
Em comunicado divulgado à imprensa nesta quinta-feira (03/09) a Seduc (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo) citou três cidades do ABC no projeto de avanço do PEI (Programa de Educação Integral), são elas: Diadema, Mauá e Santo André. Porém o governo não informa quais são as escolas que, a partir do ano que vem, vão funcionar em horário estendido. Enquanto o governo indica o avanço do período integral, a região tem protestos quase todas as semanas contra o fechamento de salas de aula do período noturno que é consequência das escolas que passam a integrar o PEI.
Na quarta-feira (2) à noite aconteceu mais um destes atos em frente à Escola Estadual Maurício de Castro, na Vila São Pedro, em São Bernardo.
O PEI oferece jornadas de sete ou nove horas diárias de aulas e segundo a meta do governo será ampliada a capacidade de matrículas em mais 103 mil vagas no início do próximo ano letivo. Atualmente, segundo cálculos do governo paulista, 33% dos alunos da rede estadual já estudam no regime estendido de horário, o que equivale a cerca de 990 mil estudantes.
“A Educação de SP tem unidades de ensino integral em todas as 91 Unidades Regionais de Ensino. Estão entre as cidades com escolas que hoje funcionam em tempo parcial e estenderão suas jornadas: a Capital, Campinas, Carapicuíba, Diadema, Guarulhos, Itaquaquecetuba, Mauá, Osasco, Santo André, Santos, São Carlos, São José do Rio Preto, São José dos Campos, além de outras cidades do interior, RMSP e Litoral”, diz a secretaria de Educação em seu comunicado.
Questionada sobre quais são as escolas que, em 2027, passam a funcionar no regime integral, a pasta respondeu que as informações disponíveis são apenas as divulgadas.
Para o professor Aldo Santos, integrante da diretoria estadual da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) o governo de São Paulo age com falta de transparência ao não divulgar quais são as escolas, às vésperas do período de matrículas. “É um direito da população saber, mas o governo não quer divulgar porque assim que a informação chega na escola começam os protestos e a comunidade escolar se organiza contra, porque isso vai significar o fechamento das aulas no período noturno”.
Todas as semanas há protestos contra o fechamento de salas do noturno em escolas do ABC, na quarta-feira (02/09) aconteceu Escola Estadual Maurício de Castro, na Vila São Pedro, em São Bernardo. No dia 27/08, quinta-feira da semana passada, outro protesto aconteceu na E.E. Professor Domingos Peixoto da Silva, na Estrada dos Alvarengas, no bairro Alvarenga. No dia 20/08 alunos, professores e integrantes da comunidade escolar da E.E. Professor Nelson Monteiro Palma, no bairro Santa Terezinha fizeram ato contra a mesma situação.
“Essa estrutura que amplia o tempo de aula, elimina o curso noturno e não garante uma educação em tempo integral e também não garante aumento dos alunos. Grande parte das escolas que tinha mil alunos hoje tem metade. O jovem pobre não tem uma escola noturna para poder trabalhar e, ao mesmo tempo, sonhar com uma faculdade e um emprego digno. O governo fala em polos, onde terá aula noturna, porém veja, na região do Riacho Grande, antes e depois da Balsa, não vai ter nenhuma escola no período noturno.
Denúncia
A Apeoesp de São Bernardo em conjunto com outras subsedes anuncia que vai judicializar a questão do período noturno nas escolas. “Vamos levar isso ao conhecimento do Ministério Público e, ao mesmo tempo, vamos continuar realizando os atos. Juntos, Sindicato e as subsedes vamos enfrentar juntos essa situação imposta pelo governo que é contra a garotada pobre. Vamos também levar isso ao conhecimento do MEC (Ministério da Educação).
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
