
Dois profissionais e enfermagem e uma médica foram agredidas por um paciente violento na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Jardim Santo André, em Santo André, na noite de terça-feira (15/09), esse é o terceiro caso de violência contra profissionais de saúde em 15 dias na mesma cidade, somando cinco vítimas. No caso desta terça-feira, uma das vítimas, uma enfermeira de 43 anos, deu queixa de agressão no 6° Distrito Policial da cidade. O CorenSP (Conselho Regional de Enfermagem) cobra providências urgentes da prefeitura para garantir a segurança dos servidores da saúde e anunciou que levará para essa UPA um curso de capacitação, que inclui até aula de defesa pessoal.
Segundo Sueli Coelho, diretora do CorenSP e que acompanhou a elaboração do boletim de ocorrência, por volta das 19h um homem com as roupas muito sujas como se tivesse sido resgatado de um córrego, e muito machucado chegou até a unidade médica e desmaiou. Levado para a ala de emergência, assim que colocado na maca para ter uma veia puncionada por dois enfermeiros e na presença de uma médica da unidade, ele acordou e com chutes e socos agrediu os profissionais que o atendiam. “A violência foi tão grande que a maca onde ele estava virou, ele levantou saiu correndo. A enfermeira teve lesões mais significativas na lateral direita da cabeça e deu queixa na delegacia, passando por exame de corpo de delito, o enfermeiro agredido também seguiria para a delegacia, mas a esposa dele passou mal ao saber do ocorrido e ele preferiu ficar com a família”, explicou.
No ranking de agressões do CorenSP Santo André lidera em número de casos. “Medidas mais duras é o que a gente aguarda da prefeitura. Esse é o terceiro caso em menos de um mês e estamos lutando por melhorias. Já tivemos audiência com o secretário de saúde e até o prefeito se manifestou, mas a lei que foi prometida para punir quem agredir profissional de saúde não saiu ainda e como está não dá mais. É triste o profissional de enfermagem sair de sua casa para cuidar da saúde de pessoas que ele nem conhece e ainda ser agredido. Se há problemas como demora no atendimento, a culpa não é dos enfermeiro a prefeitura que tem que ser cobrada. Agredir não ajuda nada, ao contrário, vai atrasar ainda mais o atendimento”, completa Sueli.
Vanessa Scarcella, que é coordenadora da comissão de enfrentamento à violência do conselho regional de enfermagem paulista, considera que a situação em Santo André saiu do controle. “Já falamos com a prefeitura e a lei prometida, como a que São Bernardo fez, para punir com multa as agressões a profissionais de saúde, não saiu e também não vemos mobilização do município diante do número de casos. Nós estamos fazendo a capacitação do pessoal de enfermagem por causa desses casos, esse treinamento inclui técnicas de comunicação não violenta, orientação sobre como e onde denunciar e até técnicas de contenção mecânica, que é uma forma de defesa pessoal. Essa unidade já ia passar pela capacitação, mas diante desse caso, ela será prioridade agora”, explica.
Segundo Vanessa, o CorenSP vai continuar negociando com a prefeitura formas de garantir a segurança nas unidades médicas. “O ideal é que a prefeitura deixasse pelo menos um guarda civil em cada unidade. Temos experiência de outras cidades em que a prefeitura paga hora extra para o guarda que ficar nas unidades de saúde. Nós viemos com sugestões que deram certo em outros lugares, mas nada de retorno ainda. Vamos tentar outra reunião”, completa.
Além deste caso ocorrido na UPA Jardim Santo André, a cidade registrou também outro caso no dia 2/09 no centro de reabilitação Reabilita, quando a enfermeira Juscilene Santos de Carvalho, foi agredida por um casal que reclamava de demora no atendimento. Houve agressão física e o caso também foi parar no 6° DP. Três dias antes foi registrado na mesma delegacia outra agressão, desta vez contra o enfermeiro David Alves Neves, 41 anos, agredido com tapas e xingamentos na UPA da Vila Luzita.
Em resposta a mais um episódio de violência a prefeitura informou, através de nota, que vai intensificar as rondas da GCM nos equipamentos de saúde e ampliar o número de câmeras. “Novamente, o município lamenta e repudia qualquer forma de agressão contra profissionais da saúde e reforça que vem adotando medidas para prevenir e coibir casos dessa natureza nas unidades municipais. Os profissionais envolvidos na ocorrência receberam todo o suporte necessário da equipe da Secretaria de Saúde. A pasta ressalta que nenhum dos profissionais envolvidos necessitou de afastamento de suas funções em decorrência do fato. Além das medidas adotadas a partir de ocorrências anteriores, como as rondas da Guarda Civil Municipal entre as unidades e a disponibilização do botão do pânico, a prefeitura trabalha na elaboração de medidas que ampliem a responsabilização de pessoas que agridem profissionais da saúde. O município também está ampliando a instalação de câmeras de segurança nas áreas comuns das UPAs”, diz a prefeitura em seu comunicado.
Veja a íntegra da nota da Secretaria de Segurança Pública:
“Uma enfermeira de 43 anos foi agredida por um paciente enquanto trabalhava em uma UPA na tarde desta terça-feira (15), na Rua Tom Jobim, no Jardim Santo André, em Santo André. Guardas civis municipais foram acionados para atender a ocorrência e, ao chegarem ao endereço, apuraram que a vítima havia sido agredida por um homem, ainda não identificado, enquanto ele era atendido pela equipe da unidade. De acordo com as informações, o paciente apresentava comportamento agressivo e fugiu após o ocorrido. Foram solicitados exames junto ao Instituto Médico Legal (IML) para a vítima. O caso foi registrado como lesão corporal no 6° Distrito Policial de Santo André”.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
