
A Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (ANEF), consolidada como o principal hub de informações estratégicas e dados atualizados do mercado automotivo brasileiro, divulgou seu boletim mensal referente a julho de 2026.
O relatório apresenta um panorama detalhado sobre emplacamentos de veículos novos, seminovos e usados, além de trazer indicadores cruciais sobre o comportamento do crédito, taxas de juros e inadimplência no país.
Segundo a ANEF, mesmo diante de um cenário macroeconômico complexo e pressionado por restrições de crédito, o mercado automotivo nacional iniciou o segundo semestre com viés de alta. O volume comercializado de veículos seminovos e usados registrou um crescimento expressivo de 10,7% em comparação ao mês anterior, impulsionado fortemente pelo segmento de motocicletas.
Já o mercado de veículos 0km avançou 3,3% no comparativo mensal. Esse desempenho empurrou o volume acumulado de vendas no ano para a casa dos 15%, um resultado robusto que está forçando a Fenabrave a revisar suas projeções anuais para cima. No segmento específico de automóveis 0km, o acumulado do ano já registra uma expansão de 22,3% sobre o mesmo período de 2025, mostrando estabilização no indicador mensal.
Dinâmica regional e liderança de marcas
Os dados capturados pela ANEF revelam um bom crescimento em todas as regiões do país, com recortes geográficos importantes:
Região Sul: Demonstra forte recuperação econômica após o impacto das enchentes registradas no ano anterior.
Região Nordeste: Assume um papel de protagonismo inédito, consolidando-se como a segunda região de maior relevância no cenário nacional.
Região Sudeste: Mantém a liderança isolada, concentrando os maiores volumes absolutos de comercialização tanto de veículos novos quanto de usados.
No ranking de marcas e modelos de automóveis, a Volkswagen abriu o semestre na liderança, com os modelos Polo e Tera ultrapassando a marca de 10.000 unidades emplacadas, cada um, em julho. No segmento de picapes e comerciais leves, a Fiat Strada segue imbatível, registrando quase 15.000 emplacamentos no mês.
Entre as motocicletas, a Honda mantém a hegemonia ao ocupar as quatro primeiras posições em vendas, com destaque para a CG-150, que somou 44.000 unidades. A startup Mottu consolidou-se na quinta posição, superando a Yamaha YBR 150, que ficou em sexto lugar. No segmento de veículos pesados, a liderança do mês ficou com o Mercedes-Benz Atego, seguido de perto pelo Volvo FH.
Desafios no mercado de crédito e juros elevados
Apesar do avanço nos volumes de vendas, a ANEF alerta para os gargalos no sistema financeiro. O mercado de crédito automotivo enfrenta recordes de inadimplência, o que tem elevado o rigor na aprovação de novos financiamentos (travamento de scores bancários). Há também uma pressão provocada pelo aumento dos estoques nos pátios das concessionárias, e pela queda nos preços dos veículos gerada pela forte concorrência de novos entrantes no mercado.
Ainda assim, o setor de financiamentos resistiu e cresceu quase 9% em relação ao mês anterior, totalizando 674.735 contratos validados. As taxas de juros se estabilizaram em patamares elevados e não dão sinais de arrefecimento a curto prazo, fixadas em 26,44% ao ano para Pessoa Física (PF) e 17,75% ao ano para Pessoa Jurídica (PJ).
Para o presidente da ANEF, Enilson Sales, o panorama exige cautela por parte dos operadores e consumidores para os próximos meses. “O desafio a ser enfrentado até o final do ano é o agravamento do endividamento público e privado, gerando uma expectativa preocupante para o ano/governo seguinte. Neste cenário, o preço do crédito não cai e os volumes seguirão pressionados.”
A análise da entidade reforça a perspectiva de que o mercado continuará operando sob forte pressão em 2027, com projeções futuras impactadas por riscos de recessão econômica.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
