
Em ação inédita, equipe do Hospital de Câncer Padre Anchieta de São Bernardo esteve nesta sexta-feira (24/07) na aldeia Pinheiroty, na região do Pós-Balsa. Na companhia da equipe Lilás de Saúde da Família da UBS (Unidade Básica de Saúde) Santa Cruz, os profissionais foram realizar um encontro de diálogo e integração com os moradores da aldeia, e especialmente com as pessoas que estão cuidando de uma das indígenas, que é paciente oncológica do hospital. O objetivo foi alinhar os cuidados médicos às práticas tradicionais daquela comunidade, garantindo o cuidado, a adesão ao tratamento e o respeito à cultura.
A paciente está passando por cuidados paliativos, que visam minimizar os sintomas e garantir qualidade de vida. A articulação para a visita da comitiva do Hospital de Câncer foi articulada entre a médica da equipe Lilás de Saúde da Família da UBS Santa Cruz, Sônia Seng, e a coordenadora da Oncologia do Hospital de Câncer, Claudia Sette, que também participaram da visita. A iniciativa foi da Dra. Sônia, que acompanha toda a população indígena aldeada da cidade.
“Temos uma paciente que tem uma questão mais grave e considerando a dificuldade do tratamento dela, fico muito feliz que o Hospital Anchieta acatou essa necessidade e eles estão aqui para poder melhorar o vínculo com ela e também auxiliar na construção do cuidado que ela precisa para lidar com a doença”, relatou a médica. “Esse contato melhora o vínculo e os cuidados que poderão ser ofertados”, finalizou.
A gerente técnica assistencial do Hospital de Câncer, Tais Zampieri Vassi, explicou que foi a primeira vez que o hospital atendeu uma paciente indígena aldeada e que o encontro teve como propósito orientar e informar a paciente e seus cuidadores, mas também fortalecer o vínculo deles com a instituição.
Iniciativa inédita
“O nosso propósito é promover uma interação com as pessoas que vivem na aldeia para que a gente possa fazer o melhor cuidado para essa paciente sem ferir a cultura dela e da comunidade”, destacou Tais. “Isso é uma coisa inédita, nunca foi feito uma ação deste tipo e nós também nunca tínhamos atendido uma paciente aldeada. Tem a questão do idioma que precisa ser superada (a maioria dos indígenas dessa aldeia fala o guarani), tem os costumes que eles têm, a valorização do território, do estar em comunidade, então tudo isso está sendo levado em consideração”, completou. “O Hospital Anchieta tem a humanização com um valor muito importante e essa nossa ação vai nos permitir promover um cuidado muito melhor”, frisou.
Morador da aldeia e agente de saúde indígena, Hoeli Vitorino avaliou que a visita da equipe do Hospital de Câncer à comunidade é muito importante para que todos eles possam auxiliar nos cuidados com a paciente. “A gente não sabe como lidar com essa questão, como cuidar da saúde dela. Então, através da equipe de saúde, nós também podemos ajudar para ela poder viver bem e tranquila”, concluiu.
Além das pessoas citadas, participaram do encontro a médica paliativista Juliana Cristina Pacheco, a enfermeira oncológica Luana Santana, a assistente social Priscila Martins, a enfermeira paliativista Ana Paula Bovolon e a enfermeira navegadora Ana Beatriz Santana, todas profissionais do Hospital de Câncer. Estiveram presentes também os outros integrantes da equipe Lilás de Saúde da Família da UBS Santa Cruz: a enfermeira Valéria Dutra, o educador social Francisco Martin e a agente comunitária de saúde, Areli Acioli.
Aldeias
A região do Pós-Balsa concentra quatro aldeias indígenas onde vivem cerca de 180 pessoas, todos da etnia Guarani Mbya: Guyrapaju, Pinheiroty, Nhamandu Mirim e Kuaray Rexakã. Elas estão na Reserva Indígena Tenondé Porã, que compreende um território de 15.969 hectares no extremo sul de São Paulo, São Bernardo, Mongaguá e São Vicente.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
