características sensoriais. Os diferentes níveis de torra podem resultar em perfis distintos de bebida.
“Você tem a torra média, a clara e a escura e pode combinar isso com vários tipos de moagem e métodos. Cada torra, cada moagem e cada método vai dar um resultado diferente”, explica Jaqueline.
A torra escura costuma ser associada a um café mais forte e, por isso, algumas pessoas também relacionam esse perfil a uma maior quantidade de cafeína. Mas intensidade de sabor e concentração de cafeína não são sinônimos, e o nível de torra, isoladamente, não determina a quantidade de cafeína presente na xícara.
Nos cafés especiais, a torra também pode ajudar a revelar características naturais do grão. Dependendo da variedade e dos cuidados durante o cultivo, a colheita, a seleção e a torra, podem surgir notas que remetem a frutas, chocolate, caramelo e outros sabores, sem que esses ingredientes tenham sido adicionados.
“O café é uma fruta e, como todas as frutas, tem sua doçura natural. Quando existe todo esse cuidado desde o plantio até a colheita, seleção e torra, conseguimos ter um café diferenciado no sabor”, afirma a especialista.
Moagem: o tamanho do pó também faz diferença
Depois da torra, a moagem é outro fator importante. O tamanho das partículas precisa estar adequado ao método escolhido, já que o contato entre água e pó interfere na extração.
“Cada método tem uma moagem específica. Um método filtrado utiliza uma moagem média; o espresso, por exemplo, uma moagem fina; já a prensa francesa trabalha com uma moagem grossa”, explica Jaqueline.
Por isso, o mesmo café pode apresentar resultados diferentes dependendo da moagem e da forma de preparo. Alterar o tamanho das partículas modifica a relação entre o pó e a água e pode resultar em bebidas com características distintas.
Coado, espresso ou infusão? O método também muda o resultado
Com o café torrado e moído, chega a hora de escolher o método de preparo. Entre as possibilidades estão os métodos filtrados, de infusão e sob pressão.
Nos filtrados, como o tradicional coado e o Hario V60, a água passa pelo café e pelo filtro, que retém os resíduos do pó. Na infusão, como na prensa francesa, o café permanece em contato com a água durante o preparo. Já no espresso, a água passa pelo café sob pressão, resultando em uma bebida mais concentrada.
Métodos como Moka, Aeropress e Chemex ampliam ainda mais as possibilidades. A escolha depende do perfil de bebida que cada pessoa procura e da combinação entre grão, torra, moagem e preparo.
Na Cheirin Bão do Shopping Metrópole, um dos preparos mais procurados é o V60, feito com grão de torra média e moagem média. O café é preparado na hora e levado à mesa, fazendo do próprio preparo parte da experiência.
“Antes, quando você saía de casa, era mais comum encontrar o espresso nas cafeterias. Mas nem todo mundo gosta de um café mais forte, encorpado e concentrado. Hoje, as pessoas também procuram aquele café coadinho, feito na hora, só que com um café de qualidade e fresco”, comenta Jaqueline.
Para a barista, a possibilidade de combinar diferentes elementos é uma das características dos cafés especiais. “São muitas possibilidades. Você pode brincar com a torra, a moagem e o método e, a partir daí, encontrar o café que mais combina com o seu paladar.”
Diferentes formas de celebrar o café
No Dia Internacional do Café, experimentar diferentes preparos pode ser uma forma de conhecer melhor a bebida e perceber como pequenas mudanças interferem no resultado.
No Shopping Metrópole, há opções para diferentes preferências. Na Cheirin Bão, os clientes podem experimentar cafés especiais e métodos como o V60. Na Casa Bauducco, o latte pode acompanhar produtos da marca. A Kopenhagen oferece opções que combinam café e chocolate, enquanto a Cacau Show reúne cafés, cappuccinos, chocolates e sobremesas.
Rei do Mate, Café do Ponto e Évora Café também integram as opções para quem quer fazer uma pausa para tomar café no shopping.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
