
Imagine dançarinos descendo pelas paredes de um prédio. Não como alpinistas, mas como água: em fluxo contínuo, deslizando pelo concreto. É essa experiência que o espetáculo “Correnteza” levará à fachada da Fábrica de Cultura Diadema no dia 20 de agosto, quinta-feira, em duas sessões gratuitas, às 19h e às 20h30.
Unindo dança vertical, rapel, videomapping e poesia, o espetáculo coloca os corpos em um lugar pouco convencional: nem no chão, nem no ar, mas na parede. Em queda contínua, os artistas transformam a fachada do edifício em palco e criam uma imagem que remete ao movimento incessante dos rios e aos diferentes fluxos da vida.
Com concepção e direção de Kiko Rieser e coreografia de Lauanda Varone e Paula Spinelli, “Correnteza” estreou no Sesc Pompeia e integra agora um circuito de circulação pelo estado. Antes de chegar a Diadema, passou por Taubaté, Ribeirão Preto e Franca. Depois da apresentação na cidade, seguirá para outras localidades.
O elenco de artistas verticais é formado por Dora Cestari, Gabriela Bagno, Julia Foti, Lauanda Varone, Paola Higa, Paula Spinelli e Rodolfo Ruscheinsky.
Quando a parede vira palco
“Correnteza” parte da ideia de aproximar os fluxos da natureza, da vida humana e da metrópole. A partir da verticalidade dos edifícios, o espetáculo transforma o concreto em uma espécie de corrente líquida e os artistas em corpos que não param de se mover.
A proposta combina diferentes linguagens artísticas. A dança vertical, que une dança e técnicas de rapel, encontra o videomapping, a arquitetura urbana, a dramaturgia e a poesia para criar uma experiência em que o próprio edifício passa a fazer parte da cena.
“Correnteza nasce do desejo de fazer o espectador perder o chão — literalmente. Quando o palco é uma parede, tudo o que você conhece sobre dança precisa ser revisitado”, afirma Kiko Rieser, diretor e idealizador do espetáculo.
Ao abandonar o plano horizontal tradicional, a montagem também modifica a relação entre artista e público. Os corpos descem pela fachada de forma contínua, criando um efeito de estranhamento e fascínio e explorando a arquitetura do prédio como parte da coreografia.
A escolha da verticalidade também dialoga com a própria ideia de metrópole. Entre prédios, ruas e avenidas, o espetáculo propõe uma reflexão sobre os fluxos que atravessam a cidade e a vida cotidiana — e sobre aqueles que nos conduzem sem que necessariamente percebamos.
As apresentações são realizadas por meio do Edital Fomento CultSP PNAB nº 27/2024 – Difusão e Circulação de Projetos Artísticos Culturais.
Sobre o espetáculo
“Correnteza” é um fluxo forte e contínuo que está nos rios, nos mares, nas veias, na seiva das plantas e nas ruas e avenidas das grandes cidades. Está também no sangue e no tempo, que nunca deixam de correr.
A partir dessa ideia, o espetáculo utiliza a verticalidade para criar uma narrativa visual sobre a conexão entre natureza, corpo e metrópole. Ao transformar concreto em corrente e artistas aéreos em seres em movimento permanente, “Correnteza” convida o público a olhar para a cidade por outro ângulo e a refletir: quais fluxos nos levam sem que nem percebamos?
SERVIÇO
Espetáculo “Correnteza”
Data: 20 de agosto de 2026, quinta-feira
Local: Fábrica de Cultura Diadema — Rua Vereador Gustavo Sonnewend Neto, 135, Centro, Diadema/SP
Sessões: 19h e 20h30
Duração: 30 minutos
Classificação: Livre
Entrada: gratuita e livre. Não é necessário retirar ingressos.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
