
A Feira Literária de Ribeirão Pires 2026 (Flirp) encerrou neste domingo (27/9) com encontro entre literatura, artes visuais, música, quadrinhos e poesia. Realizado no Mirante Santo Antônio, o último dia da feira reuniu escritores, artistas, leitores e agentes culturais em atividades que reforçaram a proposta desta edição, marcada pelo tema “Do desenho à palavra”.
Entre os destaques houve debates sobre quadrinhos e formação de leitores, literatura e memória, encontros sobre poesia, atividades inspiradas na obra de Guimarães Rosa, oficinas artísticas, apresentações musicais e espaços destinados à produção de autores independentes. A programação também contou com intervenções e atividades que aproximaram a literatura de outras linguagens artísticas.
A programação do último dia começou com a apresentação da Camerata de Cordas da Escola Municipal de Artes de Ribeirão Pires (Emarp), seguida por atividades que exploraram diferentes maneiras de transformar a palavra em experiência artística. No Espaço Oficinas, o público participou de propostas como “Pitadas inspiradas em Guimarães Rosa”, “Meu Rabisco na Flirp” e “Cores que Giram”.
Caixinha de Quadrinhos
No Palco Do Desenho à Palavra, um dos principais espaços de encontros literários da feira, a “Caixa de Quadrinhos” reuniu Emilio Garcia, Carlos Ruas e Mila Massuda para discutir a relação entre os quadrinhos e a formação de leitores. A conversa dialogou diretamente com o conceito central da edição, que buscou aproximar literatura, desenho e outras formas de narrativa.
A obra de Guimarães Rosa também esteve presente na programação, com atividade conduzida por Valdemir Carmo. A literatura brasileira voltou a ser tema no encontro “Biografias, Memória e Literatura”, que reuniu Tom Cardoso e Gonçalo Junior, com mediação de Marcos Massolini.
Entre os projetos que também ganharam espaço na Flirp esteve a obra “Coragem! Memórias e Ensinamentos do Padre José Raschele”, escrita por Maurineia Aparecida dos Santos. O projeto resgata a trajetória do sacerdote, que teve atuação marcante em Ribeirão Pires, especialmente junto à Paróquia de Sant’Ana, e que deixou um legado religioso e social ligado à formação de comunidades e à história de diversas famílias do município.
A exposição apresentou memórias, ensinamentos e testemunhos sobre Padre José Raschele, que ajuda a preservar e compartilhar com as novas gerações a história de uma figura importante para a memória de Ribeirão Pires. O lançamento do livro está previsto para 5 de dezembro, data do aniversário natalício do sacerdote.
Para o escritor e expositor Ricardo Escudeiro, a feira contribuiu para ampliar o contato entre a produção literária e o público. Segundo ele, a circulação de visitantes pelo ponto turístico ajudou a fortalecer a proposta de levar os livros e os autores para diferentes espaços da cidade. “A circulação de público ajudou muito a fazer a Flirp funcionar, ainda mais em um ponto turístico como esse. É muito importante apresentar a literatura nesse espaço, aproximando os livros, os autores e o público e mostrando que a literatura também pode ocupar e transformar a cidade.” explicou.
A programação também abriu espaço para experiências que ultrapassaram o formato tradicional das mesas literárias. A intervenção “Tela Viva”, da Emarp, aproximou dança, artes plásticas, pintura e movimento, enquanto as oficinas permitiram que o público participasse diretamente de processos de criação.
Outro destaque do encerramento foi a conversa “Uma conversa sobre poesia”, com Tarso de Melo e Fabiano Calixto, mediada por Julio Mendonça. A poesia também ganhou uma abordagem experimental com “A poesia expandida de Anderson Gomes”, encontro que ampliou a discussão sobre as possibilidades de criação e circulação da linguagem poética.
Literatura
No Espaço LiterAlturas, a programação reuniu ainda manifestações ligadas à literatura e à participação do público. A Alerp apresentou atividades relacionadas à obra de Guimarães Rosa e ao universo dos livros, enquanto o “Só no Gogó” abriu o microfone para diferentes manifestações. A música também marcou presença com apresentações da Emarp, com repertório de jazz e clássicos da música popular brasileira.
Além da programação dos palcos e oficinas, o público teve acesso, durante os dois dias, a exposições, espaços gastronômicos e de artesanato, estandes de editoras e projetos, além de uma área dedicada a autores independentes. A “Galeria de Leituras”, organizada pela Alerp e pela Carp, também integrou as atividades permanentes do evento.
A Flirp 2026 reuniu mais de 100 convidados e cerca de 80 lançamentos de livros, de acordo com informações divulgadas pela Prefeitura de Ribeirão Pires. A feira teve como homenageada a escritora, poeta, editora e ativista cultural Dalila Teles Veras e apresentou uma programação que contemplou poesia, ficção, não ficção, literatura infantil, quadrinhos, narrativas indígenas e publicações autorais.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
