
Cerca de 300 cuidadores que atuam nas escolas municipais de São Bernardo participaram, em 21 de julho, de um treinamento voltado ao trabalho com crianças atípicas entre 3 e 6 anos. O encontro aconteceu no Auditório David Uip, no campus do Centro Universitário FMABC, em Santo André, e reuniu profissionais do Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT) da Fundação do ABC, responsáveis por conduzir as duas frentes da capacitação: prevenção de acidentes e manejo comportamental.
A técnica de segurança do trabalho Yasmin Lima explicou os diferentes tipos de acidente de trabalho — típico, de trajeto e biológico — e orientou os cuidadores sobre os procedimentos corretos em cada situação, incluindo a abertura da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) e reforçando que o documento protege o trabalhador caso uma lesão evolua para algo mais sério. Yasmin também abordou a Lei Lucas, que trata da capacitação de profissionais da educação para atendimento a situações de engasgo, e conduziu, na sequência, uma parte prática com manobras de desengasgo aplicadas em bonecos, simulando o atendimento a bebês e crianças maiores.
A supervisora-geral de Educação da FUABC, Edlaine Francisco, explicou que a iniciativa partiu de uma constatação do próprio SESMT: havia um número elevado de acidentes de trabalho entre os cuidadores, o que motivou a proposta de um treinamento específico. Segundo ela, a data foi definida ainda no primeiro semestre para que a orientação pudesse alcançar o maior número possível de profissionais antes do fim do ano letivo. Edlaine lembrou, ainda, que o trabalho dos cuidadores integra um termo de colaboração firmado entre a Fundação do ABC e a Secretaria de Educação de São Bernardo, dedicado exclusivamente à área educacional, e que essas profissionais atuam diretamente nas escolas, acompanhando crianças com algum tipo de deficiência, física ou de outra natureza.
Na segunda parte do treinamento, a psicóloga do SESMT Manuela de Almeida Freire apresentou noções sobre o funcionamento do transtorno do espectro autista e discutiu estratégias de manejo para momentos de crise comportamental. Ela explicou a diferença entre birra, meltdown e shutdown, destacando que uma criança autista que se recusa a participar de uma atividade nem sempre está sendo desafiadora — muitas vezes, está sinalizando sobrecarga sensorial. “Ela está pedindo ajuda para vocês, porque ela está sobrecarregada”, resumiu a psicóloga, ao explicar por que reações desse tipo não devem ser interpretadas de forma simplista.
Durante a apresentação, Manuela também tratou dos diferentes níveis de suporte previstos para o espectro autista e de recursos de comunicação alternativa, como o uso de cartões com imagens para que crianças não verbais consigam expressar necessidades básicas, como fome, dor ou vontade de ir ao banheiro. A psicóloga ainda introduziu conceitos da Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e incentivou o uso de comandos curtos e diretos no dia a dia escolar, já que frases longas costumam dificultar o processamento de informações por parte dessas crianças.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
